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soluções que são problemas

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professor helpRetomo questões relativas aos comportamentos escolares, à dita cuja indisciplina.

As situações que vejo, o que oiço por colegas de outros lados e o que leio por aí levam-me a equacionar algumas questões relativas à forma de gerir comportamentos desajustados. Aquilo que inicialmente foi considerado localmente como solução (a constituição de grupos compostos maioritariamente por alunos em risco) revela-se uma fonte de novos e maiores problemas.

Quando um aluno, por razões diversas (ou mesmo sem razão) se porta mal e o professor não consegue gerir esse comportamento, fazer com que se retome a regularidade da situação e não incomode, o problema, em algumas das situações, é do professor. A autoridade e o poder não se delega, nem se decreta, exerce-se, assume-se. Os professores têm de gerir o conjunto de relações e de dinâmicas que têm pela frente, nomeadamente quando a escola está organizada por grupos/turma. Daí os comportamentos e as situações classificadas como que de indisciplina variarem entre professores. Como variam as suas considerações. Este tipo de situações, que designarei de individuais, porque são fruto comportamentos pontuais e particulares, a sua gestão compete a quem coordena o grupo/turma, na generalidade das situações ao professor.

Outra coisa completamente diferente consiste em assumir, por via de opções de escola, a criação de grupos constituídos por alunos desinteressados, alheados, indiferentes, revoltados, zangados (com tudo e mais alguma coisa), desamparados, desestruturados ou simplesmente mal educados. Juntam-se a esses outros, por simples consideração, de raça ou cultura diferente ou enquadrados institucionalmente como se uns ou outros mostrassem risco de futuro, para além dos simples pré conceitos presentes. Surgem assim e por via de enquadramento legal, os cursos vocacionais, os percursos alternativos, os cursos de educação formação ou os profissionais, entre outras modalidades.

Perante esta composição, reunidos a partir das sobras de diferentes turmas quando não de diferentes escolas, o que era mau num grupo regular torna-se explosivo, pelo efeito de grupo, nas ofertas dita não regulares. O que era de difícil controlo num grupo/turma “normal” torna-se totalmente inviável de gerir em dinâmica de grupo, menos ainda quando um quer falar e outros não querem ouvir. São situações capazes de esgotar a paciência a qualquer santo ou estratega. Nestas situações (fonte e foco do aumento da indisciplina), a culpa não pode ser assacada ao professor. Nestas situações não se pode dizer ao professor, “olhe, desenrasque-se”.

Estas opções não são solução porque, simplesmente, levantam mais e, por vezes, maiores problemas do que aqueles que, pretensamente, visam resolver. A opção da escola e dos seus órgãos de gestão pela constituição destes grupos/turma faz com que as soluções tenham de passar, necessária e obrigatoriamente pela escola. Deixar estas situações à gestão individual do professor é entregar, muitas vezes, a alma (o professor) ao diabo.

É certo que se poderá invocar, “ah e tal a legislação é o que nos permite”. Mas as soluções não poderão (ou não deverão) ser promotoras de mais problemas e, nesse sentido, há que equacionar outros modos, outras respostas ou simplesmente outras formas de apoio e organização do trabalho docente.

Mas não deixem o professor à lei do desenrasca.

Manuel Dinis P. Cabeça

Coisas das aulas

10 de outubro, 2016

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