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Rebeldia – Um defeito ou uma atitude

A rebeldia é uma forma de transmitir uma emoção e não uma forma de estar ou ser. NINGUÉM É REBELDE. Temos sim, atitudes de rebeldia e isso faz toda a diferença na forma como lidamos com essa atitude.

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Lembro-me quando os meus filhos nasceram, tive amigas que me começaram imediatamente a falar da fase dos terrible two. Ainda eles não tinham 2 anos e eu já andava ansiosa com essa fase que me diziam ser tão terrível. Longe estava eu de imaginar que essa fase seria apenas mais uma fase do desafio enorme com que nos deparamos quando somos mães.

Hoje, mãe de 2 rapazes de 11 anos, sei que o desafio está longe de acabar. E já foram tantas as fases porque passaram que não consigo dizer se houve fases piores ou fases melhores. Foram fases, que fizeram e fazem parte da aprendizagem deles como seres humanos e da nossa aprendizagem como mães e pais.

E há idades que são consideradas idades de maior aprendizagem e por vezes conotadas de idades rebeldes. São idades que exigem uma maior compreensão da nossa parte enquanto pais e educadores, maior paciência, mas também exige da nossa parte um maior sentido de responsabilidade e justiça, pois educar não é dizer sempre sim, nem dizer sempre não. Educar é explicar, aconselhar, desafiar, confiar, exigir, permitir, acompanhar, tolerar, negar, deixar, responsabilizar, com a consciência de darmos sempre o nosso melhor.

A consciência de que a rebeldia é algo natural de várias fases da idade, permite-nos perceber o que fazer em cada circunstância, cada desafio. Não se trata de desculpar, nem sermos permissivos, nem de irmos contra os nossos valores morais, mas sim de procurarmos obter as ferramentas que necessitamos para lidar com cada fase, da melhor maneira possível.

E não estou com isto, a dizer, que é tarefa fácil. Não é. Principalmente quando passamos tanto tempo fora de casa, quando temos os nossos próprios desafios e problemas do dia a dia. É muitas vezes com o coração apertado que olhamos para o comportamento dos nossos filhos e não o reconhecemos. Culpabilizamo-nos, choramos, revoltamo-nos com todos à nossa volta, com o sistema, com o governo, com o nosso companheiro e com… os nossos filhos.

A culpa não é vossa. A culpa também não é dos vossos filhos. A culpa não é do governo ou do sistema. OK, o governo e o sistema podiam ajudar mas aí cabe a nós, lutar por algo melhor. No entanto, definitivamente, os nossos filhos não são rebeldes por culpa de ninguém.

A rebeldia é uma forma de luta, tal como nós pais e educadores, nos rebelamos contra aquilo que não gostamos. A forma como se demonstra essa rebeldia, é que vai mudando. E então cabe a nós pais, educadores em geral, ensinarmos a gerir essa rebeldia.

Chama-se a isto, aprender a gerir emoções.  Uma aprendizagem que deve começar logo na 1ª infância e continuar ao longo da nossa vida adulta. Quantas vezes nós próprios acabamos por exagerar na resposta que damos a algo que não concordamos, ou dizemos algo que mais tarde nos vimos a arrepender? Quantas vezes damos por nós a rebelar-nos contra aqueles que nos são mais queridos ou mesmo contra pessoas que não conhecemos de lado nenhum, só porque houve algo que aconteceu, que nos deixou irritadas e suscetíveis?

A rebeldia é uma forma de transmitir uma emoção e não uma forma de estar ou ser. NINGUÉM É REBELDE. Temos sim, atitudes de rebeldia e isso faz toda a diferença na forma como lidamos com essa atitude. Olhem agora para as atitudes rebeldes dos vossos filhos, dos vossos alunos. Procurem perceber o que os leva a ter essa atitude. O que lhes provoca essa atitude? Lembrem-se que os vossos filhos estão a crescer. Lembrem-se que tudo é uma aprendizagem. Não. Não vamos desculpar faltas de educação nem qualquer tipo de violência, até porque, repito, educar é explicar, aconselhar, desafiar, confiar, exigir, permitir, acompanhar, tolerar, negar, deixar, responsabilizar. A forma como lidamos com essa rebeldia e como lidam connosco, durante a fase de aprendizagem, condiciona as nossas atitudes em adultos. Define a nossa personalidade e a nossa maneira de estar, reagir, ser, perante os desafios do dia a dia.

Gerir emoções não é reprimi-las, fechá-las numa caixa a 7 chaves. Gerir emoções é saber reconhecer as emoções de forma a podermos tomar a atitude ou ter a reação mais adequada, dentro daquilo que consideramos serem os nossos valores. A rebeldia faz parte. Vamos então aprender como ser rebelde sem irmos contra os nossos valores. Isto sim, faz parte do grande desafio como seres humanos que somos.

Rita Silva Cardoso – Coach e Formadora na Rita Silva Cardoso Coaching & Training

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