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Sem Teleponto, Sem Maquilhagem, São Professores…

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Ainda não vi qualquer emissão, mas sinto um orgulho muito particular por ver os nossos colegas professores avançarem sem nenhum tipo de preparação televisiva para o que se intitula de #EstudoEmCasa.

A revista Visão fez uma reportagem aos bastidores da Telescola e conseguiu captar aquilo que para mim é essencial num bom professor, ser ele próprio!

Não serão perfeitos pois a perfeição é algo que só se procura e nunca se alcança.

Serão vistos por milhares de alunos, abdicando assim do anonimato para dedicarem-se à sua/nossa causa num contexto totalmente novo.

Como costumo dizer, quem lida com crianças e jovens todos os dias, tem de estar preparado para tudo, são professores e isso diz tudo…


Nos bastidores da telescola: luz, câmara, ação! Está a gravar

O programa Estudo Em Casa, com início marcado para a próxima segunda-feira, 20, na RTP Memória, já começou a gravação das aulas. A missão é levar a escola a todos os alunos até ao 9.º ano que não têm acesso às plataformas digitais. Sem qualquer tipo de casting ou teleponto, aos professores só lhes foi pedido que sejam eles próprios, como se estivessem na sala de aula

“Quando começar a gravar vão tremer-me as pernas”, desabafa Helena Frazão à porta do Estúdio 1, nas instalações da RTP, em Lisboa, antes de entrar para dar a aula de Português. Aos 50 anos, a professora – sem turmas atribuídas e a coordenar um centro escolar (pré-escolar e 1.º ciclo) com cerca de 240 alunos – faz dupla com Sandra Simões, 48 anos, que mantém a rotina de ensinar crianças do 4.º ano. Ambas pertencem ao Agrupamento de Escolas Fernando Casimiro Pereira da Silva de Rio Maior, habituado e reconhecido por usar métodos mais tecnológicos, como sejam quadros interativos, sala multimédia e atividades de robótica. As docentes ficaram responsáveis por dar as aulas de Português dos 3.º e 4.º anos (entre os 8 e os 10 anos), às segundas e às quartas-feiras às 10 e 20, na emissão televisiva da telescola do século XXI. “Vamos sobretudo trabalhar histórias, contos e gramática”, explica Helena. Antes de entrarem no estúdio só lhes falta o microfone, colocado de imediato por Rui Lemos, assistente de áudio. Não há maquilhagem, penteados ou guarda-roupa especiais. Tudo se espera o mais natural possível, como se à sala de aula tivessem chegado.

“Sem castings, nem qualquer tipo de formação televisiva, para os professores não é fácil”, explica Gonçalo Madaíl, diretor da RTP Memória. “Alguns têm mesmo jeito e superam os nervos, outros precisam de acompanhamento e da primeira para a segunda gravação nota-se uma aprendizagem, como seria de esperar”, acrescenta. Aliás, como referiu o secretário de Estado da Educação, João Costa, à Rádio Observador: “Não se espera que os professores sejam estrelas de tv.”

Repensado o modelo da telescola e posto, novamente, em funcionamento para colmatar a falta de acessibilidade digital dos alunos (sem computador, sem Internet ou sem ambos), este agrupamento tem a seu cargo todas as disciplinas dos 3.º, 4.º e 9.º anos, à exceção da Educação Artística. No total dos seus cerca de 1 100 alunos, cerca de 100 não tinham meios para começar as aulas virtuais, mas quando a telescola começar a emitir na próxima segunda-feira, 20, (apesar de o terceiro período do ano letivo já se ter iniciado na passada terça-feira, 14), já receberam computadores, disponibilizados pela própria escola, em articulação com outras entidades que também quiseram ajudar. Mesmo as famílias em que são precisos dois equipamentos, um para cada filho em anos de escolaridade diferentes, não foram esquecidas. Já a autarquia de Rio Maior providenciou acesso à Internet para todos.

“Este programa foi criado não para relembrar a velha telescola de que, possivelmente, os vossos pais ou os vossos avós já vos terão falado, mas para criar uma escola do tempo de hoje, que chega com os conteúdos de hoje e com as tecnologias de hoje à casa de cada um para complementar o trabalho que está a ser feito pelos vossos professores e para também poder ser mais acessível a quem não tem a mesma acessibilidade da ferramenta digital”, disse António Costa, dirigindo-se mesmo às crianças e jovens, quando visitou as gravações da telescola na RTP.

Sem teleponto e sem cortes

A Direção-Geral da Educação sugeriu os temas, depois foram formadas várias equipas de professores que tiveram de dar sugestões de conteúdos e planificar a aula de 30 minutos. Pensar que suportes visuais iriam utilizar e fazê-los, desde vídeos e powerpoints, de jogos até músicas originais. O tempo (pouco ou muito consoante a dupla de professores) é o maior imprevisto das aulas. “É um grande desafio porque no nosso dia-a-dia estão à nossa frente os alunos que nos dão feedback sobre se a aula está a ser atrativa e motivadora. Agora não há”, lamenta Helena Frazão. Em estúdio, à frente das professoras já posicionadas a meio do cenário (a lembrar uma sala de aula em tons suaves) apenas duas câmaras, uma grua e um relógio com os dígitos a vermelho em contagem decrescente. “Trinta minutos em televisão equivalem a uma hora e meia de aula. Falta a interação, não sabemos se a nossa prestação resulta em televisão”, duvida Sandra.

Sem terem recebido qualquer tipo de formação televisiva ou dica telegénica por parte da produção (a cargo da Fremantle), as duas colegas de Rio Maior pensavam que podiam repetir, mas nas aulas da telescola não há cortes. Assim que começa a gravar só pára daí a 30 minutos. Não há teleponto, contam apenas com a espontaneidade e o improviso, algo com que lidam no seu dia-a-dia, mas quando estão em frente às câmaras e se acende a luz vermelha há quem se enerve.

Helena Ramos, 49 anos, e Carla Marques, 50 anos, até tinham ensaiado em casa a aula de Inglês, também para os 3.º e 4º anos. Na tentativa de preverem o que poderia acontecer, os conteúdos delineados foram suficientes para preencher a meia hora de aula. Mas, no estúdio quando chegaram à parte final (em que dão um desafio para a aula seguinte), olharam para o cronómetro e marcava ainda 15 minutos. Por dentro, Helena estremeceu, mas Carla teve o sangue frio, nas palavras da colega, de pensar numa solução enquanto continuavam a gravar. Voltaram atrás e repetiram alguns exercícios de Identificação Pessoal e Família, tema que dá o mote à primeira aula da disciplina. “Em televisão o tempo demora muito a passar”, desabafa apreensiva Helena Ramos. Só lhes pediram para serem informais, espontâneas e olharem para a câmara, pensando que estão a olhar os alunos nos olhos. Carla Marques ali estava sobre grande pressão: tinha 63 mensagens pendentes no WhatsApp, no grupo criado para os alunos das suas sete turmas tirarem as dúvidas.

1 COMMENT

  1. “É um grande desafio porque no nosso dia-a-dia estão à nossa frente os alunos que nos dão feedback sobre se a aula está a ser atrativa e motivadora. Agora não há”, lamenta Helena Frazão.”
    Não há porque quem fez o site da RTP Estudoemcasa não disponibilizou links, para cada aula, com formulários online para avaliação da mesma. Avaliação por todos, alunos, pais, colegas professores e quem mais o desejar.

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