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O que sai e não sai nos Exames deste ano

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Este artigo não vai ser uma fuga de informação para consequente processo disciplinar, será apenas uma dedução lógica das informações que estão disponíveis e que qualquer pessoa, mais ou menos atenta, entenderá facilmente.

Existem atualmente 236 escolas que aderiram ao projeto de Flexibilização Curricular, um projeto que todos sabemos está a ser acompanhado de perto pelas equipas do Ministério da Educação.

O Ministério da Educação, para evitar uma nova reforma curricular e reconhecendo o que os professores dizem há muito, optou por criar Aprendizagens Essenciais. Professores e alunos passam assim a usufruir de mais tempo para a implementação de projetos e outras metodologias de ensino, em dissonância clara com o ensino dito tradicional.  Esta nova reforma, que verdade seja dita não é novidade nenhuma, tem como principal suporte as… ora nem mais… Aprendizagens Essenciais.

É por isso natural que as escolas piloto estejam a cingir-se às Aprendizagens Essenciais. Mas essas escolas, como as restantes, terão de realizar exames e provas nacionais. O Ministério da Educação/IAVE, certamente que não vai optar por criar dois tipos de exames, um para as escolas piloto, outro para as restantes escolas. Seria um problema gigantesco, pondo em causa um pilar Constitucional como a equidade e todos sabemos que a pesada estrutura e logística dos exames é muito sensível à falta de equidade.

Por isso, caros professores e alunos, o Ministério da Educação e nomeadamente o IAVE, que apesar de ser um órgão independente, não é cego nem surdo… irá realizar exames e provas cingindo-se a conteúdos obrigatórios e não facultativos. E o que é obrigatório atualmente? Digam comigo… as Aprendizagens Essenciais.

Aliás, o próprio site da Direção Geral da Educação, refere por meias palavras o que acabei de dizer.

AE e Avaliação Externa das Aprendizagens

A avaliação externa das aprendizagens tem como referencial base as AE (Aprendizagens Essenciais). As provas e exames realizados no âmbito da avaliação externa devem ainda contemplar a avaliação da capacidade de mobilização e de integração dos saberes disciplinares, com especial enfoque nas áreas das competências inscritas no PA (Perfil do Aluno).

Para quem ainda não conhece, ficam os links para as Aprendizagens Essenciais

AE | 1.º ciclo do ensino básico geral
AE | 2.º ciclo do ensino básico geral
AE | 3.º ciclo do ensino básico geral
AE | Ensino Secundário – Cursos Científico-Humanísticos

 

14 COMMENTS

  1. Considerando que a experiência piloto está apenas a decorrer nos anos iniciais de ciclo, não contemplando o 9º ano nem o 11º, parece-me, salvo melhor opinião, que no corrente ano, os anos sujeitos a exame não estão abrangidos pelas Aprendizagens Essenciais. Ou estarei a ver mal?

        • Se o ME já disse o que é essencial, faz sentido fazer exames de algo que não é essencial? Lembro que as aprendizagens essenciais são currículo obrigatório. Há escolas que estão a incentivar ou outros anos a avançar já com a flexibilização.

          • Engraçado… o que conheço é que os professores acham tudo um fracasso e o dr. Rio , deixá-lo estar onde está, até já disse que voltava tudo para trás… O costume…
            No meu Agrupamento não há flexibilização, mas , pelo que falo com os colegas , e com a direção, e com os pais, a oposição ao suposto experimentalismo inovador será forte!

          • Sim Afonso. E a sondagem que fiz mostra uma forte oposição e concordo com muitos dos motivos invocados. Falta de condições, poucas garantias que a aprendizagem seja eficiente, e nenhumas garantias que esta reforma seja para ficar. Mas continuo a dizer que a ideia é boa, precisa é de tempo para maturar e optimizá-la tendo como base a prática e a opinião dos envolvidos.

  2. É uma grande trapalhada… Ainda pode piorar, bem sei… é assim quando se navega à vista e não se tem coragem política!

  3. ”Escolas não mexem nos currículos com medo dos exames”
    Diretores e pais desejam mudanças nas metodologias em sala de aula e um novo regime de acesso ao Ensino Superior para libertar o Secundário e melhorar as aprendizagens dos alunos

    O medo é assumido. A maioria das escolas que aderiram ao projeto-piloto de autonomia e flexibilidade curricular – que arrancou este ano letivo em 223 escolas – optaram por não aprovar planos para turmas do 10.º ano de cursos científico-humanísticos. A razão é simples, assumem os diretores ouvidos pelo JN: “Medo dos exames nacionais”. E alertam: se o Ministério da Educação não resolver o “dilema” entre os dois métodos de ensino, este receio pode revelar-se um obstáculo à generalização do projeto.”
    FONTE ” Jornal de Notícias”.
    Pois , pois, somos muito modernos e tal… mas, como os alunos podem não saber ”patavina” do que deviam a nossa coragem inovadora acaba quando há uma prova nacional… Esta reação, que eu já previa, e escrevi-o, era previsível não augura nada de bom para o futuro… A flexibilidade é muito, muito boa, mas testar conhecimentos dos alunos não!… Ora eu não preciso de mais nada para adivinhar a verdadeira catástrofe que se adivinha na Escola Pública… É claro que os mais prejudicados serão os alunos com menores recursos, porque os outros encontrarão sempre o seu caminho…
    Assinalo , com particular desencanto, a notícia do JN que toma por verdade um ”achismo” que é o facto dos diretores e pais estarem a favor da Flexibilidade… Isto não passa de propaganda… Mais grave: NEM UMA PALAVRA PARA SABER SE OS PROFESSORES CONCORDAM OU NÃO!
    Questões de currículo , agora, são tratadas por pais? Encarregados de Educação ? Eu sou pai de dois alunos e sou contra! Eu sou professor e sou contra! O diretor do meu agrupamento é contra!
    Uma manipulação completa das notícias! Uma vergonha!

