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Resultados das Sondagens sobre os Exames Nacionais e o novo Ministro da Educação

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Nesta semana, além da sondagem habitual que abordou os exames nacionais e que como de costume terá a análise de Paulo Guinote, foi também realizada uma sondagem sobre a nomeação do novo Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues. Ambas as votações foram claramente acima do habitual com 1739 votos e 1863 respetivamente, perfazendo um total de 3602 votos numa única semana. Obrigado pela vossa colaboração 😉

Seguindo uma ordem cronológica…

Exames

 

Heterodoxias sobre os Exames no Ensino Básico

Paulo GuinoteAs provas finais do 4º ano – “exames” para quem prefere facilitar na terminologia para simplificar argumentações – tiveram na 6ª feira passada o seu óbito parlamentar. Não se percebe bem se desaparecendo qualquer tipo de prova, se regressando as provas de aferição criadas pelo PS no fim dos anos 90 do século XX. Em suspenso ficam as provas finais de 6º e 9º ano.

Não é de agora que acho que este tipo de provas no Ensino Básico – com um peso de 30% na classificação final – estão longe de corresponder a um conceito de “examocracia” ou de se destinarem a chumbar alunos e tudo isso que se tem muito falado. Mas não tenho uma posição fundamentalista sobre ao assunto. Acho é que as provas finais nem sempre têm sido realizadas com a devida harmonização com o resto do trabalho nas escolas e tem servido para, até há bem pouco tempo, produzir rankings tão simplistas quanto as críticas que lhes são feitas.

Vou resumir aqui apenas quatro pontos do que penso sobre o assunto, sem esgotar minimamente o tema, e alinhavar o que julgo ser uma posição coerente mesmo se discordante da minha.

Primeiro ponto: no presente estado do nosso percurso educacional e numa sociedade que quer tanto sucesso quanto é desculpabilizadora do erro em causa própria, é importante que sejam feitas avaliações externas do desempenho dos alunos por forma a ter uma noção geral desse mesmo desempenho. Mas avaliações externas que sejam levadas a sério e não encaradas como uma formalidade a cumprir sem especial brio pelos alunos ou permeáveis a práticas de oportuna falta de assiduidade sem consequências, como acontecia com as provas de aferição. Os chamados “testes intermédios” poderiam ser uma alternativa se – de novo – fossem efectivamente levados a sério.

Segundo ponto: as provas finais são mais traumatizantes para os adultos do que para a miudagem que, na maior parte dos casos, fica mais ansiosa pelo que percepciona em pais e professores do que por qualquer outra razão. Se for uma prova desportiva, já muitos dos que criticam a pressão dos exames não terão rebuço em pressionar as crianças e jovens para ganhar a todo o custo. Do mesmo modo, é um erro tremendo planear todo um ciclo de escolaridade a pensar numa prova final e só faz isso quem tem da sua prática pedagógica uma visão muito instrumental e secundária.

Terceiro ponto: um sistema de exames ou provas finais não deve ser um pretexto para a criação de um circo mediático ou um “mercado” comercial de materiais editoriais à custa da ansiedade dos adultos. Parecendo que não, este ponto tem mais importância do que pode parecer.

Quarto ponto: enquanto aluno que só fez exame no 12º ano, fartei-me de ver colegas meus, quase turmas inteiras, serem dizimados por chumbos em massa na segunda metade dos anos 70 e início dos anos 80, sem necessidade de quaisquer exames. Leccionando no mesmo concelho onde fui aluno, verifico que agora a percentagem de insucesso com provas finais é praticamente semelhante à do sucesso sem provas finais nos meus tempos de aluno, pelo que não colhe aquele argumento que afirma que tendemos a querer replicar aquilo por que passámos. Errado. Vejo as pautas e a média de reprovações anda nos 3-4 alunos, praticamente os mesmos que passaram há 35 anos quando fiz o meu 9º ano. Afirmar que as provas finais aumentam o insucesso, sem contextualizar o alegado facto, só diminui a credibilidade do argumento.

