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Resultados do 1º período e a pandemia.

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O tema dominante nestes dias é sem dúvida a questão do fecho de parte das escolas a partir do 3º ciclo, onde parece haver divisão no governo, entre a equipa económica e da educação e a saúde do que fazer a partir da faixa etária dos 12 anos. Sou a favor de um regime misto a partir do 3º ciclo, depois de ler uma série de artigos científicos em que conclui que não se pode descartar a transmissão através da escola, mas com rastreio do vírus periodicamente. O ministro da educação como não criou condições para o ensino não presencial, que exige disponibilidade de meios informáticos – estão ainda em distribuição para os alunos e nada foi feito para o trabalho dos professores -, defende o ensino presencial e desculpa-se com a DGS, para as suas falhas passarem despercebidas.

Gostaria de salientar e centrar-me agora em algumas das conclusões da análise dos resultados do 1º período, na perspetiva de estudo de caso. Nota-se este ano no ensino básico um aumento de avaliações ao comportamento das turmas de satisfaz pouco, o que parece traduzir uma reação dos alunos à redução dos intervalos e à sua duração. Os mais novos têm dificuldades de adaptação ao novo normal.

Pelo contrário, no ensino secundário, nota-se uma maior compreensão da nova normalidade e o reconhecimento do gosto de voltar à escola, mesmo com as atuais limitações. Mas a atitude face ao estudar com empenho aparece mais esbatida com base numa expetativa de maior facilitismo, quer pelas condições adversas do funcionamento das aulas com alunos presenciais e alunos não presenciais, quer pela expetativa de só se fazer exame nas disciplinas necessárias ao prosseguimento de estudos, ainda não confirmada, e, ainda, pelo que aconteceu o ano passado em que as notas nos exames aumentaram com as opções criadas a nível das questões de resposta múltipla, esquecendo-se que o aumento das notas de exame também aumentou as notas de acesso às universidades.

Por entre os professores há quem defenda a predominância do perfil do aluno sobre a avaliação externa, defendendo que a avaliação interna se deve desligar da avaliação externa e portanto os testes devem perder a estrutura mimética em relação aos exames, ou seja, a discrepância nota interna versus nota externa não deve ter um papel central na avaliação do desempenho das escolas. Temos de reconhecer que este é o modelo admitido de forma ambígua pela atual equipa da educação, sem coragem de separar as águas com clareza, com a predominância do perfil do aluno na avaliação interna, deixando o acesso ao ensino superior fora do ensino secundário, o que ainda não acontece. Mas esta ambiguidade só cria incerteza e pressão para o facilitismo, que arrasta alguns professores e muitos alunos, com prejuízo para os últimos. Há urgência em haver clarificação para bem dos alunos.

Concluindo, sobre o covid, faz sentido passar o ensino a partir do 3º ciclo pelo menos a regime misto e com rastreio da população escolar periódico. Nota-se uma maior dificuldade de adaptação dos mais novos com comportamentos menos satisfatórios em muitas turmas e os mais velhos dos discentes a reconhecer o papel central da escola. O lado negativo nestes alunos mais velhos está num menor empenho no esforço de estudar incentivada por alguns professores que apoiando-se na ambiguidade do governo procuram dar predominância à avaliação interna em prejuízo da avaliação externa.

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