    • 236 escolas para um projeto piloto quando só se pedia 50 e achas mesmo que os diretores estão contra? Muitos não aderiram exatamente por terem medo dos exames e por não acreditarem que esta reforma é A REFORMA!

  4. O que existiu por esse país fora foi uma imposição dos diretores sem que , em muitos dos casos, consultar os professores. São os professores que aplicam as reformas. Infelizmente, com a legislação atual, os docentes são, na maioria das vezes, uma carta fora do baralho…
    Eu não disse que os diretores estavam contra… o que digo é que não há um número sobre os que estão contra, ou a favor… Essa da adesão dos Agrupamentos não me diz nada sobre a bondade do projeto, ou até da concordância dos próprios diretores… Reforço que os mesmos que aplaudiam a disciplinarização do ensino de Crato foram os primeiros a aderir à flexibilidade… O que permitiu a atual legislação foi isto: autonomia nula das escolas e com um conjunto bem alinhado de dirigentes que surfam, sempre, a onda do Ministério! Não há ideias sobre currículo, não há norte pedagógico, há é obediência… Tudo o resto é conversa fiada e muita, muita excelência , espalhada de norte a sul do país…
    Se um dia o dr. Rio se instalar no poder, e reverter o que o consultor da OCDE, Dr. João Costa, engendrou, serão os mesmos diretores a alinhar o azimute…
    Se não fossem os professores a aguentar , com ponderação, os dislates que têm sido praticados há muito que o sistema tinha colapsado! Mas alguém acredita que um indivíduo, numa instituição como é a Escola Pública, é que dita os resultados dessa Escola? Essa é uma ilusão onírica que alguns, por falta de perspetiva, alimentam… Se os professores tiverem direções que os respeitam e , já agora, que os ouvem , já não estão muito mal…
    Estou certo que serão mais uma vez os professores, como sempre foram, a manter o equilíbrio em experiências pedagógicas que não trazem nada de novo à Escola Pública e contribuirão para um nivelamento, por baixo, dos conhecimentos…
    O que noto, mais uma vez, é que o atual Ministério da Educação tem pouco respeito pelos professores ao impor reformas sem os consultar! Se têm verdadeiramente coragem obriguem os diretoes a aprovar em Departamento o Projeto de Flexibilidade Curricular, mais, peçam aos Departamentos que elaborem os Projetos! Mais coragem ainda, a verdadeira coragem: mudem os currículos, não façam pseudo-reformas , denominadas de aprendizagens essenciais; mudem o processo de eleição dos diretores. Tudo o que fizerem sem isto é fumaça e trabalhar para a estatística!

    • Lembras-te das críticas das mudanças de currículo? O que seria se este ME mudasse novamente os currículos? Seria criticado por mais uma mudança e pela cedência ao Lóbi das editoras.
      Sobre os diretores, cada um responderá por si, mas não acho que a maioria seja lambe-botas, alguns até podem ser, mas 200…
      Quanto aos professores, subscrevo.
      PS- ainda bem que por cá andas Afonso, és dos poucos que assume uma posição e que dá gosto debater. Já te convidei e renovo o convite. Escreve artigos para publicação no Comregras, fazia bem a esta casa ter alguém com uma linha de pensamento diferente da minha.
      Sou um forte apologista da liberdade e do debate.

  5. Aconselho a leitura atenta do último artigo do Prof. Santana Castilho que diz tudo o que eu poderia dizer , com o talento que não tenho:
    Quando a OCDE se presta a animar festas – Santana Castilho

  6. Do artigo do Dr. Santana Castilho permito-me citar uma passagem particularmente significativa:
    ” Não é nova a acção do Governo para tomar a OCDE por fiadora das suas políticas, como não é de agora o meu repúdio pela promiscuidade, que se repete, entre governantes e uma organização que defende e depende de interesses económicos, que não educacionais, e se presta a favorecer e legitimar políticas que acabam impostas aos actores nacionais. Com efeito, já em Fevereiro de 2009, um grupo de peritos de relevantes currículos, da OCDE, veio a Lisboa validar as políticas educativas do PS. Principescamente pagos, produziram um relatório cujas fontes documentais eram todas do Ministério da Educação. Só falaram com quadros do Ministério da Educação ou apoiantes do Governo. Havendo milhares de páginas publicadas na altura, de oposição às políticas de Sócrates, nem uma só mereceu a atenção dos ilustres peritos. Nem mesmo textos dissonantes, com origem na Assembleia da República, no Conselho Nacional da Educação, em associações científicas ou profissionais lograram ser considerados. Se os protagonistas e a cultura não mudaram, porque mudariam as práticas?”

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