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Sindicatos devem processar o Ministério da Educação pelo “burnout” dos professores?

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Um estudo que será apresentado na próxima 6ª feira, aponta para dados alarmantes e que podem ter reflexos políticos, sindicais e/ou jurídicos.

Não sou dos que considera que a população em geral não valoriza o papel do professor, mas sou dos que considera que a população em geral não está consciente do estado debilitado em que se encontram muitos professores.

A idade dos professores está a aumentar, o desgaste é por isso mais evidente, refletindo-se num aumento significativo de atestados médicos.

O Ministério da Educação, com a obrigatoriedade de servir o Ministério das Finanças, tem empurrado para a frente um problema que é uma autêntica bomba relógio e que até poderá trazer consequências jurídicas. Imaginem que os sindicatos começam a processar o Ministério da Educação pela exploração a que estes estão sujeitos, resultado da carga laboral real (46 horas), baixos salários, turmas com muitos alunos, violação clara da componente não letiva, etc…?

Numa altura em que os sindicatos “pedem” para o Ministro regressar à mesa das negociações e deixar o futebol, devem os sindicatos colocar em cima da mesa o estudo que será apresentado na próxima 6ª feira e que já hoje faz notícia.

“Não posso revelar os dados antes do dia 06 de julho [sexta-feira] mas, neste momento, os dados provisórios apontam para uma taxa de ‘burnout’ altíssima. Ou seja, nós temos um número de professores estatisticamente muito relevante que está a trabalhar em condições de adoecimento grave”, disse a coordenadora da investigação que tem como base questionários a 19 mil professores portugueses, a nível nacional.

“São três questionários validados à escala internacional e conseguimos recolher, de forma voluntária 19 mil inquéritos a professores portugueses. Temos neste momento cerca de dois milhões de dados a serem tratados”, adiantou Raquel Varela.

A pesquisa é uma parceria entre a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova, coordenada por Raquel Varela e que conta com a participação de académicos de várias universidades, entre elas do Instituto Superior Técnico e de instituições brasileiras.

O estudo sobre “burnout” ou desgaste investiga as condições e vida e de trabalho dos professores em todos os graus de ensino incluindo nos setores público e privado.

Para Raquel Varela, os dados que vão ser analisados podem vir a ter reflexos políticos, sindicais ou jurídicos, tal como aconteceu na sequência de estudos semelhantes realizados no Brasil.

“A questão sindical é dos sindicatos, mas estudos semelhantes no Estado de São Paulo (Brasil) – que tem mais professores do que Portugal – levaram, por exemplo a uma queixa-crime do sindicato que responsabilizou o Estado pelo adoecimento dos professores”, disse a coordenadora do projeto.

“’Burnout’ significa que a pessoa esgotou. Colapsou-se. É multifatorial, mas há uma questão que estamos a concluir e que vai ao encontro com os trabalhos internacionais: há uma dissociação entre as expectativas criadoras, inovadoras, autónomas das pessoas e aquilo que é a realidade dos locais de trabalho”, refere Raquel Varela acrescentado que o estudo destaca a “realidade” que afeta os docentes portugueses.

“Uma realidade profundamente hierarquizada, vigilante, corta a autonomia e tudo isso diminui a produtividade e leva ao adoecimento dos professores e dos profissionais que estão em ‘burnout’”, diz.

Segundo os investigadores, este estudo pretende também compreender de que forma é que a saúde mental dos professores está afetada pelas condições de trabalho e de que forma as condições de trabalho afetam as condições familiares.

Fonte: Sapo

2 COMMENTS

  1. Já agora diga-se que o estudo foi lançado pela Fenprof e os resultados vão ser apresentados pela Raquel Varela numa iniciativa da Fenprof na sexta-feira. Facto importante a salientar.

  2. “Não sou dos que considera que a população em geral não valoriza o papel do professor, mas sou dos que considera que a população em geral não está consciente do estado debilitado em que se encontram muitos professores.” Nem mais ou mais, na verdade, além de entender que há um muito elevado número de pessoas na nossa Sociedade não valoriza o nosso papel, por ignorância, por intoxicação do tipo Maria de Lurdes, por inveja associada à ignorância, estão mesmo à margem do problema e não é só o “burnout” dos docentes, também os auxiliares de ação educativa estão em situações difíceis embora não se confrontem com um espaço fechado em que se tem de fazer algo onde muitos alunos, cada vez mais entendem que o sistema é inútil! Dá vontade de partir tudo ou fugir!
    O sistema Educativo e a Escola portuguesa faliu! Talvez consiga ainda estar a desenvolver um trabalho profícuo e espero bem que sim, no ciclo pré-escolar…
    Os casos interessantes, que os há, são pontuais!
    O problema é tão grave que coloca em causa a democracia, colide com as bases de sustentação do nosso regime político!
    Estamos numa letargia fundada na tirania das autoridades internacionais que dominam a finança, quem lhes obedecer é agraciado com cargos em Organizações Internacionais Governamentais, tipo FMI, ONU, BCE e etc, etc.
    Não estou a ser dramático, os tempos são propícios à insegurança do Estado, à falência do Estado de Direito e já estamos muito longe de um Estado Social do Direito. Teremos de certeza num futuro próximo tentativas de soluções de organização do poder extremistas, plenas de demagogia, onde os contrastes serão cada vez mais frequentes!
    Isto que escrevo não é demagogia, a Educação e a Escola é o princípio e o fim da Sociedade, eu já a caminhar para o que seria suposto ser o fim da carreira, tenho dúvidas de reunir os requisitos e as qualidades para ter lugar nessa Escola que se exige, essa Escola requer muitos recursos humanos de qualidade máxima no plano humano, pedagógico e científico e muitos recursos financeiros associados a uma nova organização e funcionamento da Escola adequada a este mundo bem diferente dos meados do século XX. Ela vem com tiques academicistas, teóricos, rotineiros, memorísticos… uma porcaria!
    Senhores da governança assumam esta realidade, assumam que fazem o que podem, assumam que são pequeninos e não têm capacidade para decidir porque não conseguem dominar quem manda, assumam que estão a ser meros serviçais duma Ordem Internacional que não dominam e pelo menos não enganem o Povo! Assumam pelo menos que “a Educação é a vossa paixão” mas nas decisões sejam consequentes e não demagogos! Por favor, não aldrabem e respeitem-nos! Se vós não estais do nosso lado, vós não prestais para nada! Sois meros serviçais em troca de apanharem umas migalhas que eu não trocava! Pobrete, mas alegrete! Burnout… foi ocasional, a regra é Outburn…

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