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Querem jogar a um jogo? Chama-se Educação…

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Um dos motivos pelo qual o CNE é contra a retirada dos exames no 6º e 9º ano de escolaridade, está relacionado com as sistemáticas alterações no meio educativo. Neste ponto estamos totalmente de acordo. Pelos vistos, em 16 anos já houve 20 alterações na avaliação dos alunos, repito, em 16 anos, 20 alterações. Nem mesmo no futebol se muda tanto de treinador…

roletaDesculpem-me mas o que se tem feito à educação é simplesmente criminoso! Estes senhores que têm estado a governar este país comportam-se como autênticas crianças, fazendo as suas “birrinhas” legislativas ao ponto de um aluno que comece um ciclo, no seu final, está perante algo completamente diferente do que quando começou. Ninguém se entende, parece que estamos num jogo de roleta criado especificamente para a educação, onde umas vezes sai laranja e outras vezes sai rosa.

Hoje foi mais um dia de mudança e antes de abordar esse assunto, importa realçar aquela que para mim foi a notícia mais importante do dia e que foi abafada por tanta novidade.

Pacto, compromisso, estabilidade, serviço público e já agora um pouco de elevação e sentido de estado, são palavras que deviam ser memorizadas e repetidas diariamente, antes de Governo e Deputados pensarem em fazer qualquer coisa.

Avaliação dos alunos, já mudou mais de 20 vezes em Portugal nos últimos 16 anos

Sobre o que se passou hoje na Assembleia da República, mais do que uma opinião surgem-me algumas dúvidas.

  • Se o objetivo é aferir em anos intermédios, para quê fazer um teste específico? Os próprios professores não serão capazes de saber o que está mal, ajustando e solicitando os apoios necessários ao longo do percurso do aluno? Haverá algum apoio extra para as escolas que evidenciem maus resultados? Se não, para quê aferir em anos intermédios?
  • Os alunos de 8º ano, que já cá andam há uns aninhos, vão deslocar-se à escola, já em tempo de férias, para fazer uma prova que não conta para nada? Mesmo que seja obrigatório? Qual a consequência?
  • Haveria necessidade de aferir a nível nacional? Porque não aplicar um sistema semelhante ao do PISA?
  • Não fazia sentido ter ouvido também os parceiros educativos sobre esta matéria, antes de decidir agora e quiçá corrigir depois?
  • E já agora, um dos motivos para terminar os exames do 4º ano não foi o facto de estes serem aplicados a crianças de tenra idade? Apesar de não existir a pressão acrescida de todo o formalismo examinal, faz sentido “aferir” matérias logo no 2º ano de escolaridade?

No entanto, já que se vai por este caminho, concordo com a aferição por diversas disciplinas. É um início para mudar uma ideia perigosa e que tem vindo a agravar fissuras dentro do corpo docente, em que umas disciplinas são nucleares e as outras são apenas para passar tempo.

Sobre a fim da PET… “CLAP, CLAP, CLAP”

Apenas mais algumas considerações ao que fui ouvindo hoje:

O argumento que estamos a meio do ano e que tudo estava a ser preparado para os exames, estando professores e alunos focados para esse objetivo, são mais uma prova que o fim dos exames do 4º e 6º ano foram uma boa medida. A escola, principalmente em ciclos intermédios, não deve ter como objetivo os exames, deve sim preparar os alunos abordando todos os conteúdos, sem simulações de exames ao longo do ano, preparações específicas ou abordagem sistemática a conteúdos mais “examináveis”.

Outro argumento que ouvi, defendendo a permanência dos exames, é que estes contribuíam apenas para 3% de chumbos. Fica a pergunta, e se fosse 30% de chumbos, já estava tudo bem?

Por fim um último ponto e que pouco se fala, mas que para mim é uma questão central. Estas aferições e exames precoces, só provam que existe uma falta de confiança no sistema educativo, tendo à cabeça os professores. Em cada período existem avaliações formativas e sumativas, acrescentando as constantes avaliações externas realizadas por parte da tutela, mas pelos vistos isso não chega. A validação dada pelo professor deveria ser suficiente para tranquilizar qualquer aluno, pai ou governante, eliminando por si só qualquer verificação externa. Por isso é evidente que estamos perante um objetivo encapotado que é a avaliação dos próprios professores. Mas se queremos falar de avaliação de professores, falemos então, mas comecemos por onde tem de começar, pela sua formação de base… Mas aí vai tocar em certos poderes que poucos se atrevem a tocar…

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P.S – Sobre o retorno dos feriados, apenas uma questão que devia servir de barómetro para futuras ideias peregrinas… Fomos mais produtivos durante a sua ausência?

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