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Só Uma Sociedade Doente Ataca Médicos, Professores, Enfermeiros, Assistentes Operacionais, E Muitos Outros…

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Depois dos professores e assistentes operacionais, surgem agora notícias de agressões a médicos e enfermeiros. Pasmo com os números apresentados de 100 por mês e pelo desconhecimento da generalidade da população.

Nenhum trabalhador deve ter no seu cardápio diário, agressões gratuitas sem qualquer tipo de provocação. O empregador, que neste caso é o Estado, tem a obrigação de proteger os seus funcionários, independentemente da sua profissão ou estatuto.

A partir do momento que um professor, um médico, um polícia, etc, são agredidos, o próprio Estado, a própria Democracia está a ser agredida.

Existe um sentimento de impunidade latente, que permite e fomenta este tipo de situações. Estamos perante cidadãos que se julgam acima da lei, que se sentem inimputáveis e que foram criados sem o NÃO a tempo e horas, tornando-se pequenos ditadores. Nas escolas, os docentes e não docentes são as primeiras vítimas e os primeiros a identificar condutas desviantes e famílias sem estrutura. É por isso tão importante atacar o problema na sua base, dotar as escolas e os professores dos meios que necessistam, antes que seja tarde demais.

Falta Educação na nossa sociedade, falta disciplina nas nossas famílias e nas nossas escolas. O que estamos a constatar, mais não é que o fruto do que foi semeado durante as últimas décadas. Passámos de um extremo, onde nem se falar podia, para outro, em que se questiona tudo e todos, e onde as minorias muitas vezes vencem as maiorias pelo medo e violência que incutem.

Claro que estamos perante um problema também ele social/financeiro, mas a Educação e o respeito não tem cor, não tem etnia e não depende da conta bancária. Corrigir, educar, não paga imposto, basta praticá-lo, basta estar presente!

É preciso agir, é preciso tomar medidas exemplares! Ao contrário de muitos que preferem “abafar” o problema pois sabem que têm uma tarefa monstruosa pela frente, é preciso dramatizar, empolar, para que finalmente se tomem medidas concretas. É triste ter que seguir esta estratégia, mas pelos vistos a realidade não é suficiente para que se faça alguma coisa…

Que me perdoem os puristas do diálogo que tudo resolve, mas sou da opinião que a conjuntura atual obriga a medidas devidamente proporcionais. Quem agride um funcionário público, tem de ser detido, tem de perder os subsídios que está a usufruir, pois quem agride o Estado, não merece o apoio do Estado e merece ser afastado pelo Estado.

P.S – Sempre que leio estas notícias sobre indisciplina e violência para com quem trabalha, lembro-me sempre deste artigo – Serviço Militar Obrigatório Para Alunos Indisciplinados Ou Em Abandono Escolar. Não para dar armas a delinquentes como alguns temem, mas para disciplinar muitos jovens que julgam que tudo conquistam pela base da força e que não fazem a menor ideia do que é o espírito de grupo, a camaradagem ou o que são os valores da honra, da dignidade e o respeito pelo próximo.

 AiPortugalPortugal / De que é que tu estás à espera? – Jorge Palma

Alexandre Henriques


Casal de médicos sequestrado e agredido por doente no Hospital de Setúbal

4 COMMENTS

  1. Os portugueses são muito seguidistas e estão à espera de ver chegar o ensino público português ao estado a que chegou o ensino público americano, brasileiro e inglês, com as consequências políticas que se conhecem. Ainda não chegou, porque em Portugal estamos a viver dos juros do ensino elitista herdado do Estado Novo que ainda configura de forma cada vez mais desmaiada alguma exigência do ensino público. Mas muito se empenham os poderes públicos para que nos aproximemos da mediocridade que está a colocar em risco a civilização ocidental. Nós professores sabemos as pressões que sentimos, de todos os lados, para ceder à educação “light”, consequência da massificação do ensino, desculpem da massificação da certificação da ignorância e da má formação, disseminada transgeracionalmente graças ao assédio moral sobre os professores e comprometendo o papel da escola como verdadeiro elevador social.

  2. Em abono da verdade, a escola “cool”, a escola da facilidade, foi também incentivada por professores. Educai-os ou aturai-os, é na fase que estamos. A luta tem que ser também de cada um, não procurando um regresso ao passado, mas procurando novas respostas, num respeito pelo passado, mas também inovando, com o objetivo de valorizar o conhecimento. É preciso afirmar, sem medo, que a principal função da escola é instruir e não promover a felicidade. Esta é um construção pessoal. A escola deve proporcionar ferramentas para que cada um possa encontrar um sentido para a vida.

  3. Em relação à escola “cool” eu corrigiria para “professores”. Quanto ao resto, não se trata de saudades do passado, trata-se de não deitar a água do banho com o bebé junto. O ensino elitista produziu os capitães de abril. O ensino de massas produziu o “Chega”.

  4. Corroboro, que a Escola pública está um caos por causa de muitos da classe do Professorado que por razões culturais confundiram Democracia com liberdade sem responsabilidade.
    Sim, acompanhar os tempos, mas os valores jamais deixarão de imperar. A Escola é um local de aprendizagem, cultura e socialização.
    Agora cabe a cada um de nós continuar a contrariar esta massificação com equipas multidisciplinares a actuar no campo com a maior brevidade.
    Bom Ano 2020 e bom 2º período.

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