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Reação da Diretora que suspendeu o aluno por partilhar o lanche

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“Estavam todos a beber do mesmo sumo, não estavam a matar a fome a ninguém”

Fonte conhecedora do processo adiantou ao Observador que o estudante já tinha “furado a bolha da turma”, que impede os alunos de contactarem com outros de turmas diferentes, diversas vezes para estar com os amigos.

O jovem já tinha sido avisado que não podia violar as regras por questões sanitárias e, no que toca à partilha do lanche, o entendimento da escola foi que se tratava de uma brincadeira entre os alunos.

Rui Pereira, vice-presidente e vereador da Educação da Câmara Municipal de Sintra, explicou que se trata de uma “situação recorrente” que envolve quatro jovens de diferentes turmas que não respeitavam as regras sanitárias da escola relativamente à pandemia de Covid-19, nomeadamente andavam sem máscara e partilhavam comida e bebida.

Foram várias vezes avisados pelas funcionárias da escola e também pela direção das turmas”, diz o vice-presidente da autarquia à Rádio Observador.

Apesar dos avisos, os jovens continuaram a não respeitar as regras e o caso culminou com a situação do lanche: “Eles estavam todos a beber do mesmo sumo, não estavam a matar a fome a ninguém. Estavam a partilhar o lanche, bebendo da mesma embalagem, comendo e mordiscando a mesma sandes, juntos sem máscaras.”

Diretora: “Não se trata de uma generosidade (…), mas sim de estarem a dar dentadas no mesmo alimento”

Contactado pelo Observador, o Ministério da Educação diz estar a acompanhar a situação e enviou a carta da diretora do agrupamento de escolas ao encarregado de educação.

Nesse documento, a diretora explica que aluno é repetente e por não conhecer ninguém na nova turma, vai ter com os antigos colegas de turma durante o intervalo. Apesar de ter sido várias vezes alertado de que não só não podia estar com alunos de outra turma, como não podia estar perto do grupo quando estivesse a comer sem máscara, “não mudou de atitude”. A diretora sublinha ainda que os alunos em causa foram “repetidamente” avisados de que não podia partilhar nem comida nem material.

“O que eu vi, após ter este grupo de alunos já referenciado pelos professores e pelos funcionários, foi um quarteto de meninos, de turmas diferentes, juntos, sem mascara e a dar dentadas na comida uns dos outros. Não se trata de uma generosidade do seu filho em pagar uma sandes ao colega, que surpreendentemente ainda não teria comido nada as 16h30 da tarde, mas sim de estarem a dar dentadas no mesmo alimento“, lê-se no documento.

A diretora refere ainda que não pode deixar que “a estranha versão de generosidade” do aluno ponha em causa o plano de ação da escola para receber 1.400 alunos “em segurança”.

O cumprimento de simples regras de higiene e distanciamento são o que pedimos à geração do seu filho. O senhor fez hoje passar uma atitude irresponsável e de desrespeito pela escola toda, por um ato heróico. Os meus sinceros parabéns. As regras são claras. No documento divulgado no inicio do ano é referido quais as penalizações para o seu incumprimento. “

Leia a carta na íntegra:

“Exmo. Sr.EE

O seu educando, por ter ficado retido, encontra-se agora numa turma onde não conhece ninguém, pelo que no intervalo procura a companhia de colegas de outras turmas, seus colegas do ano passado, algo que este ano tem que ser rigorosamente evitado, mas que ele já ignorou por diversas vezes e por diversas vezes foi alertado. Não mudou de atitude. Também foi já alertado para que quando comesse, sem máscara, claro, deveria afastar-se do grupo, algo que ele repetidamente ignora. Também foram repetidamente os alunos avisados que não podem partilhar comida, como não podem partilhar material. O que eu vi, após ter este grupo de alunos já referenciado pelos professores e pelos funcionários, foi um quarteto de meninos, de turmas diferentes, juntos, sem mascara e a dar dentadas na comida uns dos outros. Não se trata de uma generosidade do seu filho em pagar uma sandes ao colega, que surpreendentemente ainda não teria comido nada as 16:30 da tarde, mas sim de estarem a dar dentadas no mesmo alimento. Se eu pagar comida alguém, dou-lha. Não implica que essa pessoa abocanhe a comida que está na minha mão. Sao coisas diferentes. E este grupo de 4 estava a incumprir não apenas uma regra, mas varias, o uso obrigatório de mascara, a distância física, a distancia quando se come e a mistura de turmas no intervalo. Tudo repetidamente e depois de avisados. A diretora de turma explicou tudo. Se não concordava, dirigia-se a mim. Pedia esclarecimentos. 

