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Redução Do Número De Alunos Por Turma E O Professor Embrião

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Estamos todos carecas de saber que as turmas estão sobredimensionadas. Temos turmas de 25/30 alunos, quando o ideal seriam 15… no máximo 20 alunos por turma. Nem vale a pena deter-me nas evidentes vantagens pedagógicas que adviriam dessa redução. Todos nós as conhecemos.

Infelizmente, para os sucessivos governos a “escola de qualidade” fica-se pelos discursos populistas nos momentos de apelo ao voto ou de inaugurações. Preferem alocar recursos noutros setores. BURROS! A Educação é a base de qualquer sociedade evoluída.

Até aqui não disse nada que não mereça consenso. 😉 O problema vem agora.

A pandemia fez esquecer um pouco os problemas que existiam (existem), entre os quais a falta de professores em vários grupos de recrutamento. De repente, parece que já ninguém se lembra que nem todas as turmas tiveram professor(a) de Informática, de História, de Geografia, de Matemática… Parece ter ficado esquecido o desespero do ministério em arranjar pessoas com formação… mínima… para lecionar Informática. Além dos 4 grupos que mencionei, este problema irá em breve alastrar-se a outros grupos de recrutamento.

O Blog do Arlindo publicou há tempos uma tabela com o número de professores a reformarem-se nos próximos anos. A matemática é evidente: o número crescente de aposentados não é acompanhado pelo número de recém-formados. Aliás, grande parte dos cursos de formação de professores fecharam ou estão às moscas. Num inquérito realizado há pouco tempo a estudantes do ensino secundário, apenas 1 em cada 100 ponderava entrar nesses cursos. Normal, os alunos são os primeiros a verem o que os seus professores têm de “aturar” a troco de pouco mais de 1.000 euros.

Posto isto…
Querem reduzir como, se já não existem, agora, professores de certos grupos em número suficiente para as necessidades do sistema?
Querem reduzir como, se não existem salas de aula disponíveis?
Querem reduzir como, se as escolas (principalmente na região de Lisboa) dividem um horário completo em 4 ou 5 pequenos, para tentarem arranjar quem queira acumular umas horas?

Tal como estamos no momento, “rezem” 😅 é para que não aconteça o contrário: que não caiam na tentação de aumentarem esse número, como resposta à crescente falta de professores.

Poderão argumentar que há muitos professores disponíveis que não obtiveram colocação no tempo das “vacas magras”. O problema é que uma parte deles estabeleceu-se noutras atividades e só estariam dispostos a regressar com incentivos a sério… Com garantias de estabilidade. Não vão largar o emprego estável na “terrinha”, para irem gastar centenas de euros longe de casa, com base numa promessa de eventual vínculo.

Podem também dizer que a obrigação do Estado é criar as condições para se formarem mais professores. Mas isso demora tempo e, mais uma vez, requer uma valorização da profissão que não se vislumbra no horizonte próximo… Bem… eu até vislumbro, mas isso é porque vejo que, ironicamente, a falta de docentes será a solução para as principais reivindicações… mas não para já. Só mesmo quando a situação chegar ao ponto em que as associações de pais fechem as escolas a cadeado porque não mandam os filhos para ali, para não terem aulas. Nessa altura, que remédio terá o governo que estiver em exercício, a não ser resolver o problema.

E sim, podem ainda dizer que há dinheiro para bancos e mais não sei quê, mas já todos percebemos que vergonha é coisa que não lhes assiste. E sejamos honestos, nem é tanto pelas injeções de capital que nos aborrecemos. É mesmo por vermos aqueles tipos a gozarem literalmente com a justiça. É por vermos que o fazem impunemente. É isso que nos dói a todos.

O que podemos esperar nos próximos anos é um aumento do número de professores com habilitação própria e/ou suficiente… Ou seja, de pessoas sem a formação ideal para a função. A consequência será naturalmente o agravamento do insucesso escolar… Falo do real insucesso escolar e não daquelas estatísticas que nos dizem que tudo está bem e se recomenda.

Duarte Gonçalves

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