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Se o ME não ceder até junho os professores não darão notas

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Terminou hoje a greve dos professores. Alguns dirão que foi um sucesso, outros dirão que foi assim assim (números dos sindicatos apontam para 70% e 75%). Julgo que foi a greve possível pela altura em que foi marcada, os professores estão cheios de trabalho e muitos a realizar avaliações que não podem ser adiadas. É claro que há sempre quem vá trabalhar e faça greve ao mesmo tempo, só que são muito poucos os que fazem um gesto tão altruísta.

E agora? O que fazemos???

Tirando a iniciativa que o ComRegras está a preparar, e que se calhar só virá a luz do dia no início do 3º período (há várias variantes que atrasam o processo), os sindicatos já avisaram que será feita uma grande manifestação. Espero efetivamente que sim, o Ministério da Educação e o Governo só cedem se os professores mostrarem o seu descontentamento em quantidade suficiente para chamar a atenção da comunicação social. Este Governo, bem como todos os outros, preocupam-se acima de tudo com a sua imagem, com os efeitos nefastos que qualquer luta mediática pode trazer. Eles sabem que os professores têm muito peso social e que podem causar estragos irrecuperáveis nas próximas legislativas. É por isso determinante que coloquemos as nossas diferenças de parte e nos juntemos às iniciativas sindicais, mesmo que discordemos da forma e do tom. Para o bem e para o mal, são eles os nossos representantes…

Posto isto, apresento publicamente a minha proposta e espero sinceramente, que os dirigentes sindicais a tomem em consideração, não por ser minha, mas por ser a opção de muitos professores e que foi visível na sondagem realizada pelo ComRegras.

Digam ao Ministério da Educação que, se não houver uma cedência efetiva das suas pretensões até antes do final do presente ano letivo, os professores não lançarão as classificações, pois será convocada uma greve às reuniões de avaliação que perdurará até ao final de julho, ou seja, até os professores entrarem de férias.

Vantagens:

A questão dos serviços mínimos não será colocada pois bastará um professor para adiar a reunião.

Os professores podem organizar-se, não sobrecarregando o mesmo ou compensando financeiramente quem adere à greve.

Financeiramente os professores praticamente não são afetados.

Os professores que optam por estar no mesmo barco mas nunca remam… não terão alternativa e terão de comparecer nas reuniões até que a situação fique resolvida, passando pelo desconforto de olhar olhos nos olhos quem se sacrifica por todos, inclusive por quem não rema…

Haveria tempo suficiente para alimentar a ideia, “plantando” nos professores essa estratégia, aumentando a pressão aos poucos sobre o Ministério da Educação, responsabilizando-o indiretamente por não conseguir chegar a um acordo que evite um descalabro no final do ano.

A transição dos alunos não se realiza, encravando todo o ano seguinte.

Os exames não podem ser realizados, pois não se sabe quais os alunos que estão admitidos a exame.

E os alunos?

Se os alunos, e já agora os pais, querem uma Educação melhor, devem entender que professores motivados são melhores professores e que professores dedicados são melhores professores. Convém lembrar que os jovens não querem ser professores, que o corpo docente está envelhecido e a carreira de professor já não tem o encanto de outros tempos… Além disso, a dedicação e motivação estão claramente comprometidas, pois os professores estão fartos de serem manipulados, desrespeitados e ainda por cima estão a assistir, mais uma vez, à utilização de argumentos falaciosos para manipular a opinião pública.

Estamos em Luta! Continuaremos em Luta! É preciso um 25 de abril na Educação…

Alexandre Henriques

17 COMMENTS

  1. Concordo plenamente. Uma luta deste modo teria muito mais impacto e adesão do que a greve desta semana e prejudicaria muito menos os docentes em termos monetários. Oxalá eles não se lembrem de arranjar uma espécie de “serviços mínimos” também para as faltas às reuniões.

    Convém relembrar várias vezes que a luta não é APENAS pela recuperação do tempo de serviço “roubado”. A APOSENTAÇÃO e a distinção entre componente letiva/não letiva também estão (deverão estar) nos assuntos imediatos a resolver e devem ser mencionados mais vezes. São tão ou mais importantes do que a recuperação pelas vagas que poderiam abrir para os mais novos.

    Constato que tanto a comunicação social como as redes sociais falam quase unicamente da recuperação do tempo de serviço, esquecendo os dois assuntos restantes. Será bom lembrar que os docentes mais “velhos”, (com 60 anos e mais de 40 anos de serviço) estão interessados na recuperação do tempo de serviço mas SONHAM com a aposentação. E olhem que ainda são alguns docentes nestas condições, como se confirmou na sondagem recente deste blogue.

