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Regresso às aulas: Recomendações para pais, diretores de escolas e professores

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A Ordem dos Psicólogos Portugueses, em colaboração com a agência da Nações Unidas para a Infância UNICEF, elaborou um guia de recomendações para todos os que têm a responsabilidade de educar crianças e jovens. O Jornal Económico leu o documento e elenca os principais aspetos, mas poderá ler aqui o documento na íntegra.

O QUE PODEM OS PAIS E CUIDADORES FAZER PARA FACILITAR O REGRESSO À ESCOLA DE CRIANÇAS E JOVENS?

  • Reconheçam e identifiquem receios e sentimentos de ansiedade em si próprios e nas crianças e jovens de quem cuidam, promovendo formas saudáveis de lidar com eles, sem cair em exageros. Incentivem as crianças e jovens a expressarem as suas emoções, disponibilizando-se para o diálogo e validando o que sentem relativamente ao regresso à escola.
  • Conversem sobre aquilo que preocupa a criança ou o jovem, mas também sobre aquilo que deseja no regresso à escola, ajudando a antecipar aspetos positivos, como reencontrar os colegas e professores.
  • Antes do dia de regresso à escolaconversem com a criança/jovem enfatizando que a decisão é baseada no conhecimento científico e que todas as pessoas na escola farão os possíveis para os manter seguros; que qualquer pessoa que esteja doente ficará em casa; que as autoridades estão atentas e que quando, porventura, não for seguro ir à escola, decidirão nesse sentido. Para além disso é importante reforçar as boas práticas de higiene, os comportamentos pró-saúde e pró-sociais.
  • Preparem as crianças/jovens para as mudanças nos processos e logísticas habituais da escola. Quando souberem como vão funcionar as novas regras e logísticas da escola preparem-nos para essas alterações – quanto melhor ela/ele as entender, mais confortável se sentirá em relação a elas e ao seu cumprimento.
  • Estejam preparados para lidar com alguma “ansiedade de separação”. Em particular para as crianças mais novas e após um período prolongado de contacto exclusivo com os pais e cuidadores principais, pode ser especialmente stressante a vivência da separação no regresso à escola.
  • No final do dia, depois da escola, conversem sobre como foi o dia na escola, incluindo o que gostaram, o que as deixou preocupadas e o que gostariam de fazer no dia seguinte.
  • Procurem reservar algum tempo extra para estar, falar, brincar, jogar. Ao final do dia, as crianças podem estar mais cansadas e precisarem de actividades calmas; os jovens podem estar mais sonolentos.

 

RECOMENDAÇÕES PARA DIRETORES DE ESCOLAS E PROFESSORES

Embora responder aos objetivos académicos e curriculares continue a ser uma meta importante durante este ano lectivo, os autores do guia admitem que os alunos podem não estar preparados para se envolverem em atividades de aprendizagem formal até se sentirem fisicamente e psicologicamente seguros e que há que estabelecer esse sentido de segurança. Neste contexto, ganham especial importância acções de promoção da Saúde Psicológica e do Bem-estar, do envolvimento com a família, bem como o reforço das políticas e práticas inclusivas. A saber:

  • As escolas/agrupamentos devem organizar um Grupo de Trabalho ou uma Equipa de Saúde Escolar que planeie e avalie as políticas e práticas de Saúde Escolar, nomeadamente a Saúde Psicológica, e que, nestas circunstâncias extraordinárias, deve reunir mais vezes.
  • As escolas devem reforçar a implementação de programas, projectos e/ou estratégias que visem aumentar os fatores de protecção da Saúde Psicológica e da inclusão de todos os alunos.
  • Também devem recolher informação, regularmente e de forma sistematizada, de modo a monitorizar a Saúde Psicológica de toda a população escolar.
  • As escolas devem disponibilizar momentos formativos aos professores e outros profissionais para lidarem com as necessidades dos alunos, tanto de recuperação das aprendizagens como do seu Bem-estar físico, mental e social. A formação deve contribuir para melhorar a capacidade dos professores em responder às necessidades académicas e sócio-emocionais dos alunos. De forma semelhante, devem proporcionar, aos seus profissionais, formação sobre temas relacionados com a prevenção e promoção da Saúde Psicológica, desenvolvendo ações que lhes sejam especificamente dirigidas com o intuito de prevenir e promover a sua Saúde Psicológica. É importante reconhecer que também os profissionais podem estar a experienciar stresse ou situações de perda. O autocuidado, para além de uma responsabilidade individual, deve ser fazer parte da cultura da escola.
  • As escolas devem reconhecer o potencial de aumento das taxas de abandono escolar, implementando medidas e estratégias de prevenção do abandono escolar e do insucesso especificamente em situação de pandemia.

 

É IMPORTANTE QUE OS PROFESSORES…

  • Antecipem alguma regressão académica, emocional e social das crianças e jovens, assim como reconheçam o impacto negativo potencial de um ambiente que requer a diminuição das interacções sociais, proporcionando, sempre que possível, momentos e estratégias de diminuição da ansiedade e do stresse. Neste contexto, os professores devem evitar assumir que determinados comportamentos inadequados representam necessariamente desobediência ou comportamento insubordinado.
  • Será necessário ajudar a reconhecer que todos precisam de tempo para processar o período de regresso à escola. Estas emoções precisarão de tempo e espaço para serem reconhecidas e partilhadas.
  • Definam, em conjunto com os alunos, regras e boas práticas de convivência saudável durante a nova fase.
  • Envolvam os alunos no planeamento do novo ano letivo, de forma a que participem ativamente e se impliquem e se responsabilizem pelas aprendizagens e actividades a realizar. Negoceiem tempos de interação livre e tempos de concentração e cooperação na aprendizagem.
  • Reforcem os canais de comunicação aberta e segura, que permitam aos alunos partilhar as suas preocupações e dúvidas.
  • Considerem introduzir novo conteúdo académico apenas quando as novas regras, rotinas e ambiente já tiverem sido firmemente estabelecidos e interiorizados pelos alunos, e estes se sintam seguros e emocionalmente estáveis.
  • Reconheçam que a produtividade e o envolvimento dos alunos possam não ser, inicialmente, os mesmos que tinham anteriormente.
  • Promovam uma reflexão sobre os aspetos positivos e negativos das práticas de ensino à distância, tentando potenciar aquelas que possam facilitar o processo de aprendizagem dos alunos, mantendo-as no cenário de ensino presencial.
  • Mantenham as alianças criadas com os encarregados de educação durante o período de ensino à distância, promovendo a continuidade da participação ativa das famílias nas aprendizagens das crianças e jovens.
  • Facilitem o acesso a múltiplos modos de apresentação da informação e dos conteúdos e identifiquem múltiplos meios de motivação, representação e expressão.
  • Monitorizem as medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão implementadas e recorram, sempre que necessário, a outros recursos da escola e da comunidade.

Fonte: Jornal Económico

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