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Sol – A professora presa e os ares do tempo

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Não concordo inteiramente com o que está escrito, até porque dificilmente a professora ficará 6 anos na prisão, e já agora, não foram apenas uns “carolos”…

A PROFESSORA PRESA E OS ARES DO TEMPO

Pedro AnunciaçãoParece que o povo anda feliz com uma professora da Amadora (Escola Básica Santos Mattos) condenada a 6 anos de prisão efectiva, acusada de espancar e maltratar crianças de 6 anos. No entanto, não nos apareceu à vista nenhuma criança com indícios físicos de espancamento ou maus tratos. Não digo que a parte psicológica não seja importante, e que prefiro ver estes métodos definitivamente varridos das nossas escolas. Mas não consigo alinhar na satisfação de ver assim uma professora ficar desempregada, presa realmente, e com um filho que não dá mostra dos maus tratos abandonado pela Justiça. E agora, no balanço, querem levar o director da escola, por não ter enfrentado a professora de forma radical!…

Afinal, saiu no DN de sábado, já depois de eu ter esta crónica gizada, um texto do Ferreira Fernandes, a pensar como eu: que uma professora a bater assim nos alunos, como se fazia no meu tempo, não pode ser hoje professora; mas um juiz que a condena a 6 anos de prisão efectiva, também não pode ser juiz.

Ainda por cima, recentemente, um tribunal deu como provado que um ex-dirigente da Protecção Civil desviou mais de 100 mil euros das actividades sociais, para fins de gozo particular (esperemos pelo recurso) – e mesmo dando isso como provado, apenas o condenou a uma pena suspensa.

Imagino que nisto da professora e da Protecção Civil, também entramos nos ares do tempo, e no politicamente correcto. Deve-se condenar à indigência e à prisão uma professora e mãe de um filho, para gáudio geral, que berra com as crianças e lhes dá uns carolos (nos meus tempos de escola, todos os professores o faziam), mas não alguém que se limita a ‘roubar’ a assistência social.

Pedro d’Anunciação (2015). “A professora presa e os ares do tempo”. www.sol.pt/, 19 de junho

1 COMMENT

  1. Totalmente de acordo.

    Melhores cumprimentos

    Augusto Küttner de Magalhães
    ———————–

    Mas não consigo alinhar na satisfação de ver assim uma professora ficar desempregada, presa realmente, e com um filho que não dá mostra dos maus tratos abandonado pela Justiça. E agora, no balanço, querem levar o director da escola, por não ter enfrentado a professora de forma radical!…

    que uma professora a bater assim nos alunos, como se fazia no meu tempo, não pode ser hoje professora; mas um juiz que a condena a 6 anos de prisão efectiva, também não pode ser juiz.

    Ainda por cima, recentemente, um tribunal deu como provado que um ex-dirigente da Protecção Civil desviou mais de 100 mil euros das actividades sociais, para fins de gozo particular (esperemos pelo recurso) – e mesmo dando isso como provado, apenas o condenou a uma pena suspensa.
    Imagino que nisto da professora e da Protecção Civil, também entramos nos ares do tempo, e no politicamente correcto. Deve-se condenar à indigência e à prisão uma professora e mãe de um filho, para gáudio geral, que berra com as crianças e lhes dá uns carolos (nos meus tempos de escola, todos os professores o faziam), mas não alguém que se limita a ‘roubar’ a assistência social

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