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Se Os Deputados Fossem Meus Alunos, Quase Todos Teriam Falta Disciplinar! (Exemplos)

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É uma pouca vergonha a forma como os nossos deputados se comportam na Assembleia da República. Não respeitam quem tem a palavra, entram e saem do hemiciclo durante as intervenções, pintam as unhas, registam a presença sem estarem presentes, usam o telemóvel, etc. Alguns destes senhores, pela reincidência e gravidade das situações, até mereciam umas medidas corretivas ou sancionatórias.

O cúmulo é que os cidadãos que vão assistir ao plenário são vigiados como se criminosos fossem, enquanto que lá em baixo, a quantidade de maus exemplos é tão grande e tão evidente que até deve fazer corar as forças de segurança.

Ficam dois testemunhos de professoras que estiveram presentes no passado dia 16.

P.S – Professores, pensem bem se querem levar os vossos alunos a uma casa cheia de maus exemplos…


Tenho mesmo de falar.

Na terça-feira, dia 16, estive sentada nas galerias da Assembleia da República, para assistir à apreciação do Decreto-Lei n.º 36/2019 de 15 de Março, relacionado com os efeitos do congelamento ocorrido entre 2011 e 2017 na carreira docente. Levantei-me e saí como a maioria dos professores que lá se encontravam, quando aquele que se diz Ministro da Educação começou a papaguear falsidades. Ainda assim, no restante tempo, pude ver o que estava à mostra de todos. Estive, pela primeira vez, numa sessão de plenário e fiquei completamente estúpida com a atitude da maioria dos deputados no exercício das suas funções, pagos a peso de ouro (tendo em conta tudo o que recebem) por todos nós! A quantidade de cadeiras vazias numa tarde em que se falou, por exemplo, da violência doméstica é vergonhosa.

É completamente inacreditável, e não, não é igual a ver a transmissão no canal AR. Há de tudo, para todos os gostos: uma senhora deputada do ps, que chegou, sentou-se, foi ao seu telemóvel e aí passou vinte a trinta minutos. Entretanto, conversou algo com quem passou ou se sentou ao seu lado, depois fechou a sua sessão, pegou no seu casaco, nos papéis, na mala e sai, vai embora. Já tinha trabalhado…já tinha cumprido com as suas obrigações.

Uma outra senhora deputada, também do ps, que chegou pouco antes de ir falar, depois foi para o seu lugar e esteve no facebook, no computador da AR.

Houve um outro senhor deputado, igualmente do ps, que chegou já a sessão tinha começado, ou seja, chegou já perto da sua intervenção, falou e passado pouquíssimo tempo foi embora!

Um outro senhor deputado, desta feita do cds/pp, que esteve bastante tempo no seu telemóvel, por diversas vezes. Outros senhores deputados, agora do psd, que também utilizaram os seus telemóveis, inclusivamente para falar!, e/ou tablets pessoais.

Até determinada altura só na bancada parlamentar do pcp, be e verdes, ninguém tinha ido, no entanto, foi uma questão de tempo apenas! Entram quando querem e saem quando bem lhes apetece, enquanto a sessão plenária prossegue e outros deputados realizam as suas intervenções. Mas, assim como assim, praticamente ninguém está atento às intervenções…nem sequer das da sua cor política. No entanto, no fim é certo que batem palmas às da sua bancada parlamentar! Devem saber de memória o que os seus pares vão ler…seres extraordinários! Recordo que todas estas situações se passaram em horário de trabalho. Até me podem dizer que podem gerir os seus horários desta forma, mas estas atitudes e posturas ficam muito mal. Se a saberem que nas galerias estavam dezenas de professores e até esteve uma chefe de estado, a Presidente da Estónia, e não se coibiram de agir assim, o que será quando sabem que estão poucos ou ninguém?

Dia 16 tomei consciência que a nossa representatividade está podre. Nos partidos já não acreditava, mas ia mantendo a esperança em algumas pessoas…fiquei desesperançada. Poderão existir alguns que não estejam contaminados mas, por certo, depressa ficarão. A podridão alastra tal qual uma epidemia. Na Casa da Lei portuguesa poucos são os que pensam e defendem a causa pública…proliferam os sevandijas, os defensores acríticos das cartilhas partidárias e dos interesses actuais e/ou futuros, dos próprios e/ou de terceiros.

Não deixarei de votar, por respeito a tantos que lutaram para que este fosse um direito para todos, mas enquanto não (re)nascer a esperança, irei escrever no boletim de voto o que me aprouver no momento. Nas que se avizinham será “SOU PROFESSORA”.

Sandra igreja

Fonte: Iniciativa PARA UMA ORDEM DOS PROFESSORES


 

Um Dia no Circo… Perdão, na Assembleia da República

A minha primeira experiência na Assembleia foi traumatizante, confesso, e deveu-se a uma indignidade chamada PACC que me fez meter pés a caminho desde Amarante até Lisboa, num já longínquo dia de Dezembro de 2013, tutelava Crato o ministério, estava no poder a coligação PSD/CDS .

