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Resultados da Sondagem|Concorda com a suspensão da escola enquanto medida disciplinar?

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Foi a sondagem mais votada do ComRegras, fruto das quase 50000 visualizações da semana passada. Conheçam o resultado e a opinião do Paulo Guinote. Obrigado a todos 😉

Suspensão da Escola
Votos: 4282

Uma Questão de Ambiente

Paulo GuinoteJá escrevi demasiado sobre o tema da indisciplina, pelo que tentarei não me repetir e concentrar-me no tema específico desta sondagem.

Sou favorável à suspensão de escola como medida disciplinar por questões de respeito para com a maior parte dos elementos das comunidades educativas (escolas e famílias) e de transparência e bom ambiente nas próprias escolas. Acrescento que sou ainda favorável à transferência de escola em casos de maior gravidade dos comportamentos e quando a relação entre quem infringe as regras e os restantes elementos que o rodeiam na escola está gravemente colocada em causa.

A questão do respeito, prende-se com o facto de, por muito que eu entenda o discurso em torno da necessidade de integração e de uma perspectiva positiva acerca das questões da indisciplina e violência escolar, termos de dar um sinal claro a todos que existem regras de bom convívio que devem ser respeitadas e que as infracções graves, com especial gravidade quando se trata de reincidência, não podem ser apenas “compreendidas” ou “contextualizadas” e tudo se resolver com uma boa palavra e um “vai lá e não repitas o que fizeste”. Isso é para as pequenas falhas, pecadilhos menores. Há que respeitar, por outro lado, as vítimas dos maus actos e não lhes incutir um sentimento de insegurança perante a aparente impunidade dos prevaricadores. Alunos, pessoal não docente e docente têm direito a ser respeitados e a não ser tratados de igual forma, sejam cumpridores ou não das regras de funcionamento das escolas. Assim como as famílias dos alunos devem sentir tanto que quem cumpre está seguro como que quem não cumpre será penalizado.

E isto conduz-nos à questão do “ambiente de escola” que deve ser construído e defendido na base da clara e transparente definição de obrigações e funções, deveres e direitos, sem que se instale uma sensação de “tudo vale” que é fatal para um clima funcional e propício para a vivência de todos nas escolas. Se é verdade que (quase) “tudo se resolve”, isso não pode acontecer com base num relativismo cívico ou ético que equipara agressor e vítima, infractor e cumpridor, porque é mais de meio caminho andado para tudo se tornar difuso e se instalar o sentimento de impunidade.

Dito isto, gostaria de concluir dizendo que a prevenção é essencial para que muitas situações problemáticas não ocorram, assim como há muito defendo que nas escolas deve existir – como vai acontecendo – uma espécie de “corpo” (há quem prefira gabinete) de professores, com apoio de alunos e funcionários, directamente ocupados com o tratamento das questões disciplinares. Para que exista clareza de procedimentos, coerência na acção, assim como rapidez na intervenção. Sendo assim, raramente é necessário muito tempo para que tudo se transforme para melhor.

Paulo Guinote

5 COMMENTS

  1. Concordo com o que foi escrito. Só não entendo bem a ideia de um “corpo” (gabinete) de professores, com apoio de alunos e funcionários. Quais seriam as atribuições e competências destes professores? Se partirmos do princípio que esta problemática tem a sua génese no ambiente social/familiar/cultural onde o aluno está inserido (como é defendido por alguns autores), não me parece que seja com a existência de um corpo de professores em stand bye, à espera que aconteça qualquer coisa, que a situação se resolva. Talvez atuando na génese do problema… mas isso é complicado… caro… seria necessário contratar técnicos… e o mais difícil… trabalhar junto da família. Não estou a ver como um gabinete de professores poderá resolver o problema. Se a indisciplina fosse uma coisa esporádica, invulgar, com a sua génese na escola, no relacionamento entre alunos, ou entre alunos e professores/funcionários… assim o bem dito gabinete poderia ter alguma utilidade… mas não me parece que seja esta a realidade da maioria das escolas.

      • Continua a parecer-me que com os bem ditos gabinetes não se vai à génese da problemática. Poderá servir para uniformizar procedimentos, ter uma visão mais abrangente da situação, etc. Há que colocar os pontos nos “is” e não esconder a realidade… há uma relação direta entre a indisciplina grave e o ambiente social/cultural/económico onde o aluno está inserido. Quando isto for assimilado pelos governantes, pelos diretores e pelos professores, talvez se possa começar a pensar numa solução. Claro que não é com um gabinete disciplinar que se vão promover alterações no seio familiar, no modo como muitas pessoas vêm a escola e a importância da educação. Parece-me lógico que tem de se atuar fora da escola… na familia!! E não me parece que sejam os professores os profissionais mais aptos para tal tarefa.

        • “Claro que não é com um gabinete disciplinar que se vão promover alterações no seio familiar, no modo como muitas pessoas vêm a escola e a importância da educação.”
          Exatamente Ana. Os gabinetes disciplinares não resolvem tudo, a escola só pode ir até determinado ponto, a família e a tutela têm muitas responsabilidades.

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