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“Será assim tão estranho que um sistema educativo tenha como objetivo a erradicação do insucesso?”

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A frase é do secretário de Estado João Costa, o rosto, o corpo e a alma de toda a vertente pedagógica do Ministério da Educação.

A nota de abertura que escreveu para a NOESIS contraria a ideia, como já o fez no passado, que os “chumbos” vão terminar por decreto. Todos já percebemos que não, até pela reação que a própria sociedade teve perante o que está escrito no programa do PS e que lembro, levou a toda esta confusão.

Ninguém pode contrariar a argumentação do secretário de Estado, até porque ela faz efetivamente sentido. Nenhum professor é favorável à retenção, só porque sim. O problema é que ao falar nos recursos apresentando inclusive dados concretos, fica a sensação que estes são suficientes. Não são, estão muito longe de o ser e já aqui divulguei que a despesa do Estado em Educação está ao nível de 1988.

Esta é a questão central, se pretendemos o sucesso, há que dar condições aos alunos, principalmente aos 80% de retidos provenientes de escalões socialmente inferiores. Por isso escrevi recentemente os artigos A Escola Precisa De Terminar Na Escola e Os Professores Precisam De Tempo, Os Alunos Precisam De Tempo, Os Pais Precisam De Tempo, A Sociedade Precisa De Tempo. Aliás, um dos “padrinhos” da inclusão e defensor do decreto 54º, veio hoje criticar a falta de investimento nas escolas.

A nossa educação não foi ainda capaz de se libertar de uma herança de desinvestimento de muitas dezenas de anos. Faltam recursos? Faltam sim, e muitos. David Rodrigues

Sou um dos que considera que João Costa tem bons princípios no que à educação diz respeito, mas isso não chega, não se pode fazer omeletes sem ovos, e os ovos que João Costa anuncia não passam de aperitivos para uma comunidade que ano após ano tem as refeições racionadas.

É preciso investir e é preciso tempo para que esse investimento surta efeito. Na escola atual, ambas as premissas são meramente retóricas e todos sabemos a importância que estas têm para o sucesso educativo.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Só faltava agora argumentar que os críticos defendem os chumbos!
    Claro que o problema nunca foi colocado nestes termos e com isto se vai levando a conversa sem se dar conhecimento das medidas e recursos! Até quando?

  2. A erradicação do insucesso nas estatísticas do ministério, nos miúdos só vai aumentar a falta de interesse e motivação. Quando os miúdos chegarem ao 10º ano é que os iluminados que tiveram esta brilhante ideia vão ver o as taxas de insucesso…

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