Home Notícias Serão os manuais eletrónicos a melhor resposta?

Serão os manuais eletrónicos a melhor resposta?

92
0

Manuais escolares eletrónicosOs manuais escolares são uma importante ferramenta de trabalho tanto no contexto de sala de aula como no trabalho autónomo e complementar que o aluno deve desenvolver fora da escola. São compilações científicas e ajustadas aos programas das disciplinas que permitem uma linha condutora da ação educativa, mas não podem ser vistos como um fim em si mesmos. São apenas mais uma ferramenta de trabalho para auxiliar os alunos na aquisição de conhecimento.

Tendo esta premissa como ponto de partida, conclui-se naturalmente que o peso dos manuais no orçamento familiar está manifestamente desajustado tanto da capacidade financeira da generalidade das famílias da classe média (quem não está inserido na classe média ou têm uma situação financeira confortável, que os dispensa de se preocuparem com esta realidade, ou são abrangidos pelos apoios sociais e neste caso o têm os manuais gratuitos ou comparticipados em 50%), como da importância que os manuais têm no processo educativo (São apenas uma ferramenta, não a peça central de todo o sistema).

Sendo o ordenado médio dos trabalhadores portugueses cerca de 900€, partindo do princípio que ambos os progenitores estão empregados e que existe apenas um filho em idade escolar, esta família tem um rendimento hipotético de 1800€ e uma despesa com os livros escolares do filho de cerca de 250€, fora o resto dos materiais escolares. Então cerca de 14% do seu rendimento vai para esta despesa.

O senso comum diz-nos que que a educação não tem preço. Mas parto do princípio que a frase não foi criada para justificar que as famílias sejam obrigadas a gastar recursos de que não dispõem para poderem ter os filhos a estudar. No meu entendimento refere-se ao facto da educação ser fundamental para o futuro tanto individual como social e deste modo ter de ser devidamente fomentada e protegida pelas entidades responsáveis.

Num primeiro impulso pensamos logo em limitar o preço dos livros por decreto, com a justificação de tornar a sua aquisição mais fácil e justa para as famílias. Não digo que não seja importante, aliás considero muito importante que se promova a prática de preços justos e que se limite a especulação em matérias que têm influência direta e decisiva na competitividade futura do país, como é o caso da educação. Mas trata-se de um paliativo. Os custos de produção dos livros são elevados e é justo que todos os que participam na sua elaboração sejam justamente recompensados pelo seu trabalho.

Um outro caminho possível é o assumido por algumas autarquias. Incorporar os custos dos manuais dos alunos nos seus orçamentos e oferece-los às famílias, como é o caso da autarquia de Gaia. Mas esta opção acaba por sobrecarregar os orçamentos públicos, já muito depauperados, inviabilizando que se canalize as verbas para outros investimentos necessários. Mais uma vez estamos perante uma medida com uma nobreza social inquestionável e de louvar, mas será que os manuais escolares deverão ser uma prerrogativa governativa, seja a nível local, regional ou nacional, para além dos apoios que já existem?

Podemos ainda criar bancos de manuais escolares que permitam aos pais recorrer a este serviço, só tendo de pagar o material que no final do ano esteja danificado. Para que tal aconteça implica estabilizar a escolha dos manuais pelas escolas para que os mesmos sejam possíveis de utilizar em anos sucessivos.

Mas precisamos de olhar para o problema por outro prisma, encarar não apenas o aqui e o agora e lançar as bases do amanhã. Se os livros de um ano rondam os 250€, mas um Tablet pode custar menos de 100€. Então claramente sai mais barato investir na tecnologia do que estar a comprar todos os anos livros. Após a aquisição do aparelho, nos anos seguintes só é necessário adquirir os manuais, como hoje compramos uma aplicação para o telemóvel na “App Store” ou na “Play Store”. Claramente, mesmo com o custo inicial do aparelho o custo anual será substancialmente mais reduzido e os impactos ambientais muito menores com o que se poupa em papel.

Tem ainda a vantagem de os nossos alunos deixarem de transportar dezenas de quilos às costas todos os dias e deixarem de se esquecer dos manuais das disciplinas que menos gostam pois estão todos na mesma plataforma. Aumentamos também a capacidade de interação com o Parque Escolar que possuímos e que tem uma vertente tecnológica acentuada, Quadros interativos, computadores, internet wireless, etc. e que podem interagir diretamente com os manuais.

Naturalmente não é uma medida a aplicar de um ano para o outro no sistema educativo, mas pode ser aplicada em escolas piloto e trabalhar o modelo até o estabilizar e generalizar.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here