Home Notícias Sociedade de Matemática critica eventual redução da carga letiva no 2º e...

Sociedade de Matemática critica eventual redução da carga letiva no 2º e 3º ciclo

489
0

Eventual pois as escolas terão liberdade para o fazer sem serem obrigadas a tal.

Não concordo com a posição da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM). A carga letiva da disciplina é das mais elevadas a par da disciplina de Português, e os resultados não corresponderam ao desejado. Fica assim provado que o problema não está na falta de horas, está no programa da disciplina. Lembro que Nuno Crato “carregou” na matemática e os alunos passa(ra)m horas e horas ligados às contas. O SPM fala em desinvestimento, em falo em ajustamento, o que tínhamos era um claro excesso e o Ministério da Educação fez bem em permitir esta normalização.

Mas a flexibilização não devia ser uma surpresa para as associações de Matemática, lembro que em março de 2017, todas as associações, inclusive a de Matemática, assinaram uma carta aberta apoiando as ideias e reforma desta equipa ministerial

Afinal, em que ficamos?

A SPM dá como exemplo a possibilidade de as escolas poderem reduzir entre 10% e 20% a carga horária no 2.º e 3.º ciclos, o que vêem como “desvalorização da transmissão do conhecimento”.

“É bem patente nas matrizes curriculares base do projecto que essa redução se vai situar entre 10% e 20% dos tempos horários hoje balizados para a disciplina de Matemática. Este corte na carga lectiva sinaliza de forma factual o desinvestimento, por parte deste Ministério da Educação, na Matemática e da sua desvalorização da transmissão do conhecimento”, defende aquele organismo em comunicado enviado para a Lusa.

O decreto-lei que define os princípios de organização dos currículos foi aprovado no início de Abril em Conselho de Ministros.

Preocupado com os casos de insucesso escolar, o Governo decidiu dar liberdade às escolas para desenvolverem o currículo, com autonomia na organização de tempos, de “espaços e de formas de ensinar mais eficazes, potenciando melhores aprendizagens para todos”.

“Globalmente, trata-se de um documento muito preocupante, pois põe em causa os progressos duramente conquistados, nas últimas duas décadas, pelos alunos e famílias portuguesas, e configura um retrocesso a atitudes características daquilo que de pior teve o ensino em Portugal no século XX”, critica a direcção da SPM.

Para a SPM, o projecto de decreto-lei “desinveste no conhecimento, reduzindo-o a um mínimo insuficiente para levar os alunos a patamares de autonomia na acção e no desenvolvimento do raciocínio”.

Proposta inquietante

Uma proposta de decreto-lei “inquietante”, já que o documento em discussão pública é “um conjunto de meia-dúzia de páginas, em grande parte desarticuladas e desconexas”, que deverá substituir “já no próximo ano lectivo e para todos os alunos do país, aos actuais Programa e Metas Curriculares de Matemática”, defende.

A SPM critica também as mudanças por colocarem “continuamente a tónica na prática, no aplicável e no concreto, limitando e comprometendo a aprendizagem de disciplinas como a Matemática em que uma aquisição estruturada e sequencial permite agregar a realidade e a abstracção Matemática”.

Fonte: Público

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here