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Sobre a curiosidade

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Estamos no final de mais um ano letivo. Ao olhar para trás damos conta da rapidez com que o tempo passa. Por causa da velocidade e principalmente por causa do tempo, e por causa de uma série de televisão, escrevo a partir da série “Genius” a passar no National Geographic, sobre a vida de A. Einstein. Icon do século XX, que afirma que não era inteligente mas sim profundamente curioso. Ele mesmo que  afirmou que o conhecimento é a fraqueza dos fortes e a imaginação o poder dos fracos (episódio 1).

Porventura uma das maravilhas dos primeiros anos de escola (pelo pré, mas destaco particularmente pelo 1º ciclo), reside naquele ânimo encantado que todos vimos nesse período. Passará pelo conjunto de expectativas que desperta numa criança quanto ao aprender. Aprender a ler e a escrever. Aprender a conhecer as coisas dos adultos. Aprender a ser adulto. Por muito incrível que possa parecer é uma altura em que a criança quer ser igual ao adulto, conhecer, saber. Para isso questiona tudo, tem curiosidade sobre tudo. É a idade dos porquês.

Há, ao longo deste curto período da nossa vida, uma curiosidade direi inata, intrínseca a nós mesmos. Uma curiosidade que cria ansiedade, expectativas, que nos incute a aprendizagem como algo encantado, maravilhoso, gostoso em excelente designação brasileira.

É esta curiosidade que, a par da expectativa que a criança tem em se tornar adulta, a torna numa esponja. Aprende tudo, de bom e mau. Aprende e apreende com o que contacta, com o que vê e, muito particularmente, com aquilo que sente. E, aquilo que sente, terá de ir ao encontro da sua curiosidade, dos seus porquês, da sua expetactiva em ser, em se tornar adulto.

Expectativas que, a par da curiosidade, se vão diluindo, desvanecendo, esmorecendo, À medida que a escolaridade acontece. Chegados ao 3º ciclo e a curiosidade é residual, as certezas muitas, a curiosidade restringida “ao que não deve”. Não acontece apenas por via da escola. Mas a escola é uma das responsáveis por circunscrever a imaginação de todos e de cada um, ao correcto, ao acertado, a uma verdade. A escola, a par de outros contextos, cerceia a imaginação, circunscreve a curiosidade àquilo que as disciplinas definem como verdade, ao que o professor apresenta como matéria, àquilo que os exames poderão questionar, à norma escolar.

Se em tempos o contrapeso deste cercear da imaginação passava pela integração escolar e social, hoje nem por isso. Se antes a normalização escolar correspondia a uma normalização educativa hoje, nem tanto. Se antes, a verdade da ciência correspondia uma verdade social, hoje longe disso.

A questão que levanto é como equilibrar, que estratégias identificar para equilibrar a transmissão dos conhecimentos e o incentivo da imaginação. Como gerir memorização, essencial para que se criem alguns vínculos, e criatividade para que esses vínculos se possam romper. Como definir um caminho para que se saiba que não é o caminho que se quer percorrer.

Começo a fazer balanços. Para a semana, o que apredi eu, o que se aprendeu neste ano que passou.

Manuel Dinis P. Cabeça

coisas das aulas

29 de maio, 2017

 

 

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