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“O segredo está no professor. Temos total confiança e este tem total liberdade”

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finlândiaEste é o pilar no qual assenta o modelo Finlandês. Forte aposta na formação do professor e depois deixá-lo trabalhar. Tão simples não é? Estamos perante uma diferença gritante e apesar de serem realidades completamente diferentes, com culturas escolares opostas, a ideia de autonomia escolar é algo que nunca foi feito em Portugal, de forma massificada e durante um período de tempo significativo.

Podíamos começar pelo princípio, por confiar na formação docente, algo que é posto em causa pela própria entidade que o certifica, o Ministério da Educação, pois até quis criar uma prova logo após a sua conclusão.

Ficam excertos da entrevista à Ministra de Educação Finlandesa de apenas 32 anos.

Professor, o foco do sistema educacional finlandês

Formação de Professores

É necessário se ter professores excelentes para existir um bom sistema educacional. Para que alguém se torne professor na Finlândia, tem de ter um nível bom, com cinco anos de formação que contemplam dois de mestrado. Então, sabemos que podemos contar com eles, não precisamos nos preocupar, pois sabem o que estão fazendo. Mas isso é possível graças a um nível de formação alto exigido dos professores. Eu acho que temos de confiar neles e mostrar isso, para que tenham liberdade e possam, ao mesmo tempo, ter responsabilidade.  Tudo é baseado na confiança.

Eles fazem seu trabalho com liberdade, não dizemos quais livros ou materiais usar ou como devem ensinar, se dentro ou fora da sala de aula. Os melhores estudantes acabam se tornando professores. Se me pedissem conselho de algum país, eu diria: invista em professores e em sua educação.

Áreas Curriculares

Isso não significa que deixamos de ter disciplinas. Continuamos a tê-las, mas o novo é que estamos tentando trazer coisas que estão acontecendo na vida real para a sala de aula, para estudar do que se trata segundo diferentes pontos de vista. Então escolhemos um fenômeno – mudança climática ou crise econômica, por exemplo – e então você começa a olhar o fenômeno a ser estudado por diferentes perspectivas, seja o background de História, Biologia ou Matemática que você tem. É um tipo de mecanismo que ajuda os alunos a aprender a pensar.

E dentro das disciplinas, estamos trabalhando em um novo currículo que fala sobre diferentes habilidades, com diferentes tecnologias e espaços de aprendizagem. Não é apenas trazer computadores para as salas, mas saber como utilizar tecnologias como games e outras ferramentas para os alunos se sentirem motivados a aprender.

Pisa

Não queremos provas padrões na Finlândia porque queremos que o professor tenha espaço para ensinar, que os estudantes possam aprender. Todo o foco deveria estar voltado para aprender e ensinar. E disso virão os bons resultados.

E já agora encontrei um artigo também do Brasil muito interessante, intitulado:

Oito coisas que aprendi com a educação na Finlândia

1. Usar mais projetos nas aulas

“Os projetos são desenvolvidos sem o envolvimento tão direto do professor, em que os alunos aprendem não só o conteúdo, mas a gerir um plano e lidar com erros”

2. Foco na produção de conteúdo pelos alunos

“No modelo tradicional de ensino, quem mais aprende é o professor. Lá (na Finlândia) é o aluno quem tem de buscar conteúdo, e o professor tem que saber qual o objetivo da aula.

3. Repensar o papel da avaliação

“A avaliação está presente, mas os alunos se autoavaliam, avaliam uns aos outros, e o professor avalia os resultados dos projetos”. “Ao reduzir o número de testes (formais) e avaliar mais trabalhos em grupo e atividades diferentes, os professores têm um filme do desempenho do aluno, e não apenas a foto (do momento da prova)”

4. Usar tecnologia e até a mobília para ajudar o professor

“Em vez de proibir o celular, os professores os usam em sala de aula para estimular a participação dos alunos”

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Salas adaptadas ao trabalho que se pretende

5. Desenvolvimento de habilidades do século 21

“(São desenvolvidas) competências do século 21, como comunicação, pensamento crítico e empreendedorismo”

6. Intervalos mais frequentes entre as aulas

A Finlândia adota aulas de 45 minutos seguidas de 15 minutos de intervalo na educação básica – prática que Bruno Garcês acha que poderia ser disseminada por aqui. “Tira a tensão de ficar tantas horas sentado”, diz.

7. Cultivar elos com a vida real e empresas

“Aqui na área rural do Mato Grosso podemos ter uma interação maior com as fazendas locais, ministrando aulas a partir do que os produtores rurais precisam.”

8. Formação mais prática e valorização do professor

“Algumas salas têm dois professores – um como ouvinte do outro caso seja menos experiente”, relata Fechine.

“Há uma relação mais direta (entre os professores), com muita conversa entre quem dirige o ensino e quem dá aula”, agrega Barwald Bohm.

“Além disso, há uma valorização cultural do professor lá, semelhante à de outras profissões. O salário é equivalente e as condições de trabalho dão bastante tempo para o planejamento das aulas”, diz Bruno Garcês.

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