Dito isto… não me choca absolutamente nada que exista quem considere que o percurso no Ensino Básico se deva fazer sem qualquer tipo de avaliação externa. Mas, nesse caso, não acho que se devam eliminar apenas as provas no 4º ano, mas todas até ao 9º e talvez mesmo essas, já que a escolaridade passou para 12 anos. Não seria a minha primeira posição, mas respeito quem, de forma coerente, assuma uma espécie de fast lane no Ensino Básico. Aliás, respeito mais isso do que criar vias alternativas de segunda ordem como o ensino vocacional, em que se varrem das pautas “regulares” os alunos “indesejáveis” que indiciam insucesso e assim não estragam as médias. Mas então que se assuma claramente este tipo de opção, em que os alunos vão transitando salvo situações excepcionalmente excepcionais, só que dando a “outra parte” que acarreta este modelo em países que o levam a sério… criando condições apropriadas para que se ajustem currículos e apoios aos diversos perfis dos alunos e se dê autonomia pedagógica, curricular e de organização dos horários às escolas e professores.

Não fiquemos a meio da ponte.

Ahhh… e já agora… acabe-se com a obrigatoriedade dos exames made in Cambridge, esse outro nicho de negócio criado nos últimos anos. Que se torne facultativo e, já agora, que até se possam introduzir outros exames desse tipo para outras disciplinas, mas em regime de voluntariado. Exames made in MIT, fait à Paris-Sorbonne und so weiter.

Se é para reformarmos, que não fiquemos por remendos e tenhamos coragem de levar as nossas ideias até às suas últimas consequências. Não é aquilo que acredito ser o melhor, mas estou aberto a ver se funciona, desde que se garantam mecanismos de monitorização e avaliação das políticas a médio prazo. Não façamos como é habitual… produzir reformas enxertadas e depois quem está nas escolas que se amanhe, que passe por facilitista, e a responsabilização política que fique virgem e solteira à espera do primeiro mártir.

 Paulo Guinote

E agora os resultados da sondagem ao novo Ministro da Educação.

 

Novo Ministro

Tiago Rodrigues é um desconhecido no mundo educativo e os resultados da sondagem provam exatamente que as pessoas estão na expectativa quando ao seu desempenho. As suas primeiras ações vão ser determinantes para moldar a opinião dos quase 60% de votantes que estão em dúvida quando ao seu valor. Se me permite Sr. Ministro, eu apostaria num discurso que visasse a importância do corpo docente, com a apresentação de algumas medidas que fossem ao encontro da vontade dos mesmos. Por muito que se diga que a educação é para os alunos e é a mais pura das verdades, o principal veículo de transmissão para essa educação são os professores e quanto mais motivados tiverem estes, melhor será o resultado final – o sucesso dos alunos.

 

3 COMMENTS

  1. colocar alguém sem experiência de docência nos vários ciclos de aprendizagem e ainda afastado do país há algum tempo. Acho arriscado e não me merece confiança, porém, importa-me é as suas decisões. Pode ser que venha a ser surpreendente, ou não.
    O futuro o dirá, é pena não haver avaliações aos governos nos seus mandatos. Ahh claro, existe o presidente da republica. Já se viu o que deu um da mesma cor politica que o governo. Ditadura! Por esta razão, as eleições presidenciais são fulcrais. Não podemos permitir as ditaduras. Pois por mais independente que os presidentes afirmem e declarem que o sejam, viu-se…
    Ora Maria de Belém é do PS e temos apenas dois que não estão ligados a partidos; Morais e da Nóvoa. Escolha-se o que se pretende.
    Se não souber, não se vota ou se abstém. E o voto em branco é legitimo como qualquer outro voto, pois considero-o de duas formas, desconhece-se qual a melhor alternativa e ou como contestação.

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