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Resultados da Sondagem | Acha aceitável um professor dar uma palmada a um aluno?

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Ficam os resultados da maior sondagem ComRegras até à data e a análise do Paulo Guinote.

Sondagem Palmada
Votos: 3073 | Sim: 1625 | Não: 1448

 

A Palmada Pedagógica

Paulo GuinoteHá um par de semanas, em Tondela, assisti a duas conferências de dois psicólogos, Javier Urra e Paulo Sargento, que trataram temas próximos deste, com perspectivas que considero algo diferentes, apesar das visões serem, pelo menos em teoria, próximas na defesa da necessidade de traçar limites às crianças e as fazer perceber os limites para as suas acções e o que está errado. No caso, estava mais em questão o papel dos pais e a sua relação com os filhos. No entanto, Paulo Sargento usou aquela estratégia típica de procurar provocar a audiência com uma questão polémica – “quem concorda com a palmada pedagógica?” – encorajando a resposta sincera, como se nenhuma fosse criticável e incentivando mesmo que as pessoas assumissem o “sim”, para depois dizer-lhes que estão erradas e que “palmada” e “pedagógica” são palavras nunca podem estar juntas na mesma expressão.

Eu discordo.

Como pai. Como pai, acho que numa fase inicial da vida a aprendizagem de alguns limites e fronteiras com o perigo nem sempre se consegue fazer com argumentos racionais, explicações carinhosas. Algumas vezes, o perigo e a urgência exigem algo mais, mesmo que politicamente incorrecto. Em termos biológicos, a dor é sinal que algo está errado no corpo. Não defendo a dor extrema, sequer grave, mas a tal “palmada” é “pedagógica” exactamente quando funciona como “aviso” apropriado, sem excessos na intensidade e muito menos na frequência. Seria um mentiroso e hipócrita se afirmasse que a não usei. E com resultados práticos, quase apagados da memória de quem a recebeu, mas que conduziram a alteração de condutas. Claro que poderá existir quem queira daqui extrapolar que eu defendo qualquer princípio fundamental relacionado com o valor da violência física, mas não é disso que estou a falar.

Agora como professor.

Não aceito que a aprendizagem seja feita sob coacção física ou que o erro seja corrigido na base da palmatória como foi prática dominante durante muito tempo. A aprendizagem forçada pelo medo até pode funcionar mas assisti demasiado de perto, enquanto aluno, aos bloqueios criados pelo terror da reguada por erro ortográfico. Barbaridades que nada tinham de pedagógico. Há gente que nunca deveria ter podido continuar a dar aulas depois do que fez. Mas provavelmente tornaram-se mentoras, orientadoras de estágio, gente com prestígio e sabedoria para dar e vender.

Dito isto, não posso deixar de afirmar que uma coisa é usar coacção e violência física para “ensinar”, o que é completamente inaceitável e outra é estar-se completamente [email protected] perante agressões continuadas, de desrespeito e provocação verbal até à própria ameaça e coacção física, como acontece com mais docentes do que linhas SOS registam quando alguma organização precisa de anunciar qualquer coisa para a comunicação social. Aqui não se trata de qualquer relação com pedagogia mas apenas de auto-defesa, sobrevivência pura.

Palmada pedagógica? Não.

Cívica? Talvez.

Se isto responde à questão da sondagem desta semana? Provavelmente, não.

Paulo Guinote

3 COMMENTS

  1. “Palmada pedagógica” cívica sim. Como Professora nunca a dei, mas vi colegas a dar e algumas comentam. Mas garanto que se algum aluno, mesmo com 6 ou 7 anos me agredir, vou praticar a dita “palmada pedagógica”. É inadmissível que actualmente a maioria dos pais não saiba exercer a firmeza na educação dos filhos.Já temos crianças delinquentes no 1º Ciclo, pois os pais simplesmente dizem “Não sei o que hei-de fazer com ele/a”. Crianças que agridem as Professoras com murros e pontapés. Mas onde é que isto vai parar? Ninguém nasce ensinado, educar não é fácil, mas estes pais têm de ser ajudados e se não quiserem aceitar a ajuda, têm de ser responsabilizados por educar os filhos. As autoridades competentes que saiam da secretária e comecem a unir forças de trabalho com as Escolas. O espaço escola é um local de formação. A educação é de berço, ou seja, vem de casa.

    • Os próprios pais também não respeitam a imagem do professor de tão denegrida que foi por sucessivos governos dai a classe de professores continuar a ser desrespeitada em muitos estratos na sociedade, e por consequinte os pais passam essa ideia aos filhos! Se lhes retirassem os subsídios ou abonos, num instante, era vê-los interessados pelos filhos e a dar conselhos aos mesmos para não agredirem a professora. A situação resolve-se assim neste termos e nunca com agressão..pois o termo suavizado de “palmada pedagógica” não passa de uma bofetada..de uma agressão.

  2. Sou mãe e de facto educar não é tarefa, é um ato de responsabilidade, talvez a maior que temos na nossa vida.
    Não acho inaceitável embora não concordo com esse método de educar, pois sei que são muitas crianças e não é fácil manter a calma, só que estamos a falar de crianças de 6/7anos que estão a iniciar uma fase complicada onde deve deixar marcas positivas, e bater vai fazer com que se sintam diminuídos e com medo. Medo de falhar, medo!! E depois surgir as chamadas bulling na escola, porque se uma criança leva uma palmada da professora essa criança vai ter medo de dizer a professora que um colega o bateu ou fez outra coisa qualquer! Sei que existem muitas crianças que não têm qualquer apoio em casa, os pais são também difíceis, e não têm uma base de Educação, mas é com palmadas que chagam lá? São crianças, precisam de amor e incentivo!! PALMADAS, tornam as crianças ainda mais Rebeldes, e na minha opinião, quando for para levarem palmadinhas que sejam os pais a dar. Sim porque somos nós que seremos criticados, ou elogiados pela educação dos nossos filhos. Sei que os professores têm um trabalho difícil, mas acho que foram formados para assumir essa Responsabilidade, e palmadinhas não Educam!

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