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(Re)Começar

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Descanso, descontração, desanuviar, calor, sol, praia, passeios, viagens, colocar ideias, conversas e outros afazeres em dia, retemperar forças: são apenas algumas das palavras chave que a maioria associa às férias de verão.pi1

Muitos professores gostariam de apreciar, devidamente, os dias longos e soalheiros, o merecido e retemperador descanso mas, contrariando as previsões meteorológicas, uma nuvem, escura como breu, teima sempre em pairar, assombrando, ensombrando e toldando o pensamento de muitos apesar do sol que lhes aquece e doura a pele. A brisa sussurra-lhes, frequentemente, ao ouvido “Onde ficarei colocado? Será longe de casa? Que rotinas terei de repensar/alterar e conciliar?”. Para alguns, muitos, a questão primordial é “Ficarei colocado?”, os persistentes fazem contas à vida face aos vários cenários possíveis, estudando alternativas. Os professores do “quadro” (QZP e alguns de QE), interrogam-se quantas dezenas de quilómetros terão que percorrer todos os dias no percurso casa-escola-casa, se será viável em termos de custos e desgaste, preparando-se para as alterações, inevitáveis, que se avizinham.

Quando, finalmente, é anunciada a publicação das listas, a “corrida” é frenética e desenfreada, sustêm a respiração, sentem a vida pendurada naquela linha que conterá o seu nome e da sua futura escola, algo por que ansiaram conhecer dias-a-fio mas que, simultaneamente, lhes causa angústia e temem profundamente. Embrenhados nesta dualidade e ambiguidade de sentimentos, constatam que a (desejada) lista teima em não abrir, acusando excesso de acessos, e com o coração a bater descompassadamente, aproveitam para renovar as doses de esperança de não ter que reequacionar, dentro de momentos, a sua vida. Perante os resultados, e depois da montanha russa de emoções acabadas de vivenciar, surge a necessidade de se confrontarem com a realidade, confirmando vezes sem conta, que o seu destino está traçado e que é “seu” o nome associado àquela escola; uns movidos por sentimento de alegria, contentamento e felicidade, outros, infelizmente, angustiados, incrédulos, revelando o seu desespero face às injustiças dos concursos e da vida.

Para quem não é colocado, com anos e anos de serviço, é a desilusão, o sentir-se descartável, desvalorizado, significa ver-se “forçado” a brincar aos jogos de sorte e azar num casino/circo chamado Bolsa de Contratação de Escolas, na esperança de encontrar uma escola. Respeito pela graduação profissional e a aplicação dos direitos laborais legislados são as reivindicações de muitos, para além, de respeito.

Por outro lado, Setembro marca o regresso, o reencontro, o recomeço/continuação de um percurso conhecido para todos os que voltam ao que consideram/é a SUA escola. O espaço, onde já partilharam vivências e conhecimentos, onde as pessoas, as rotinas, as “tricas” e as «manhas» são, na sua maioria, as do costume. É o regresso a um local onde, embora a vida seja cheia de surpresas, se sabe como e com quem se pode contar, se conhece os círculos em que cada elemento se move, pode movimentar e/ou aspira movimentar-se e, para quem os planos/projetos, para o ano letivo que se encontra prestes a iniciar, começam, de imediato, a ser delineados.

O friozinho na barriga instala-se, em quem coube uma nova escola, perante a perspetiva de, mais uma vez, começar tudo de novo. Assolados por variadas incertezas: como serão recebido, como serão os novos colegas, as formas de estar e trabalhar diferentes, as exigências e burocracias que variam de escola para escola, o tipo de alunos, os níveis e turmas que serão atribuídos que, normalmente, são os menos desejados pelos “da casa”, os horários que são, regra geral, os últimos a ser ajustados, etc. Para alguns, acresce ainda a angústia de todas as adaptações, repercussões na vida pessoal e familiar de quem abraça o trabalho numa nova escola/terra e, no inconsciente, não verbalizada, a dúvida “Valerá a pena?”.

Saber colocar-se na posição do outro é um exercício que deve ser realizado com regularidade, tarefa facilitada neste caso, pois, todos nós, num ou noutro “setembro”, certamente uns em tempos mais longínquos que outros, já sentimos a desilusão, a apreensão e o friozinho na barriga na chegada a uma nova escola. Que a arte de bem receber na “nossa escola”, ser solidário e um verdadeiro e bom colega impere. Embora a realidade seja conhecida, todos os anos letivos são diferentes, para uns mais do que para outros!

Votos de um bom e sorridente ano letivo para todos!

Pi

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