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Serão tempos livres?

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IMG_3131Hoje pareceu-me importante sugerir uma reflexão que me tem apoquentado há já muito tempo e que se relaciona com a ocupação dos tempos livres de seres nesta faixa etária. Poderemos iniciar este momento com algumas perguntas que, ao contrário do que eu esperaria, raramente oiço como sinónimo de dificuldade, durante a consulta num encontro com pais. Ou seja: não fora a ampla e exaustiva colheita de dados da história clínica — prática que aprendi com grandes mestres da pediatria nacionais e estrangeiros entre os quais e sem desvalorizar outros, devo destacar o Professor Carmona da Mota, o Dr Nicolau da Fonseca, o Professor J. Paupe para quem a saúde é um estado de” Bem-Estar da criança a todos os níveis   — os ditos “tempos livres” seriam um dado adquirido , banalizado , transversal a diversos anos, embora a maior parte das vezes monótono e, desinteressante, e cujo objetivo em pouco ultrapassa a execução mais ou menos rápida dos TPCs (trabalhos para casa ).. Que me perdoem os seus defensores, e em particular os pais,  mas as dúvidas que hoje partilho  são variadas e baseadas em respostas dadas pelas próprias crianças de imediato, dentro das paredes do gabinete

 Assim deixo três questões:

1.Que espécie de “tempos livres ” têm os nossos filhos ?

2.Estarão adequados ao seu desenvolvimento e maturidade?

3. Estarão a ser atingidos os objetivos denominados por ações facultativas de natureza essencialmente lúdica e cultural visando a correta utilização criativa e formativa das nossas crianças?  

Em primeiro lugar, olhemos para o significado das palavras e tempos que serão “tempos de descanso e de realização de atividades que as crianças desejam e a que têm direito como relaxantes”, após um dia de aulas de áreas disciplinares curriculares. Ou seja, a antítese do que em geral nos dias de hoje se verifica e de que, para surpresa dos próprios pais, as crianças criticamente discordam quando questionadas. O que a muitos pais e educadores interessa é que a realização dos ditos TPCs ocorram e as crianças “evoluam”… As outras atividades são secundárias. E esta é uma realidade inegável mas negativa no impacto sobre as crianças. Inclusivamente no” sucesso” da aprendizagem.

Adequados? Para responder afirmativamente falta efetivamente muito nas nossas Escolas, na  interpretação do que está em causa e nas prioridades que estabelecemos. Não ignoro e louvo o esforço que tem vindo a ser realizado pelas Escolas, utilizando da melhor forma a sua autonomia e estabelecendo parcerias úteis com outras entidades e  instituições. Mas o percurso é ainda longo. Os esforços não podem parar, bem pelo contrário. A começar pelos pais que apoiados por técnicos e professores têm de encontrar/descobrir o mais adequado para os tempos não curriculares dos seus filhos.

Como resposta à ultima questão, aconselho a leitura das leis. Não tenho formação específica  nessa matéria mas chamo a atenção, por exemplo para o Dec-lei nº 6 /2001 que aborda o assunto dos novos currículos do ensino básico e donde se pode inferir uma preocupação no reforço das disciplinas de português e matemática, na educação para a cidadania, para o desenvolvimento da educação artística e para o desporto, deixando às Escolas a conceção e realização de projetos  para a sua realização.

Tenho uma visão otimista do futuro. Contudo mantenho algumas preocupações – que cada um retirará da  leitura deste texto . À semelhança do inglês e da iniciação musical, para quando a possibilidade de expressão artística, enquanto medida de formação transdisciplinar, no ensino público? Não haverá espaço para esta medida que defendo como do maior interesse educacional?

As crianças , os pais e as Escolas estão comigo, não tenho duvidas. A longo prazo, todos – a começar pelos políticos – compreenderão que descobrir cedo e desenvolver capacidades inatas que todas as crianças  possuem  em níveis e características diferentes foi, é e será um” jogo  onde o  o empate não conta e a vitória é certa.!” Incentive-se e ofereçam-se oportunidades!

Maria de Lourdes Chieira (Pediatra)

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Se não for muito trabalho, muitos Pais e Mães deveriam ler o Daniel Sampaio – Psiquiatra com anos e anos de experiencia – que até é de esquerda e ainda bem, mas não entra no esquema – de demasiados – de que as crianças e os jovens podem fazer tudo o que bem lhes apetece, sem controlo, regras….

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