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Sobre a autonomia das crianças nas aulas online – Vera Garcia

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Há questão de uma semana, recebi um email da Educadora da minha filha que solicitava que os pais deixassem os seus filhos (os mais velhinhos) no computador, sem estarem sentados ao lado deles. O motivo? Autonomia. Falo de uma Educadora de Infância que, obviamente, trabalha com crianças dos 3 aos 5 anos. E sabem uma coisa? Estou inteiramente de acordo com esta posição. À excepção das crianças muito pequenas, com 3 anos, por exemplo, pouco autónomas e que exigem ainda a presença constante do adulto, ou de crianças que tenham manifestamente problemas de aprendizagem e que precisem de um apoio mais individualizado durante as sessões, é absolutamente desnecessário e prejudicial que os pais se coloquem o tempo todo, refiro novamente – o tempo todo – ao lado dos seus filhos, durante as aulas. Depois, como em nada estão a promover a autonomia dos seus filhos, ainda interrompem a aula, respondendo na vez dos seus educandos ou dando palpites sobre como o professor deve ou não conduzir a sua aula. Absurdo e prejudicial. Com todo o respeito, esta situação verifica-se frequentemente no primeiro ciclo. Resultado? À primeira resposta errada, e como tem o pai ou a mãe ao lado, a criança chora. Caríssimos pais, certa de que serei alvo de críticas por estas palavras e, como mãe, também tenho tendência para ser assim, convinhamos que os nossos filhos, quando estão na escola, também não estão connosco. Não generalizo a situação, felizmente, mas acontece e sabemos que sim. Na escola, professores e auxiliares promovem a autonomia das crianças. Nestas sessões à distância, aquele momento, é unicamente dos alunos e do professor. Que se ressalvem, novamente, as excepções de crianças que precisam efectivamente de reforço e apoio constante. As crianças de hoje em dia são muito mais autónomas e desenrascadas tecnologicamente do que nós, adultos. Não há desculpa. E, quanto aos trabalhos, os alunos que não necessitem de apoio devem fazê-los sozinhos e serem responsabilizados por isso. O resto, cabe ao professor. Autonomia é a palavra.

Fonte: A mãe não dorme

1 COMMENT

  1. Concordo plenamente consigo!
    As crianças ficam envergonhadas por verem os pais dos colegas e recusam falar e/ou aparecer.
    Pena não pensarem todos assim! Pena achar-se que a interação, ainda que através de um ecrã, não seja benéfica.
    Hoje a minha filha teve a 1a sessão de 30 min. e não queria falar. No final já estava mais familiariazada e já queria interagir, mas a sessão terminou. Próxima sessão daqui a 15 dias! Terá de voltar a familiarizar-se…
    No próximo ano, poderemos ter uma nova fase de confinamento e ela estará no 1 ano. Estas sessões poderiam ser aproveitadas como primeiro contacto com o ensino remoto, mas enfim…

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