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Reunião de Departamento – “Então o que acham dos resultados do 2º período?”.

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Ponto de interrogaçãoQuem anda na escola sabe que no início do 2º e 3º período, são apresentadas as estatísticas dos resultados obtidos e os professores são chamados a justificar/opinar sobre os ditos. Todos sabemos que depois de um longo dia de trabalho, ficar na escola a cumprir horário extraordinário não remunerado, para analisar tabelas e gráficos, justificando resultados de meninos mal educados e de famílias que não querem saber “puto” da escola, chateia qualquer um, contaminando a mais pura das boas intenções…

As justificações apresentadas costumam rondar os muito conhecidos lugares comuns:

 – falta de pré-requisitos;

– falta de estudo;

–  não realização de tarefas;

– falta de material;

– falta de assiduidade;

– indisciplina;

– indisciplina;

– indisciplina…

O Manuel Cabeça, colaborador desta casa, escreveu um artigo no seu blogue, coisas das aulas que vai contra a entediante e previsível concordância dos lugares comuns, além de desafiar-se a si mesmo, Diretor de Turma, para um 3º período que não se avizinha fácil.

Confesso que estou um pouco cansado da rotina das reuniões de faz de conta departamento, que mais não são que terapias de grupo encapotadas, ou locais de propaganda para quem nunca se engana, nunca tem dúvidas e os outros que tal. Mas isto pode ser só o meu mau feitio a falar…

Fica o artigo do Manuel

 

propostas

 

assim como quem não quer moer muito perguntaram-me, e a todos os outros do departamento, o que tinha a dizer sobre os resultados de 2º período;

em termos de síntese respondi assim:

perante o que considero tão maus resultados certamente que as causas serão diversificadas e por vezes imbricadas umas nas outras, sem se perceber onde começa ou acaba uma ou outra; 

percebo que não queiram culpar os que estão para trás, os tais pré requisitos, mas que estão em falta estão, mas só isso não chega;
percebo que queiram dizer que os pais não cumprem as suas obrigações, mas não creio que seja só, mas que, vendo os pais da minha DT que se sentem desamparados e algo desorientados, é verdade; 
acredito que uns quantos pensem que os senhores professores precisem de alterar lógicas, dinâmicas e práticas, mas será suficiente? o que faz um ou outro mudar quando um CT tem 12?
podemos dizer que as políticas educativas são o que são, mas serão causa plausível para os maus resultados de um contexto? afinal ali no concelho vizinho os resultados são outros e as políticas as mesmas!!!
formas de contrariar maus resultados?
do 2º para o terceiro período não tenho, a não ser apoiar os alunos da minha direção de turma, apoiar os pais/encarregados de educação e moer a cabeça aos colegas do conselho de turma para que possam entender o processo educativo em função do ciclo (3º) e não do ano, que não valerá a pena moer quem já está mais que moído, direi que migado pela escola e pelo processo de escolarização; 
como apoiar quem já desistiu há muito e por isso mesmo tem os resultados que tem? como criar expetativas a quem houve quotidiana e regularmente que já não há nada a fazer? como ajudar a sonhar quem só tem pesadelos?
melhorar resultados no médio prazo (ou mesmo no longo) direi o óbvio, apostar em estratégias de leitura, de escrita, de reflexão e análise desde o pré escolar; 
definam-se entendimentos sobre o que fazer a alunos que nada querem fazer – justificar-se-á a sua reprovação? que níveis de rigor e exigência poderão ser justificados neste nível de ensino? como poderá a escola (e os professores) ajudar à construção do papel da escola e da formação na vida e na lógica destas crianças? 
era uma boa ideia ajudar os docentes a implementarem em algumas turmas do ensino regular as estratégias dos vocacionais – maior flexibilidade nos critérios de avaliação, diversificação de instrumentos de avaliação, estratégias de apoio, estratégias de recuperação de aulas e/ou de resultados, p.e, 
direi que é conversa politicamente correta e pedagogicamente inócua; alguém fará alguma coisa? sinceramente tenho dúvidas há o sistema para culpar, há os outros para culpar, e, enquanto procuramos culpados, enterramos sonhos e vontades;
Manuel Cabeça

 

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