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Resultados da sondagem semanal com análise exclusiva de Paulo Guinote.

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Ficam os resultados e a estreia de Paulo Guinote no ComRegras.

Qual o período escolar em que costuma ter mais problemas disciplinares?

Período do ano em que ocorre mais indisciplina

A análise por Paulo Guinote

Paulo GuinoteA questão da indisciplina tem traços comuns e transversais a todos os ciclos de escolaridade e tipo de aulas. Mas, também contém aspectos específicos ao 1º ciclo (no qual os alunos estão, em regra, todo o dia com o mesmo professor e na mesma sala) ou aos restantes (em que eles “atravessam” várias disciplinas e espaços), assim como a cada modelo de aula ou disciplina (sendo diferente o que perturba uma aula teórica de História ou Geografia, de uma aula experimental de Ciências ou prática de Educação Física). Pelo que seria muito importante estudar todas essas tonalidades da indisciplina, conjugando o olhar de alunos e professores sobre o que se passa e que, para cada participante, torna uma aula menos funcional e explica os comportamentos disruptivos.

Do mesmo modo, a indisciplina tem ritmos ao longo do ano, mesmo se nem sempre segue um padrão facilmente identificável, como responde a maioria dos inquiridos nesta sondagem (perto de 38%). O primeiro período, em especial quando se verifica o encontro entre professor(a) e turmas novas, ou mesmo um reencontro, é sempre mais propício a situações de fricção, pois esse conhecimento nem sempre é imediato e a adaptação nem sempre é fácil. Também é durante esse período em que os alunos mais desafiadores testam os limites do possível e em que se estabelecem as bases de trabalho para o resto do ano. Até há alguns anos, em especial no Ensino Secundário ou no Básico com alunos acima dos 15 anos, era nos primeiros meses do ano lectivo que alguns alunos “desapareciam” das aulas, por desistência ou negligência familiar, por estarem fora da escolaridade obrigatória. Com a extensão desta para 12 anos, esse fenómeno reduziu-se de alguma forma, mas é visível que é no 1º período que se sentem ainda mais problemas disciplinares. Dependendo da extensão de cada período, o segundo pode ser de grande desgaste no final, verificando-se não apenas fenómenos de perturbação motivados pelo cansaço de todos os envolvidos como, pelo que observo, maior irritabilidade, o que também pode acontecer no terceiro, com a sobreposição de muitas actividades e mesmo as provas finais de ciclo ou exames.

A forma de lidar com estes fenómenos é múltipla, não sendo aconselhável acreditar em fórmulas mágicas de resolução, sem um conhecimento específico de cada contexto, desde o escolar ao da sala de aula de cada professor/turma. Pode ser a dimensão da turma, a sua heterogeneidade ou, pelo contrário, o seu já anterior conhecimento, a fomentar a indisciplina. Bem como a personalidade da docente e a sua capacidade de gestão de potenciais conflitos, pode ser um factor de dissuasão ou, pelo contrário, de escalada de confrontos nas aulas, quantas vezes em virtude de situações de burnout pessoal e profissional. Mas, apesar de múltiplas causas e eventuais estratégias, há algo que me parece essencial e que é o diagnóstico precoce dos casos individuais de comportamentos disruptivos dos alunos, no sentido de gerar soluções rápidas, de preferência com a colaboração dos próprios alunos e famílias (o que quantas vezes é um dos maiores problemas), e o apoio de proximidade aos professores envolvidos, ao nível dos Conselhos de Turma e dos órgãos de gestão. Assim como é decisivo que quem precisa de ajuda, não se sinta inferiorizado por o fazer e não opte por ocultar o que se passa, com receio de comentários exteriores ou de menor apoio dos referidos órgãos de gestão ou de chefia intermédia. É ainda indispensável que existam na escola meios humanos e espaços com disponibilidade para ajudar a gerir tais situações, nomeadamente ao nível dos serviços de psicologia escolar, de tutorias que não se limitem a um tempo lectivo semanal ou actividades extra-lectivas que possam servir como um pólo de interesse e atracção para os alunos perturbadores, funcionando a sua frequência como estímulo positivo para a alteração de comportamentos.

Nada disto é novo, sinto-me a repetir evidências, mas a verdade é que o problema persiste e há que saber identificar o que funciona caso a caso, aula a aula, escola a escola. Estudando a realidade para além dos mínimos denominadores comuns.

Paulo Guinote

O meu quintal

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