O plano de ação e contingência deu muito trabalho a fazer e deu muito trabalho a organizar as três escolas do Agrupamento para recebermos 1400 alunos em segurança. Não posso permitir que a estranha versão de generosidade do seu filho, que ainda me há-de indicar qual dos 4 estava em jejum, ponha tudo a perder. O cumprimento de simples regras de higiene e distanciamento são o que pedimos à geração do seu filho. O senhor fez hoje passar uma atitude irresponsável e de desrespeito pela escola toda, por um ato heróico. Os meus sinceros parabéns.  As regras são claras. No documento divulgado no inicio do ano é referido quais as penalizações para o seu incumprimento. 

Espero que tenha chegado para que retire o seu post cheio de inverdades  e que deu azo a que sem conhecerem os factos tantas pessoas venham encher o facebook de ódio. Não gostam do meu trabalho? De 4 em 4 anos há eleições para diretor.”

Fonte: Observador

 


Diretora suspende aluno por partilhar lanche com colega

8 COMMENTS

    • E que explicação… A parte final então revela muita coisa…

      Não gostam do meu trabalho? De 4 em 4 anos há eleições para diretor.”

      • Revela o quê? Estou intrigada! As equipas de trabalho das escolas, que são constituídas por professores, trabalham horas a fio para preparar planos, planinhos e cenários diversos.. se existem regras, que não me parecem exageradas, devem ser cumpridas! Ponto! Não vejo outra leitura! Os alunos foram avisados diversas vezes, não cumpriram foram sancionados! O mesmo vale dentro da sala de aula, se não cumprirem, se faltarem ao respeito aos professores ou aos colegas é normal que sejam penalizados!

        • Revela um estilo que pessoalmente não aprecio. “É como eu quero, ou corram comigo”. Uma liderança não se deve centrar no eu, mas sim no nós.

  1. Compreendo que há regras e que a situação de covid é grave. Mas permitam-me relembrar que, até agora, raras são as mortes por covid em idades mais baixas (1-19 anos).
    Isto significa que, por alguma razão, as crianças não são tão atinguidas pelo virus como os mais velhos.
    Se me permitem, relembro que a “imunidade de grupo” é estimulada quando estão EM GRUPO, ou seja, agressões do meio ambiente, de forma a estimular as defesas do organismo.
    Não sei mas a mim parece-me um pouco exagerado a “delimitação do espaço” por turmas.
    Parece-me um pouco como os campos de concentração, mesmo assim, nos campos havia “livre circulação”.
    Não sei, creio que vendemos um pouco a noção de civismo e de racionalidade ao medo de algo que vai passar no momento em que a comunidade criar “anticorpos” contra.
    É necessario não cair no panico nem ira extremos, que é o que parece estar a acontecer.

    • Não sabemos as consequências futuras deste vírus, mas sabemos que o sistema de saúde não aguenta um acréscimo brutal de casos. Não morrem de covid, morrem de outras coisas.

    • É necessário não esquecer que estes alunos, tal como todos pelo país, não vivem na escola. Passam lá as 8 horas, regressam para os seus lares, para perto de país possíveis grupos de risco, avós cuja idade não ajuda ao combate ao vírus. Todo um contexto que deve ser tido em conta… Se fosse fácil não seria declarada pandemia mundial, é exatamente por perspetivas desta tipologia que é ingrato os nossos profissionais de saúde viverem no medo para que o coitadinho da esquina possa ir ter com os amigos desrespeitando todas as normas atuais.

  2. As crianças talvez não fiquem doentes, mas podem, mesmo assim sem sintomas, contagiar outras pessoas. Pessoas de família ou vizinhos, em situações de maior fragilidade, avós idosos, pessoas que estão em grupos de risco…

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