Início Editorial Se Os Exames Desaparecerem, Será Este O Cenário Das Pautas?

Se Os Exames Desaparecerem, Será Este O Cenário Das Pautas?

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Ontem recebi este email e o qual transcrevo:

Boa tarde, colega.
Vão em anexo as fotos das pautas do 3º período. Tal como no ano anterior, no final do ano os 20 generalizaram-se nas disciplinas não sujeitas a exame nacional.
Seguramente que estão lembrados da questão do Externato Ribadouro e das pautas que o ComRegras publicou. Como podem ver nas imagens, não é percetível o ano letivo, nem o nome da escola, por isso a credibilidade é a que cada um quiser dar.

Volto ao assunto, pois considero este tema central em todo o processo educativo. A equidade ou falta dela, podem minar o ensino, tornando-o pouco credível , manchando a reputação dos seus professores e respetivos estabelecimentos de ensino. É por isso um tema muito importante e não deve ser desvalorizado.

Se estas pautas correspondem ou não com o desempenho dos alunos, cumprindo com os critérios de avaliação, só os visados o saberão. Mas continuo na minha, não darei credibilidade a pautas onde todos os alunos ou quase todos têm exatamente a mesma nota, seja tudo 8, tudo 12 ou tudo 20. Os alunos não são clones e a diferença faz parte da natureza humana. Não acredito que todos os alunos se portem exemplarmente bem, tenham resultados entre 19 e 20 valores, sejam todos 100% assíduos, pontuais, etc… Isto quando na mesma pauta verificamos que nas outras disciplinas existem efetivas diferenças. Serão os alunos e todos os alunos, tão diferentes assim de disciplina para disciplina?

Sou um crítico do estado a que o Ensino Secundário chegou em virtude da pressão dos exames. A conversa é sempre a mesma, porque nos exames isto e aquilo, porque depois vêm os exames, não posso por causa dos exames, patati patatá. O Ensino Secundário está completamente refém dos exames e isso é para mim factual.

O problema é que os exames são provavelmente o sistema mais eficaz para regular e manter a equidade no ensino. O seu fim, abrirá a porta a pautas como a que podem constatar em cima, salvaguardados por critérios de avaliação à medida, pois a flexibilização curricular justifica tudo.

Qual é a solução? Pois… Sinceramente não sei qual a solução ideal, mas sei que como está não pode ficar e também não podemos cair no outro extremo. A fiscalização terá de ser efetivamente maior se os exames desaparecerem e as penalizações para os prevaricadores devem ser fortes e públicas, talvez assim o receio seja suficiente para impedir certos desvarios…

Este mundo imperfeito da Educação, terá de escolher o mal menor e assumir esse rumo, com a consciência das suas virtudes e defeitos.

Alexandre Henriques


E nem por acaso…

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3 COMENTÁRIOS

  1. Os exames do 12 ano como prova de acesso ao ensino superior, há já quase 40 anos,transformaram num grande negócio e veneno o ensino secundário! As corporações do ensino superior submeteram sempre às várias cátedras a organização curricular,os grupos de docência e o trabalho docente.Os interesses corporativos deste segmento do sistema educativo mandam e os mários nogueiras só clamam contra as governações e não consgue dizer que o rei vai nú.E os muitos Conselhos de Educação idem,cheios que estão de catedráticos,aspirantes ou afins!

  2. Caro Alexandre, estou de acorfo com quase tdo o que diz. Ha anos que digo o mesmo em relação à pressão dos exames e das médias mas tambem acho que esta na hora de nos dtixarmos de artigos de opinião apenas a mostrar o que esta mal e passarmos a publicar unmas coisinhas que mostrem que edtamos a tentar procurar soluções. O alexandre é professor, provavelmente do secundário, entao qual é a sua ideia? Vamoa a propostas concretas para discussao! Pode ser que surja alguma ideia que se possa estudar para por em prática. Senão é sempre mais do mesmo. Dizer que esta mal, criticar os outros e ficar de consciência tranquila porque ja se alrtou.

    • Eu colocava exames apenas para quem quer ir para o Ensino Superior. Apostaria numa maior fiscalização e penalizações pesadas para as escolas com desfasamentos muito grandes entre a classificação externa e a classificação interna, mas apenas a parte cognítiva (testes e afins).

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