No passado dia 16, cumpri o meu segundo dia traumatizante, confesso, a acompanhar os “trabalhos” na/da Assembleia da República à conta da ILC e de novo o mesmo circo, tutela agora Tiago Brandão Rodrigues o ministério, está no poder a geringonça PS apoiada pelo BE e PCP.

Sobre o que assistimos, de cima, das galerias do povo, dou a palavra à professora Susana Dias, destacando o momento de protesto maior dos professores – O ministro começou a falar e nós, professores, começamos a abandonar o hemiciclo. Precisávamos de ar mais fresco e despoluído. Precisávamos de vincar um divórcio. Precisávamos de o informar, de novo, que jamais desistiremos do que é nosso por direito – 9 anos, 4 meses e 2 dias – foi tempo efectivamente trabalhado, é tempo que deverá ser contabilizado para a nossa carreira. Ponto!

“Ontem, saí da Assembleia da República com um sabor amargo na minha consciência. Presenciei uma intenção burlesca de debate sobre as várias propostas de contagem do serviço dos professores. O mais risível foi ver os deputados trocarem galhardetes quando nenhum dos partidos pode lavar as mãos sobre o roubo do nosso tempo de serviço. A certa altura parecia que assistíamos a um circo burlesco onde as bocas ostensivas, os esgares, as mãos levantadas, as risadas escarninhas demonstraram o tom de paródia que o tema tinha ganho! É pá, senti revolta e asco ao assistir aquela cena de tasca de esquina, mais ainda quando o imberbe do ministro da educação tomou a palavra! Que falta de respeito! E levantei-me e saí da galeria. Afinal, era do meu tempo de serviço que se riam, foi tempo que eu dei à escola que transformaram em esgrima intelectualmente desonesta! O ministro imberbe ainda teve coragem de insinuar que a nossa saída devia estar combinada com o PSD!! Mas por acaso pensa que sou/somos paus mandados? Servis de partidos ou ideologias?! Talvez andem [email protected] por aí, [email protected] talvez, mas há [email protected] que não hipotecam a sua liberdade intelectual a ninguém! Se for para hipotecar que a apólice seja de reconhecido mérito e dignidade! Se é desta forma que os deputados tratam os restantes assuntos de estado, vou ali e já venho! Desempenham muito mal o cargo para o qual lhe delegamos poder! Nas eleições, que nenhum professor esqueça o roubo do seu tempo de serviço!”

Nota – Pode ver aqui o filme dos acontecimentos contado pela RTP1, a partir do minuto 19.

Fonte: Anabela Magalhães

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11 COMENTÁRIOS

  1. Lamento que haja quem proponha que a resposta a dar a estes inqualificáveis comportamentos seja anular o voto. Não me parece sensato nem dignificante que, num grupo profissional supostamente informado e bem formado, haja quem faça campanha pela abstenção, ou pelo voto branco ou nulo. Será que já se interrogaram, seriamente, sobre a utilidade/ o resultado dessa opção? Está-me a parecer que uma disciplina, componente ou que quer que seja de introdução à política fez/faz muita falta no currículo de muitos. Como é que se pode atirar pedras aos outros quanto se tem telhados de vidro? «…M’ espanto às vezes , outras m’ avergonho …» (Sá de Miranda)

  2. Há, efectivamente, muito telemóvel e mais tablets e mais laptops e mais entradas e saídas e mais conversa do que seria normal.

    Mas fazendo um pouco o contraditório, também é preciso lembrar que há trabalho de preparação no exterior em comissões, debates na especialidade, contactos e uma multiplicidade de reuniões.

    Não vou tanto por este desânimo e estados de alma descritos nos textos publicados. São compreensíveis à flor da pele, mas não vou por aí por esta razão e por outras que agora não vou explicitar mas que se ligam a algo mais grave e que têm a ver com uma ajuda inconsciente a muito populismo que anda por aí.

    • Subscrevo.
      Sendo verdade que haverá desempenhos a evitar/melhorar, preocupa-me profundamente a leviandade com se que alimenta uma ideia que, levada ao extremo, põe em causa o próprio modelo democrático.
      Por outro lado, choca-me que, num grupo profissional que tem sido alvo de uma generalizada campanha de descredibilização, haja quem proceda com igual sanha (e, demasiadas vezes com inaceitável baixeza) contra outros.

    • O populismo ( crescente e aterrador) que anda por AQUI deve-se ao que se observa por AÍ. A descredibilização da casa da democracia é chacota geral.

