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Sabe O Que As Crianças E Jovens Pensam Sobre Covid-19?: Uma Visão Diferente

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Já ultrapassámos a fase de emergência, de confinamento obrigatório, mas transmitiu-se às crianças e jovens uma noção certa ou errada do que se passa. Se é certa porque continuam a ultrapassar os limites que são colocados? Será pelo exemplo que vem de muito de cima? Se é errada será pelo medo exagerado que lhe incutimos?

Facto é que os nossos filhos, crianças, jovens, alunos, jamais serão os mesmos, depois desta educação forçada sobre algo invisível, que lhes condicionou a vida.

Será que basta ensinar as crianças e jovens que devem usar máscara ou evitar tocar no que quer que seja quando saem de casa? E que assim que o fizerem terão que desinfetar as mãos?

Já ouviu o que a criança ou jovem pensa sobre tudo isto? Não é de todo o que um adulto pensa. E mesmo um adulto jamais pensa igual a outro. Caso contrário teríamos o mundo a remar todo para o mesmo lado, e não é isso que se verifica. Os casos de infeção mantêm-se ou continuam a aumentar e fazemos de conta que está tudo bem para que a economia avance. É verdade, jamais podemos negar que se pode alimentar o ser humano de ar (neste caso nem isso se coloca pois pode estar infetado).

É verdade que muitos perderam o emprego e é verdade que deveria haver uma capacidade de interajuda e compaixão. Mas quando um jovem que está na fase da vida das grandes causas diz que jamais consegue ter compaixão pelo próximo quando se confina e os outros mantêm atitudes irresponsáveis? Ficamos aquém da resposta.

Pois… também pensaria o mesmo se me deparasse na minha plena adolescência com uma prisão forçada onde não há igualdade. Para uns está tudo bem e para outros assim-assim. Deixa muito a desejar tudo o que se propõe de regras. E verdade seja dita é quase impossível controlar, se é que a palavra aqui se aplica, uma população com diferentes características para remar para o mesmo lado.

Professores, quer as aulas sejam on-line, presenciais ou b-learning vão deparar-se com circunstâncias pelas quais nunca passaram, assim como já aconteceu. Os vossos alunos quando regressarem jamais serão os mesmos. Pensem nisto. E vocês terão que procurar respostas que nem para vocês têm para dar a vós mesmos ou à vossa família. Ninguém tem.

Questões como porque é que os outros fazem e não me deixam fazer? Ou porque é que isto tinha que acontecer na minha geração? Ou ainda, como posso respeitar o próximo se o mesmo não me respeita?

As respostas são quase impossíveis, mas educação é mesmo isto. É não ter respostas e saber procurar no nosso saber de vida o que transmitir. Estão preparados para isto? Eu não estou. Ninguém está. A questão é que vocês vão passar mais tempo com os alunos do que os próprios pais, mesmo que online e é muito importante que comecem a questionar isto e tudo o que vai na cabeça de uma criança ou jovem. Isto também porque muitas vezes vocês são os cúmplices que os pais jamais podem ser. Neste caso é impossível usar a expressão “é o que é”. Temos que ter respostas, soluções, formas de os tornar úteis e que sintam que a sua vivência está a ser a melhor.

Fechá-los em casa é neste momento uma solução cuja capacidade se esgotou porque é muito tempo. Deixá-los sair é uma incógnita. Dar o exemplo torna-se quase claustrofóbico. O que fazer então? Escutar o que têm para dizer. Deixá-los desabafar, mesmo que aquilo que digam nos pareça disparatado, se pensarmos bem será tão louco como o pensamento de um adulto. A diferença entre o jovem e o adulto passa muito pela experiência. Nós achamos que temos e eles acham que já têm. A verdade é que estamos tão imaturos como no dia em que nascemos, porque as experiências vão sendo sempre novas e por isso é sempre a primeira vez.

Quando recomeçarem as aulas talvez pudessem deixar um puco de espaço à opinião, para evitarem espartilhar as crianças e jovens e terem-vos como um aliado nesta fase tão importante da vida e desenvolvimento deles.

Escutem, coloquem questões sobre possíveis soluções para o desafio que vivenciam. Nos caso dos mais novos para além da palavra a expressão pelo desenho funciona bem e podem pedir-lhes para desenhar a situação atual ou até aquilo que sentem que são perante a situação atual. Utilizem as vossas matérias escolares para trabalharem tudo isto. Já sei que estou de fora, mas acompanho muitos jovens e crianças e escutar a sua opinião transforma-nos a visão do mundo. Dá-nos ideias. Renova-nos.

Peçam-lhes para apontar pontos positivos e pontos a mudar nesta fase. Como poderiam ter feito melhor que outro. Como se sentiriam mais confortáveis no tratamento que receberam. E claro as vivências associadas a tudo isto, porque a vida é imparável e mesmo numa circunstância como esta, ela continua.

Professores, vocês são o gatilho da transformação, aproveitem esse vosso lugar para ajudar um a um os vossos alunos e que cada um ajude outro, tornando tudo isto numa “cadeia de interajuda”, onde a base é recordar que somos seres compassivos apesar de tudo.

Vera Silva

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