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Resultados da Sondagem | Concorda com a avaliação dos cadernos diários?

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Ficam os resultados e o artigo do Paulo Guinote.

Obrigado pela vossa participação. 😉

Cadernos Diários
Votos: 2200

Meu Querido Diário

Paulo GuinoteComo muitas outras questões relacionadas com o quotidiano escolar, as regras de funcionamento de aulas e as metodologias de trabalho, há que contextualizar e atender a cada idade idade, a cada ciclo de escolaridade e às características de cada grupo ou turma.

Em tempos digitais, com suportes bem mais ágeis e flexíveis do que o papel à disposição, mesmo sendo eu um bichinho do papel, acho que a partir de um dado momento (o Ensino Secundário, por exemplo) o fundamentalismo da manutenção de um caderno diário à moda antiga deixa de fazer muito sentido. Sim, eu sei que os telemóveis são proibidos na sala de aula (diz a lei…), mas sinceramente não me chocaria que, existindo responsabilidade na sua utilização, os gadgets electrónicos tivessem aplicações bem mais úteis do que mandarem mensagens, imagens e estar a instagramar ou feicebucar a mais irrelevante minudência e a uótesapar baboseiras (no que não se distinguem por aí além de muitos adultos…).

Claro que acho que o caderno diário deve ser uma ferramenta de registo e normalização dos registos do que acontece diariamente nas diversas aulas das várias disciplinas para funcionar como uma espécie de guião para o estudo doméstico ou para preparação de outros momentos de avaliação. E acho que a sua importância continua a existir no 1º e 2º ciclos. Mas, a partir do 3º ciclo e gradualmente, conforme a maturidade dos alunos, não me choca que se comece a encarar a sua existência, bem como a dos malfadados portefólios, com alguma relatividade. Sim, os alunos devem guardar todos os seus materiais, mas não, não acho que devam carregar diariamente toda a papelada para a escola. Acho que a partir do 9º ano, por exemplo, o caderno deve funcionar como uma espécie de bloco de apontamentos, em que cada aluno regista o que considera ser-lhe útil, podendo ir ser mais ou menos do que o professor do momento considere o cânone da sua aula. Lembro-me que, já no tempo da maria cachucha, eu não passava aquilo que considerava ser redundante ou já sabido, preferindo em alguns casos registar detalhes que ninguém me tinha dito para transcrever ou registar. Sei que isso me aconteceu em algumas disciplinas pelo 8º ano, em outras pelo 9º, em algumas só no Secundário e em outras nunca chegou a acontecer. Tudo depende.

Como fazer a avaliação, então, dos cadernos diários e fará isso sentido? Acho que sim, como disse, com um peso gradualmente menor, no 1º e 2º ciclos. E tendo em conta cada vez menos os chamados “floreados” (embora discorde de quem obriga a petizada a escrever tudo a uma só cor). Confesso que no 3º ciclo ainda faço essa avaliação, mas apenas do género “Tem (completo/incompleto)” ou “Não tem”. Quando a porta-folhas de fichas e testes ou outros materiais, faço o mesmo e apenas no final dos períodos, embora exija que mo apresentem completo no final do ano lectivo.

Se este elemento de avaliação é fundamental para a classificação final do aluno? Nem por isso. Apenas serve para confirmar, ou não, o que outros parâmetros me indicam. A ausência de um caderno tanto pode indiciar um aluno desleixado e desinteressado nas suas tarefas e obrigações, como um excelente aluno que não precisa de auxiliares de memória para se organizar no seu estudo. Pelo contrário, um caderno híper-meticuloso pode significar que aquele aluno é extremamente aplicado, mas também que a sua autonomia é mínima.

Concordo com estratégias de avaliação comuns nos grupos disciplinares e departamentos curriculares (com ou sem orientações “superiores” do Conselho Pedagógico), mas com a possibilidade (ia escrever “capacidade” mas ando em overdose de derivados de “capacitar”) de adaptação individual das orientações às condições específicas de cada caso.

Sendo que, e repito as minhas ideias base, o caderno diário perde alguma da sua importância à medida que se avança nos ciclos de escolaridade e que deveríamos ter uma cultura de responsabilidade que permitisse enfrentar a presença de meios tecnológicos na sala de aula sem receio da sua má utilização do ponto de vista ético.

Paulo Guinote

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