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Rede escolar

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A semana passada quebrei, pela primeira vez, um ciclo de mais de um ano a escrever semanalmente para este sítio. Alguma baralhação externa ao qual se juntaram afazeres domésticos meus, em fim de semana descontraído porque prolongado, pressa com os filhos para que não perdessem o que acabaram por perder, o autocarro para a capital e deu na ausência. Coisa boa, descanso ao leitor, pausa à leitura, tempo para outras leituras 🙂

Devidamente justificada junto do Alexandre, o editor, e que agora estendo a quem por aqui passa e tem a simpatia e a paciência de me ler.

Agora e apesar de presente, digo que vou a li e já venho. Ali é à Universidade de Aveiro, a um simpósio que é uma reflexão sobre a rede escolar, com o tema de (re)configurações e tensões.

Primeiro, o tema é, de todo em todo, pertinente, atual e de futuro, porque mobilizador de políticas e recursos. Não é a primeira vez que escrevo sobre a rede escolar. Os concursos decorreram e, sobre eles, paira esta nuvem negra da rede escolar alimentada pela quebra demográfica e do que ela implica em termos de ofertas escolares, disponibilidade de horários, organização de escolas e de serviços letivos.

De seguida dar conta que, depois de um período de profunda desregulação, onde as escolas públicas foram assumidamente preteridas para escolas privadas (na minha região, de âmbito profissional), se tem e teremos a dimensão municipal das redes escolares. Objetivos, estratégias, papéis e gestão local é pano para mangas. Coisa que irá ainda proporcionar rios de escrita sobre o tema.

Não menos importante e para não me esticar muito mais, a rede educativa carece de acertos e consensos para os quais tenho sérias dúvidas se estaremos preparados. Isto é e considerando a região Alentejo, impossível todos os concelhos terem toda a oferta. Desde logo a oferta regular. Há concelhos em manifesto esvaziamento onde é já impossível assegurar uma oferta de nível secundário, por área do regular. Depois o profissional, entre os interesses mais práticos de alunos, estratégicos de pais/encarregados de educação e de gestão de recursos por parte das escolas, a impossibilidade de termos tudo. Precisam-se, torna-se estratégico à sobrevivência de quase todos, metodologias de consensualização e articulação de oferta e de redes.

Não é apenas a rede local (regular ou profissional) mas a rede entre escolas e de agrupamentos de escolas. Isto é, no Alentejo (e acredito que não só) trata-se de criar redes entre escolas e não apenas de meras ofertas locais. Como rentabilizar recursos, como adequar ofertas a interesses, como potenciar o local, qual o papel da escola no futuro de cada território, é disso que se trata e não de olhar ao umbigo. Difícil? Assumidamente

Contudo e em face da demografia, das duas uma, ou acontece por iniciativa local, caso, nos anos 90 do século passado e aqui pelo Alentejo, de escolas em regime de associação (contemplada na legislação, artº 7º do decreto lei 75/2008 com republicação no decreto lei 137/2012). Ou, alternativa que certamente será fortemente contestada, por determinação do nacional. É escolher, pois o destino é invariável se nada se fizer.

Finalmente e para ensejo meu, irei a Aveiro apresentar uma comunicação que designei de “autobiografias do insucesso – o território e a regulação local da educação”. Tem por base o trabalho que tenho desenvolvido no centro para a educação e formação profissional (CQEP) atuais Centros Qualifica. Olhar atrás, dá para perceber como o local gere e regula as mobilidades sociais, qual o papel da escola nesse âmbito. Entre regulação e redes locais venha o diabo e escolha. Particularmente quando as escolas e os professores deixam a coisa à sorte de cada um. Aí não há sorte que valha aos mais fracos ou aos mais frágeis.

Manuel Dinis P. Cabeça

coisas das aulas

8 de maio, 2017

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