  2. E as implicações de um professor (bastando só um como foi sugerido) não cumprir o seu dever de apresentar as propostas de nível ao CT para as reuniões? O CT não poderá avaliar com base nos 2 períodos anteriores? Creio que sim.. o professor não será sujeito a um processo disciplinar?

  3. Eu sugiro, durante uma semana ou duas, após as 17:30 (ou até um pouco antes, 16/17h, conforme o horário de cada um), cada um mete-se dentro do seu carro, e começa a circular nas ruas em redor dos aeroportos. Não necessita ser em marcha lenta. Até à hora de jantar. Com tanto carro na estrada, haverá tantos atrasos de passageiros, que os voos são afetados. O assunto, torna-se internacional, e o governo tem de agir…

  4. Eu apoio a greve às reuniões de avaliação do terceiro período, permitindo a rotatividade de professores em greve, mas o ministério deve inventar uma estratégia para dar à volta para boicotar.
    Apoio também que sejamos muito claros na mensagem para a opinião pública, porque o cidadão lá fora só sabe da contagem integral do tempo do congelamento.
    Por isso é que o Ministério anda a fazer a contra informação.

  5. Muito bem! Agora é que vamos ver se os sindicatos estão mesmo do nosso lado e se a nossa classe tem “classe”.

  6. Antes de falar do que não é possível, informem-se.
    Já em 2013 os sindicatos dos professores marcaram greve para um dia de exame nacional (17 de junho), o que causou muitas perturbações nas escolas e levou o Ministério a agendar nova data (2 de julho) para repetição daquela prova — a de Português.

    Esse episódio levou o Governo a fazer uma alteração à Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, publicada no verão de 2014. Passou a ficar previsto, no artigo 397.º, serviços mínimos “na Educação, no que concerne à realização de avaliações finais, de exames ou provas de caráter nacional que tenham de se realizar na mesma data em todo o território nacional”.

    • Não quer dizer que não se faça. Um sistema de rotatividade levaria a um adiamento significativo, além do impacto mediático. Mas como eu já estou por tudo, até gostava de ver o incumprimento destes serviços mínimos, como se fosse possível fazer processos disciplinares a centenas de professores, quiçá milhares, no momento em que a falta de meios na inspeção geral de educação é uma realidade. Podemos sempre optar pela manifestação e pela greve, mas já não chega, é preciso algo diferente e mediaticamente forte.

  7. Afinal, o que significa contar o tempo de serviço ‘congelado’? Se é para colocar o docente no escalão correspondente ao nº de anos de serviço que possui, então é sanada a discriminação negativa que agora existe entre gerações de docentes; se é para efeitos de aposentação, então não é resolvido aquilo que é direito de todos: ter a possibilidade de chegar aos escalões superiores. Mas as direções sindicais nunca contestaram o ECD na obrigatoriedade de obtenção de vaga para aceder ao 5º e 7º escalões, o que significa que implicitamente aceitam a elitização da carreira remuneratória, criando uma elite que pode chegar ao 7º a 10º escalões e a maioria ficar entre 1º e 6º escalões. Aliás, qualquer pessoa que inicie a carreira com o ECD atual, tem uma elevada probabilidade de terminar a carreira, no máximo, no 6º escalão, o que é castrador de expetativas legitimas. Portanto, se hipoteticamente surgir um milagre messiânico que devolva os tais 9 anos e coloque o docente no escalão correspondente ao nº de anos de serviço que possui, isso apenas é aplicado a um grupo de profs do quadro, deixando os mais novos à mercê das vagas, pelo que, é intrigante o motivo porque nenhum sindicato colocou em cima da mesa de negociação a eliminação da obrigatoriedade de obtenção de vaga para aceder ao 5º e 7º escalões…

  8. Alinho.
    O Ensino/ Educação urge mudanças a nível do investimento no Sistema Educativo para que haja mais qualidade e eficácia nas escolas:
    – redução do número de alunos por sala, aplicar o ensino por quotas o que implica a colocação de mais Professores, aparelhos nas salas da Unidade para os alunos com NEE, investimento na colocação de Professores para se aplicar a Coadjuvação, ou seja, mais investimento nesta área, que é um dos pilares da nação para que a mesma cresça mais enriquecida culturalmente.

  9. Há alguns anos este tipo de greve, foi feita e teve resultados surpreendentes. Fez-se uma escala de greve e criou-se um fundo de greve, que serviu para ajudar os mais penalizados. Juntos vencemos e somos fortes, divididos não valemos nada.
    A escolha tem que ser sempre de cada um de nós, mas também temos que nos responsabilizar por estas escolhas. Nada vale andar sempre a dizer mal de tudo e de todos, quando deixamos que decidam por nós.

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