  3. Ana:
    “Mas fazendo um pouco o contraditório, também é preciso lembrar que há trabalho de preparação no exterior em comissões, debates na especialidade, contactos e uma multiplicidade de reuniões.”
    Deixe-me ver se entendi: quando está numa reunião de grupo, sai para fazer um relatório; quando está em aula está a responder aos e-mails; quando está na reunião de departamento desloca-se para assinar a participação na RGP; quando está em reunião com pais pega no tlm para tratar de assuntos relacionados com a equipa da inclusão; quando está em reunião de conselho de turma costuma levar os testes para aí corrigir; …
    Desculpar estes indivíduos, particularmente estes que são um dos principais órgãos de poder do país… está tudo dito ! E, eu quero o tempo TODO a que tenho direito por ter TRABALHADO E CUMPRIDO COM AS MINHAS FUNÇÕES e AINDA O ORDENADO COM TODOS OS SUBSÍDIOS E SUBVENÇÕES que os meus impostos e congelamentos lhes pagam a eles.
    Como eu, muitos outros professores e portugueses teríamos tal direito, com absoluto mérito!!!

    • Não me parece de todo que o comentário da Ana seja no sentido de desculpabilizar os “indivíduos”, mas sim de ver, para além do óbvio, até onde a crítica, transformada em ataque exacerbado e cego, aos políticos>política pode levar.
      Quanto a comparações, nós, professores, costumamos ser muito reativos quando nos comparam com outros, sendo que, afinal, acabamos frequentemente por enfermar do mesmo mal. Mea culpa!
      Já sobre o elenco de exemplos que o JF dá, «algo vai mal no reino da Dinamarca», por isso, cala-te boca que já me basta a vergonha alheia.

      • “Quanto a comparações, nós, professores, costumamos ser muito reativos quando nos comparam com outros, sendo que, afinal, acabamos frequentemente por enfermar do mesmo mal. Mea culpa!”
        – Pode ser em parte sua… mas minha não é, e não é uma questão de falta de humildade ou de prepotência, que sou profundamente corporativista quando há ética e profissionalismo e já não tolero a indigência e o oportunismo que, desde logo, chamo a atenção e caso não resolva o assunto é remetido superiormente!
        Tenho é pena, como na generalidade da vida social, que muitos outros sejam passivos e na linha do “laissez faire – laisser passer”.

        “Já sobre o elenco de exemplos que o JF dá, «algo vai mal no reino da Dinamarca», por isso, cala-te boca que já me basta a vergonha alheia.” – Objectivamente não sei o que pretende dizer!

        a) Se com base nos exemplos citados – comparando a diversidade de funções que têm, genericamente, um deputado e um professor e consequentemente a falta de profissionalismo de um e de outro – acha que no “reino da Dinamarca” parlamentar é preciso “…ver, para além do óbvio…” mas no “reino da Dinamarca” escolar, já não será necessário “…ver para além do óbvio…” e de imediato: generaliza “…algo vai mal no reino da Dinamarca…” escolar, claro.
        a1) A generalização e a “leviandade com se que alimenta uma ideia que, levada ao extremo”, põe em causa (diria que neste caso, fez o que parece criticar) o comportamento profissional de uma classe (que não foi, no caso em apreço, obviamente, a classe política);
        a2) eventualmente, terá tido dificuldade em ultrapassar o concreto e analisar as possíveis situações no abstracto (pois que, pelo menos eu, não imagino…por exemplo: estar na aula a responder a e-mail´s, ou estar em reunião com os pais conversando ao telemóvel,… );
        a3) Passando ainda mais ao abstracto e procurando deduzir qualquer coisa: A ILC foi chumbada com os votos contra do ps , abstenção do pcp, psd, verdes e cds e a favor apenas BE e PAN – pressupondo que se interessa pela política, terá ouvido os muitos discursos anteriores, a sério que não consegue generalizar nada sobre o comportamento desta “nobre” classe: coerente, honesta, defensora da justiça e dos direitos??? – abstenções depois de tanto papaguear ??? – Pois eu deduzo e generalizo!
        a4) Também terá dificuldade em generalizar que “…algo vai mal no reino da Dinamarca…” parlamentar quando na comissão de transparência do parlamento a propósito, por exemplo, de incompatibilidades, os srs deputados (muitos trabalham – ou mantêm ligação profissional – em escritórios de advogados) decidem deixar estas situações fora das incompatibilidades? Pois eu deduzo e generalizo!
        a5) quando, por exemplo, com residência em Lisboa ou na sua proximidade recebem subsídios de deslocação, subsídios de viagens que não fazem ,…, e ainda não se deram ao trabalho de modificar os SEUS próprios estatutos (que apenas dependem deles) não acha que “…algo vai mal no reino da Dinamarca…” parlamentar? – Pois eu, deduzo e generalizo…

        “… por isso, cala-te boca que já me basta a vergonha alheia…” – A mim bastar-me-ia a própria!
        Já agora, claro que poderá colocar em causa sendo apenas a minha palavra… ainda assim, dir-lhe-ei que em 30 anos de ensino tudo o que fiz profissionalmente, não me envergonha em absoluto!

        Nota: as expressões colocadas entre aspas são suas

  4. Esqueci um pormenor: se fossem meus alunos os estavam todos na rua!!!

    São deputados da nação, infeliz e factualmente, não os posso colocar na rua …. mas com o meu voto não se voltarão a sentar lá!!!

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