Home Rubricas Sobre a formação docente.

Sobre a formação docente.

234
0

Falar sobre a formação docente é algo complicado, complexo e delicado.

Complicado porque dá a parecer que um professor não tem formação. No entanto, o que não tem faltado por aí é formação docente. Sobre quase tudo, para quase todos os gostos, sob diferentes prismas e perspetivas, considerações e intenções. Gratuita e paga. Acessível e distante. Real e virtual. Se tem sido útil? Isso é outra conversa.

Complexo porque muitos acreditam que a formação pode ser varinha mágica de resolução de problemas e situações. Nomeadamente há ainda quem a considere essencial para mudar práticas ou mentalidades, consoante os gostos e as intenções.

Delicado porque abrange múltiplas áreas (dos saberes disciplinares ou curriculares), dimensões (de abordagens, desde a relação escola/família, ao papel do Diretor de Turma,à resolução de conflitos). Independentemente da situação, perante resistências a fazer de forma diferente, ou o lançamento de novos preceitos (políticos ou pedagógicos, curriculares ou o que seja), venha a formação, qual processo de missionação e evangelização sobre o futuro que as novas práticas (ou opções) nos reservam.

Esta introdução por via do facto de esta semana ter tido início uma ação de formação na escola onde estou sobre regulação local. Ir-se-á espalhar por uma tarde por mês ao longo de cinco meses. Formação interna, organizada por docentes da casa, considerando necessidades locais e interesses circunstanciais. Riscos assumidos, que os professores continuem a afirmar que é teoria, que não lhes traz nada de novo, que não tem implicações práticas. Afirmação que é eminentemente teórica, mas que permanece nas retóricas docentes como justificação para muita coisa.

Vantagem assumida, promover troca de ideia, cruzar perspetivas e deixar elementos que permitam pensar modos e lógicas tanto de organização, como de ação (individual e coletiva).

Aconteceu, como referi, o primeiro momento. A avaliação realizada a esse arranque foi claramente positiva. Nas suas diferentes dimensões, organização, pertinência e adequação do tema (políticas sobre o sucesso) aos oradores (David Justino e José Verdasca).

A partir deste cruzamento de ideias e olhares agora cada um, cada docente, fará o que puder ou entender. A formação é isto mesmo, não trás nem remédio nem mézinha, mas se permitir que se pense sobre o que somos, o que fazemos, como fazemos, poderá dar resultado. Mais não seja em ajudar a pensar, em levantar questões, em interrogarmos modos.

Apesar de organizado por docentes locais, houve que recorrer a elementos de fora. Esta uma outra questão que nos constrange (a nós mas um pouco por quase todo o sul da Europa). A dimensão burocrática e administrativa incutida faz com que para a aceitação das ideias haja necessidade de alguma distância, de algum formalismo a quem as expõe. Traduzido em português, santos da casa não fazem milagres. E é pena, pois cada vez mais o local, aquele colega que connosco partilha o quotidiano, tem experiências e conhecimentos que me poderiam ajudar, ser úteis. Inclusivamente pela conversa próxima, poder-me-iam ajudar a pensar outros modos de ação, outras estratégias, outras práticas.

Contudo, é tudo e quase sempre, uma questão de formação. Ou se tem ou não se tem.

Manuel Dinis P. Cabeça

Coisas das aulas.

30 de janeiro, 2017

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here