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“(Re)Pensar a Escola e a Convivência na escola”

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repensarO texto desta semana surge no seguimento dos dias celebrados na semana transata: o Dia Mundial da Resolução de Conflitos e o Dia Mundial de Combate ao Bullying. A rubrica de hoje tem como objetivo contribuir para a sensibilização da comunidade educativa, para que aposte em dinâmicas facilitadores de intervenção e de prevenção para os fenómenos de violência, da conflitualidade e da indisciplina. É preciso sistematizar e divulgar princípios de boas práticas que ajudem a tornar estas dinâmicas mais eficazes e mais generalizadas, focando não apenas a resolução e remediação de conflitos, mas também a sua prevenção, isto é, contribuindo para a convivência escolar e promovendo o sucesso escolar, para o desenvolvimento harmonioso da criança e do jovem. Isto só é possível se a escola for encarada como um novo espaço de intervenção, enquanto espaço privilegiado do ato educativo, que é, em si mesmo, também um ato social.

Até mesmo a Organização Mundial da Saúde defende que as estimativas dos custos da violência podem servir como pontos de referência para a alocação de recursos e definição de prioridades nos diversos contextos, garantindo também que a prevenção da violência é superiormente classificada em termos de investimento. Isto é, numa avaliação custo-benefício e custo-eficácia, este deve ser um primeiro passo para explorar os benefícios de potenciais intervenções destinadas a prevenir violência.

A convivência escolar é um conceito que permite situar e compreender as interações num contexto de relações institucionais e sociais. Passa pela inter-relação entre os diferentes membros de um estabelecimento de ensino, influenciando significativamente o desenvolvimento ético, socioafetivo e intelectual dos alunos. A participação ativa dos alunos é tida como condição sine qua non para que a cultura de convivência na escola seja cada vez mais positiva. No entanto, existem diversos obstáculos, pois cada vez mais a escola é um espaço onde se encontram alunos muito diferentes, com interesses, motivações e culturas cada vez mais divergentes. Ainda assim, a escola deve tratar todos de igual forma, como se tivessem as mesmas origens e os mesmos valores, como se reagissem com iguais emoções e refletissem semelhantes expectativas vivenciais. E será que isto é possível?! Esta pluralidade e diversidade populacional, ainda não provocaram as mudanças organizacionais e pedagógicas que o contexto educativo atual necessita. A escola continua, de facto, a ter genericamente as mesmas práticas, ainda que a sociedade na qual se insere apresente uma rápida e permanente mutação. A crescente heterogeneidade social e cultural das instituições escolares acentuou as discrepâncias e a conflitualidade daí resultantes por diferenças que se apresentam a todos os níveis.

Acreditando, então, que a escola tem como imperativos e objetivos tanto a formação académica dos alunos como a formação pessoal, relacional e social, o contexto escola revela-se assim o contexto ideal para promover esta alteração no paradigma da abordagem e resolução de conflitos. A manutenção das tradicionais medidas disciplinares punitivas a que o sistema educativo usualmente recorre, não é a estratégia que cumpre as exigências e as necessidades que as escolas apresentam atualmente. De todo…

É preciso pensar estratégias que promovam aspetos como o exercício responsável da cidadania, aprender a envolver-se na escola em si e na vida social, a aprendizagem do diálogo, do respeito pelos direitos humanos, a empatia, a atitude positiva face aos conflitos, o desenvolvimento de competências sociais e de controlo emocional, o autoconhecimento e desenvolvimento da autoestima. Estas são competências essenciais e que devem estar presentes para uma sã convivência na escola, independentemente do agente educativo em causa. As instituições educativas devem ser espaços de convivência caracterizados por interações positivas entre todos os seus membros, sendo que a existência de conflitos deve ser encarado como algo normativo e natural.

É difícil mudar mentalidades e paradigmas de ação, mas podemos e devemos começar por nós próprios!

Mónica Nogueira Soares

 Psicóloga | Mediadora Familiar e Escolar | Formadora
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1 COMMENT

  1. Não se espera que as pessoas tenham as mesmas emoções… donde vem isto? E, muito menos nas novas escolas onde o sistema educativo começa a revelar-se diferente tendo em conta algumas das variáveis que aqui são referidas. O método Waldorf… é um dos caminhos que já é real em muitas escolas como sistema alternativo ao obsoleto sistema que ainda figura na maioria das escolas. A escola tem como objectivo a formação pessoal? Desde quando? O trabalho que refere é da competência de todos os que exercem a função educativa desde a família á escola. Estes objectivos que refere, e muito bem, não dizem exclusivamente respeito à escola. O tema que é suposto ser crucial no artigo – a violência e punições respectivas – é um tema pertinente. No entanto, o artigo é relevante nos dias de hoje em conjunto com a alternativa ao sistema educativo. A reforma deve incidir por aí.

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