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Resultados da Sondagem: Avalie o desempenho dos assistentes operacionais da sua escola.

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Sondagem_assistentes operacionais
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O Elo mais Fraco

Paulo GuinoteNão me vou ocupar com a questão da qualidade do desempenho do pessoal não docente das escolas, chamem-lhes o que quiserem nas novas designações tecnocráticas. Há de tudo, como em muitas farmácias e drogarias. Há o muito bom, o bom, o razoável, o mau e o péssimo, em dosagens diversas conforme o contexto.

Prefiro concentrar-me numa breve análise da vulnerabilidade da situação profissional do pessoal não docente, nomeadamente do pessoal que assegura alguma ordem nos corredores e pátios das escolas, que nos garante a limpeza do espaço e alguma funcionalidade dos equipamentos em torno de salários que desmerecem a sua importância.

Vou destacar dois aspectos que acho fundamentais, não negando outros igualmente importantes:

  • A vulnerabilidade quotidiana de quem tem de enfrentar mesmo na primeira linha, muita da falta de educação e civismo de muitos alunos (e mesmo encarregados de educação), com escassos meios de defesa e quantas vezes sem a compreensão de outros actores educativos, correndo riscos ainda maiores do que os professores e tendo ainda menores meios de defesa. Por vezes, enquanto professores, queixamo-nos do que poderia ser melhor e temos razão. Há sempre quem não cumpra, mas é muito mais quem cumpre e bem uma missão profundamente complicada, perante o desrespeito, a arrogância e a prepotência dos “pequenos ditadores” que raramente aceitam um reparo ou um não e que se acham na posse de todos os direitos e de nenhum dos deveres. Como, apenas a título de exemplo, aquelas criaturas que deitam para o chão toda o lixo que lhes passa pelas mãos, achando que a limpeza nasce do ar.
  • A vulnerabilidade profissional, entre a escassa remuneração e a precariedade de muito pessoal que surge nas escolas, com pagamento à hora, sem quaisquer garantias de uma carreira com um horizonte que justifique os riscos corridos. Em outras paragens, o pessoal não docente é em menor número, exactamente porque a sua necessidade é menor em função de hábitos culturais bem diversos. Mas também são paragens onde a sua situação profissional não é tão precária e onde a ninguém passaria pela cabeça que este tipo de função pode ser exercido por qualquer pessoa inscrita num centro de desemprego.

Quando me dizem que uma escola é uma organização e que se deve nortear por princípios de eficiência e eficácia, questiono-me se tão sabedores teorizadores consideram correcta a abominável gestão dos recursos humanos não docentes que se pratica entre nós. Porque uma Escola é mais do que aulas dadas entre toques e há todo um trabalho tanto de rectaguarda como de “frente de batalha” que é essencial para o seu bom funcionamento. E o bom desempenho do pessoal docente é essencial para a própria imagem que é transmitida por cada escola para o exterior e para os próprios alunos. E nem sempre há quem se lembre disso e lhe dê a merecida importância.

Paulo Guinote

1 COMMENT

  1. excelente análise…a escola como organização deve ser entendida no seu todo e não pode ter elos mais fracos.O pessoal dito auxiliar,assistente ou técnico é aquele que mantem a segurança e a cultura da escola em todos os espaços extra-aula..afinal espaços não menos educadores.Tenho por experiência que este pessoal deve ter mais e melhor formação,pois grande parte do tempo de escola dos alunos não pode decorrer em espaços tecnicamente indiferenciados..Para “segurar”as entradas bastam seguranças públicas ou privadas..para gerir o “miolo”da Instituiçào são precisos bons dirigentes e outro pessoal..mesmo com formação docente…um supervisor pedagógico que ande pela escola faz muita falta..falar com os alunos nos intervalos,educá-los para a cidadania,assistir nos recantos da escola e das C/B é tarefa tão importante como ensinar uma fórmula química!Este trabalho também poderia ser feito em regime de voluntariado,sem prejuízo de postos d e trabalho.Há tanto docente aposentado que gotaria de ficar ligado à sua “escolinha”…

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