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Senhores políticos, entendam-se!

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Filinto LimaOs conteúdos programáticos referentes aos 1.º, 5.º e 7.º anos vão emagrecer, atendendo à sua extensão, queixa recorrente dos docentes que não conseguem lecionar a “matéria” prevista. Quantas vezes o professor tem de avançar na matéria sem aprofundar alguns conteúdos imprescindíveis, ou apoiar os alunos que evidenciam dificuldades, tomados pela pressão do cumprimento dos programas.

Será definido o currículo essencial e exequível para as várias disciplinas, e traçado um perfil de competências para os doze anos de escolaridade.

Parece-me fundamental a abordagem desta temática pelo Ministério da Educação (ME), atendendo à contestação que se faz sentir nas escolas, pela impossibilidade de cumprimento dos “programas” disciplinares.

Contudo, quantas vezes grandes ideias se transformam em enormes confusões, por falta de auscultação ou consensos alargados. É essencial o esforço no sentido de alcançar o comprometimento de todos ou, pelo menos, da maioria dos atores educativos.

Julgo que o ME começou bem, partindo dos alertas que os docentes fizeram; as diversas associações de professores (Português, Matemática…) foram auscultadas; os alunos opinarão em breve (Conferência “A voz dos alunos”, em novembro) e outras instituições e individualidades terão oportunidade de manifestar os seus pareceres.

Porém, não podemos mais desperdiçar oportunidades para realizar “amplos consensos”, também na Educação, como tem sido verbalizado frequentemente pelo Presidente da República, em diversas circunstâncias.

A alteração pretendida atingirá uma área nevrálgica da Educação (currículo), que não poderá estar dependente das mudanças quadrianuais registadas no sistema político nacional, quase sem exceções.

É crucial que as forças partidárias, de Direita e do Centro, sejam envolvidas e comprometidas neste objetivo, de modo a gerar estabilidade num dos sistemas que mais mudanças sofre, o da Educação.

Temo que as opiniões dos principais intervenientes educativos sejam traídas por interesses político-partidários, nada importantes para aqueles que diariamente labutam nas escolas, com o objetivo de proporcionar o melhor futuro possível aos jovens. Este assunto em particular, merece entendimento entre quem nos governa e governará.

Senhores políticos, entendam-se!

Filinto Lima

Professor/Diretor

3 COMMENTS

  1. Sinto – me cada vez interessada nos textos deste espaço de profícuas discussões. Descubro que, apesar de 46 anos de luta no chão da escola pública brasileira, preciso aprender mais. Discutimos currículo e aqui consigo vislumbrar outros encaminhamentos, novos ensinamentos. À guisa de dados, há uma certa similitude e parecença com as discussões dos docentes brasileiros.

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