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Resultados da Sondagem da Semana | Concorda com o ranking das escolas?

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Resultados e opinião de Paulo Guinote

Ranking

Total de votos: 1925

Rankings, sim, mas…

 

Paulo GuinoteO conhecimento público dos dados sobre o desempenho dos alunos nas provas finais e exames do Ensino Básico e Secundário é algo positivo para toda a sociedade e para o sistema de ensino. A sua transformação em rankings de consumo rápido nos primeiros anos da divulgação da informação transformou-os numa arma de disputa política e ideológica em vez de os tornar num útil instrumento para a análise da realidade que levassea uma melhoria global do sistema de ensino.

Ao longo do tempo, a informação disponibilizada sobre as escolas públicas foi-se alargando e permitindo matizar os resultados absolutos com indicadores do contexto socio-económico e cultural dos alunos e respectivas famílias. Infelizmente, toda esta informação sobre as escolas públicas não tem tido contrapartida no sector privado, sobre o qual continuamos a desconhecer muitos dados essenciais para que a comparação dos diferentes tipos de escolas possa ser feita com pleno conhecimento das diversas realidades em presença.

Os rankings só atingirão a perfeita maioridade quando, para além de alcançarmos uma completa transparência dos dados disponíveis, os instrumentos de avaliação externa deixarem de mudar anualmente de natureza, de grau de dificuldade ou mesmo de critérios de classificação. É complicado estabelecerem-se análises significativas das tendências de médio prazo, à macro ou micro-escala, quando se comparam provas de aferição com provas finais ou quando se comparam resultados em disciplinas, como em Português ou Matemática, que mudam de programa duas ou três vezes num punhado de anos.

Enquanto estes problemas não forem resolvidos os rankings continuarão em busca da sua idade adulta e não contribuirão, como poderiam, para um melhor conhecimento e melhoria da qualidade do nosso sistema educativo.

Paulo Guinote

* Artigo também publicado no Diário Económico

1 COMMENT

  1. Totalmente de acordo. O que se tem passado com os programas e as metas de Português e Matemática é, além de tudo o que se possa dizer, escandaloso. As provas externas, chamem-lhes provas nacionais, provas de aferição ou outra coisa qualquer, deviam servir para que cada escola (e a comunidade em que se insere) percebesse como está em relação ao todo nacional e verificar se necessita de introduzir correções ou melhorias ou se está a trabalhar bem naquelas áreas. Mas, por um lado, centra-se apenas em duas disciplinas (e, por muito importantes que sejam, há as outras áreas que não são menos decisivas na formação dos alunos) e, por outro, há a consequência que se tem feito sentir, que é o enfoque num determinado tipo de ensino, virado para a resolução de uma prova, desleixando o trabalho cooperativo, os projetos, a criatividade, as artes para segundo plano. Como todos sabemos, a capacidade de trabalhar em equipa é hoje indispensável no mundo do trabalho. Outro problema pode ocorrer, que é “castigar” nas notas os alunos que não dão garantias de não baixar os resultados nestas provas, como acontecia antigamente (e agora certamente) nos colégios, quando estes alunos iam prestar provas aos liceus. São dados a que não se tem dado importância (quantos matriculados havia, quantos foram a exame como “internos”?). Uma escola pode estar abaixo na tabela e ter mais sucesso, mesmo considerando que sucesso=a boa média de escola.
    Dito isto, acho que a existência de alguma aferição é importante e não eliminava as provas no 9º ano. Também achei mal o fim dos testes intermédios, por este motivo. Neste momento, acho que o governo está a fazer bem em ouvir os vários setores antes de construir um modelo coerente (chega de medidas avulsas) e que não perturbe o normal funcionamento das escolas.

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