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Ressaca

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Sim, é mesmo isto que sinto, ressaca. Ressaca por finalmente o governo ter suspendido as aulas presenciais. Finalmente suspendeu…e pecou por ter sido uma decisão tardia.

Ressaca porque foram muitos os testemunhos escritos de docentes que  tal como eu, viveram estas semanas iniciais, mais do que nunca, rodeados deste maldito vírus, e viram os seus alunos a ficarem infectados e, os outros, a continuarem a ficar fechados com os professores nas salas de aula, ao sabor das decisões divergentes e sem norte dos delegados de saúde. Ressaca, é o que sinto, como se fosse mais ou menos um sinónimo de cansaço. Se concordo com a medida? Em parte. Ficámos em casa, ainda bem pela saúde de todos e lutámos muito por isso. Se podíamos estar com aulas à distância? Sim, e o ritmo não teria sido quebrado. Se convinha para o governo termos aulas à distância? Não, pois o seu falhanço total de apetrechamento tecnológico aos alunos poderia vir ainda mais à tona.

Ressaca, cansaço de um medo que não fez uma “interrupção” , não se foi embora. Cansaço de uma certeza de que 15 dias não serão suficientes…

Esperança e apelo a que os pais e alunos se mantenham sossegados em casa, pois o espírito não pode ser o de “férias”. Não estamos em férias. Estamos a resistir. A nossa arma é ficar em casa. E ganhar tempo. E dar tempo aos hospitais.

Vera Garcia

Fonte: A mãe não dorme

3 COMMENTS

  1. Partilho e identifico-me totalmente com este texto… Como mãe e como docente, nestas últimas semanas de janeiro em regime presencial, senti-me psicologicamente arrasada como nunca me tinha sentido nos meus 44 anos de vida. Obrigada Vera Garcia por tão bem exprimir “a ressaca” que muitos de nós estamos a viver. Tenhamos coragem e esperança para enfrentar os tempos desafiantes que teimam em persistir.

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