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Resultado | Concorda com o início do Ensino Profissional no 9º ano de escolaridade?

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Este é assunto que merece reflexão, até pelos resultados que podem constatar. Fica também o comentário exclusivo do professor Santana Castilho ao inquérito realizado no passado dia 2 e 3 de fevereiro e que contou com mais de duas mil respostas.

Comentário do Professor Santana Castilho

Em minha análise, os cursos profissionais cresceram muito em quantidade mas pouco em qualidade e são negativamente marcados por serem mais encarados como uma via de escape ao insucesso no “ensino regular”, que propriamente como alternativa formativa de idêntica dignidade.

Reflectindo sobre a complexidade da sociedade do futuro e sobre a decantada necessidade de os jovens serem capazes de reconverter várias vezes na vida as suas aptidões profissionais, sou liminarmente contra profissionalizações precoces, entre nós anteriores ao 10º ano de escolaridade.

Permito-me recordar, a este título, que o tão festejado sistema dual da Alemanha a coloca como um dos únicos países europeus onde os jovens terão menos qualificações que os pais (apenas 20% dos jovens alemães obtêm qualificações superiores às dos seus pais). E recordo que é a insuspeita OCDE que nos disse que são justamente os jovens que entraram precocemente em cursos vocacionais que mais engrossaram as estatísticas do desemprego e dos profissionais mais mal pagos.

Do mesmo passo, o que é verdade, ainda segundo a OCDE, tanto na Alemanha como em todos os países que a ela pertencem, é que quanto mais alto é o grau de formação académica, tanto maior é a probabilidade de se conseguir um emprego e com melhor remuneração. E concluo recordando, ainda, o que disse a OCDE, quando chamada a explicar a circunstância de, na Alemanha, a escola não estar a servir de ascensor social:

“De certa forma, a predominância de alemães que não atingem mais do que qualificações médias, reflete o sistema dual do país, no qual os cursos vocacionais do ensino secundário desempenham um papel preponderante”.

6 COMMENTS

  1. A falta de qualidade do ensino profissional em Portugal não pode constituir uma justificação para rejeitar um ensino dual, à semelhança do que foi implementado em países como a Alemanha, Suíça e Áustria. O que tenho lido, é que os jovens se sentem confortáveis com esta solução e estes países não são do terceiro mundo, têm economias fortes. O profissionalismo dos técnicos também é visível no produto do seu trabalho.
    O fim das escolas técnicas, em Portugal, traduziu-se numa perda relevante para o país. Mais do que acabar haveria que modificar o que fosse necessário. O ensino profissional que lhe sucedeu, começou mal por aparecer como um “remédio” para os desvalidos do sistema. Foi um mau começo e para muitos a marca de um estigma.
    As perguntas deveriam ser outras: gosto mais da vertente académica ou profissional? O que me sinto mais motivado para explorar?
    Claro que deverá existir permeabilidade entre as vias. A questão será assegurá-la sem ignorar as especificidades, criando condições para que a passagem possa ser devidamente apoiada e não o resultado de “ginástica avaliativa”.
    Sei que um caso não pode ser generalizado, mas, há muitos anos, na Alemanha, uma família, com duas filhas, com poder económico (donos de um hotel de cinco estrelas), uma delas frequentava o ensino dual e outra a vertente académica, cada uma satisfeita com as respetivas opções. Será uma exceção, não sei, talvez.
    Quanto a salário, mesmo em Portugal, um bom técnico ganha bem mais do que um professor (sei que estou a colocar a fasquia muito baixa) e às vezes nem precisa de ser muito bom, dada a escassez. Não me parecem os técnicos que se sintam menos dignos pelas profissões que desempenham. Vejo também orgulho quando referem os cursos de formação e exibem as certificações, que se traduzem em competência profissional!
    Se me dizem que um ensino técnico de qualidade não está ao alcance de Portugal, é outra história. Mas, já agora, o que tempos nem sempre atinge a qualidade desejável e também não está a funcionar como elevador social, como referem as estatísticas.
    Estou aberta a soluções que, de forma realista, procurem responder à diversidade de competências do ser humano, permitindo que cada um encontre o seu rumo. Certificar sem formar é um engano e, mais uma vez, perdem os mais pobres!
    Não fecho a porta, desde que a realidade me ofereça evidências de que não será uma boa solução.

  2. O ensino dual que menciona em alguns países e que funciona tem um pormenor muito importante. Os alunos passam mais tempo nas empresas que nas escolas e as empresas recebem subsídios para compensar os estágios de crianças inexperientes.

    Faz toda a diferença.

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