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Soluções Para O Envelhecimento Docente

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O site Educare desafiou diversos elementos da nossa praça educativa a apresentar soluções para o envelhecimento docente. A maioria centrou-se mais nas causas do estado atual e suas consequências, mas ainda assim, algumas ideias foram apresentadas.

Filinto Lima e Manuel Pereira focaram aspetos essenciais que passam obrigatoriamente pela valorização da carreira e imagem docente.

Filinto Lima apresentou medidas concretas que defende há bastante tempo, tal como muitos onde me incluo: a redução da componente letiva a partir dos 40 anos e a ausência de componente letiva a partir dos 60 anos.

Um dos pontos essenciais para cativar os jovens, passa obrigatoriamente por aquilo que se transmite a estes sobre a profissão docente – valorizar a imagem dos professores. São os próprios professores a dizer aos alunos para não serem professores no futuro e os que não ouvem esse discurso, têm olhos na cara e verificam as dificuldades que estes passam, nomeadamente ao nível da indisciplina. É um trabalho que tem de ser feito por dentro e de fora para dentro.

Uma carreira atrativa passa também pela estabilidade profissional, ninguém quer começar uma carreira em modo canguru, sem vínculo efetivo. A redução do número de contratos até à vinculação é outro dos pontos que poderia atrair mais jovens para o ensino.

Por fim e talvez o mais importante, passa pela componente salarial e estrutura da carreira. Se um professor em final de carreira tem um ordenado consentâneo com a importância, responsabilidade da profissão, comparativamente ao nível médio dos vencimentos em Portugal, o mesmo não acontece no início de carreira. Algo que é reconhecido pela própria União Europeia e até, vejam lá, pela antiga Ministra Maria de Lurdes Rodrigues.

Alexandra Leitão tem nas suas mãos a alteração da carreira docente, carreira essa que tem duas barragens que podem impedir um professor de chegar sequer a meio da carreira. As alterações que se avizinham, não auguram nada de bom, pois os pergaminhos de Mário Centeno e Alexandra Leitão, já provaram que a mudança, a efetivar-se, não terá o intuito de melhorar o que já existe.

Temos naturalmente outras areias na engrenagem, como a burocracia que tanto chateia os professores e os desmotiva, mas essas, ainda assim, não seriam impeditivas da chegada de novos “recrutas”.

O site Educare, lançou a questão…

Há ou não há solução para o envelhecimento do corpo docente?

A resposta é sim, mas não existe vontade política para enaltecer a profissão docente, algo que não custa nada, é gratuito, mas amuos de “lutas” passadas impedem até o próprio Ministro da Educação de defender “radicalmente os seus professores”. E se enaltecer era o mais fácil, abrir os cordões à bolsa é algo que nem passa pela cabeça dos nossos governantes. Caminhamos assim “alegremente” para o precipício, empurrando com a barriga um problema que pode durar uma geração inteira a ser resolvido.

Alexandre Henriques

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