Início Editorial “Se Deres Abaixo De 8 Tens De Justificar!” “Como Disse???”

“Se Deres Abaixo De 8 Tens De Justificar!” “Como Disse???”

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Existe uma barreira entre a pedagogia e a realidade.

A maior crítica que fazem aos professores “flexiveis”, é que vivem num mundo teórico e não conseguem compreender que a realidade não deveria permitir uma classificação superior ao desempenho de um aluno, só para não “traumatizar “a criança e ainda por cima por ser injusta para com aqueles que a mereceram.

Por outro lado, a maior crítica que fazem aos professores “inflexiveis”, é que a atribuição de uma classificação tão baixa “mata” o aluno de qualquer esperança de recuperação e a ideia não é “matar” ninguém, mas sim ajudar o aluno a recuperar.

Arrumemos já esta questão para depois passar à parte da justificação. O aluno não é uma pedra, o aluno é um ser emocional e percebe aquilo que lhe é dito e transmitido. A classificação do professor, é o resultado de critérios de avaliação, sim, mas é também uma mensagem e cada aluno analisa a mensagem da sua maneira e reage em conformidade. Uma classificação não pode ser apenas o resultado de uma folha de excel, é o resultado do desempenho do aluno, mas é também o que queremos que ele venha a ser. Não sou apologistas de 0 e 1 numa escala de 0 a 20, não vejo vantagem em fazê-lo, tirando naturalmente os casos dos alunos em situação de abandono escolar. Para os outros, ditos alunos “normais”, entre dar um 4 ou um 7 prefiro dar um 7, para isso é que lá estou e não sou apenas uma folha de excel que cospe uma nota e arruma a questão. Não se trata de receio de traumatizar o aluno, trata-se da necessidade de manter a possibilidade de recuperação,  mesmo que o aluno não a veja ou não a queira nesse momento. Afinal, o adulto sou eu e se o aluno não percebe, talvez com o passar dos meses alguma luz se acenda naquela cabeça. Chamem-lhe se quiserem uma questão de fé.

Depois temos a questão das médias, da avaliação contínua, do ponto de chegada e de partida. Só este parágrafo dava para outro artigo, mas vamos seguir em frente.

Sobre a questão da justificação.

Bem… Os professores são seres traumatizados! Levam “porrada” (alguns levam mesmo) de todo o lado: dos pais, dos diretores, dos alunos, do Ministério da Educação, estão sempre na berlinda e qualquer coisinha, pimba no professor. E isto acontece ano após ano. Logo é natural o levantar das defesas e encarar a justificação de nota como um duvidar do seu trabalho, do seu desempenho, do seu profissionalismo. Em alguns casos acredito que seja assim, mas noutros sei que não é. O perguntar a um professor o porquê de uma nota, é tão simplesmente o pedir de uma explicação, para que a direção e encarregados de educação percebam o que está a falhar com o intuito de colaborar no processo de recuperação do aluno.

Quando um diretor de turma pergunta “o que é que se passa com o aluno?”, não é duvidar do trabalho do colega,  é mostrar preocupação para com este para ficar a par do acontecimento.

Que lindas palavras Alexandre, pensarão vocês… E eu respondo. Não somos nós professores que continuamente acusamos direções e pais de estarmos sozinhos e de não sermos apoiados? Então qual é o problema em explicar uma nota atípica que indiretamente irá responsabilizar também as direções e os próprios encarregados de educação?

Uma coisa é pedir uma justificação de um 7 a um aluno que tem uma média de 10, outra coisa é pedir uma justificação a um aluno que passou de um 13 para um 7, ou tem uma média de 15 e um 7 lá no meio, a uma disciplina que até é semelhante com outra que tirou 16…

Cada caso é um caso e mal fazem as direções que obrigam a justificações com critérios cegos, transversais a toda a escola.

Há dias dei um 1 no ensino básico. Fiz questão de dizer que a classificação atribuída deveu-se ao facto do aluno não ter realizado uma única aula prática por falta de material. Deste modo o encarregado de educação ficará a saber o motivo e poderá (não vai fazer mas pronto) obrigar o seu filho a levar equipamento para a aula de Educação Física. Se nada dissesse até parecia que estava a pactuar com a situação.

Fiquei incomodado? Não. Alguém questionou o meu trabalho ou a minha competência? Também não. Eu não justifiquei, eu expliquei…

Existe uma clara diferença!

Alexandre Henriques

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Discordo Alexandre. Permita- me.
    Não foram os professores que criaram a escala de 1 a 20 (não se atribui 0, mesmo quando o aluno nada faz).
    Não foram os professores que criaram a obrigatoriedade de grelhas com atribuição de notas até às centésimas…
    Não é o professor que deve justificar-se por atribuir notas baixas.
    Antes, deve ser o aluno que se deve justificar por ter tido notas baixas.
    O 7 implica algum trabalho e esforço. O 2 ou o 3 não.
    A escala de 1 a 20 não se aplica a bebés coitadinhos, mas a crescidos, com mais de 14/15 anos.
    Isto faz-me lembrar um aluno que tive e que se auto-avaliava com 2 (básico), só porque vinha à escola frequentemente e até trazia os livros de vez em quando. Era um terror, que nada fazia e infernizava a vida de todos, as faltas disciplinares eram mais do que muitas. Tinha algum trauma? Não. Nós é que ficámos traumatizados. Tinha problemas psicológicos. Não, era simplesmente mau. Sim, porque também há maldade pura e simples, sem causas da treta.

    • Está a falar de um tipo de alunos que referi ao de leve no texto e que costumo rotular como os alunos em abandono presencial. Isso é outro nível.

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