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Regresso à fábrica

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Convergence, 1952 – Jackson Pollock

Começou há pouco mais um período letivo, e vindos de duas semanas de bem merecido descanso, regressámos, alunos, professores e não-docentes para mais 13 semanas de trabalho. Regressámos à fábrica.

Aulas, explicações, treinos, atividades, projetos, textos, trabalhos, fichas, TPCs, testes, apresentações… Estudar, estudar, estudar. Tudo isto é importante, dizem, mas também é importante dormir, rir, respirar, amar, viver… Aliás, não fazer nada de vez em quando também é essencial. Somos pessoas, não máquinas, ainda assim, o regresso às aulas sabe a voltar a uma fábrica, em que se labora friamente em busca de algo por um caminho caminhado por quem não o escolheu, guiados por mapas que nos deixam ainda mais perdidos na busca de um sentido.

Um sistema em que ou se é cientista ou músico, médico ou historiador, não cria cidadãos, cria instrumentos. Gostos, interesses e aptidões unidimensionais dão jeito a quem quer pintar tudo da mesma cor, ou melhor, de quatro cores diferentes e mais um par delas que são apelidadas “profissionais”. No entanto, a realidade não é um quadro feito a régua e esquadro, muito pelo contrário, mais parece um quadro de Jackson Pollock: um desorganizado salpicado de diferentes cores.

Mas tal como nos quadros de Jackson Pollock se encontra significado no meio do caos, também no ensino e na pluralidade e diversidade dos alunos se encontram sistemas que funcionam, tal só é impossível na mente de alguns senhores (e senhoras) que, sabe Deus como, chegaram a ser considerados os mais aptos para dirigir a nossa Educação. Não é uma utopia, é uma discussão, uma reflexão e, acima de tudo, um diálogo que é fundamental e necessário para realmente melhorar o Ensino português.

Não se chega lá com programas quilométricos nem com avaliações e avaliaçõezinhas. É ouvindo-nos a nós, todos os que trabalhamos diariamente na Escola, quando chega a hora de tomar decisões que nos afetam mais do que ninguém e quando chega a hora de decidir a melhor maneira de ensinar e de aprender. Só assim ficamos mais perto de uma educação melhor.

António Bezerra, Aluno.

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