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Rede Europeia Anti-Pobreza | Portugal mais pobre afeta o desempenho dos alunos

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Quem anda pelas escolas tem assistido a um aumento significativo de alunos ao abrigo da ASE – Ação Social Escolar. Por vezes queixamo-nos que os alunos não prestam atenção e que têm enormes dificuldades de concentração, afetando inclusive o seu comportamento. Mas quem é que consegue ficar focado quando tem o estômago a roncar ou tem a cabeça mergulhada num pesadelo familiar onde tudo falta? Os dramas que se encontram sentados naquelas cadeiras, ocultados muitas vezes pela vergonha social, são opressores de todo um processo de ensino.

E este meus caros, é sem dúvida o primeiro fator que nos diferencia de outros países considerados modelos educativos.

O Relatório Europeu relativo a Portugal: monitorização dos progressos e retrocessos sociais

 Do ponto de vista da Educação é de realçar a redução significativa da taxa de abandono escolar precoce para 17.4% (era de 30.9% em 2009)

A taxa de pobreza aumentou de forma significativa em 2014 (19.5%). O relatório destaca o agravamento deste fenómeno nestes últimos anos. O diferencial de pobreza na população ativa (18-64 anos) continuou a subir (30.3% em 2014); a taxa de privação material severa mantém-se elevada; A taxa de trabalhadores pobres (in work poverty) chegou aos 10.7% em 2014, mantendo-se uma das mais elevadas da UE; o risco de pobreza e exclusão social das crianças atingiu valores significativos em 2014 (31.4%) superando a população em geral (27.5%);

 No que diz respeito ao sector da Educação, embora se tenha verificado uma descida considerável na taxa de abandono escolar, o número de alunos que repetem de ano, assim como o desempenho escolar não está a melhorar. O relatório destaca a importância do programa TEIP- Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), mas não refere, por exemplo, as más práticas que ainda se praticam com a existência de turmas só para crianças ciganas, o que é uma clara violação dos direitos humanos. O relatório destaca ainda que as condições socioeconómicas das famílias continuam a ter um papel decisivo no desempenho dos alunos e o aumento da pobreza nos grupos mais desfavorecidos constitui um obstáculo às políticas instauradas para lidar com o insucesso escolar.

Se queremos diminuir o insucesso escolar, comecemos por sarar as feridas sociais e económicas.

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