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Querem Aulas Do Séc. XXI Com Tecnologia Do Séc. XX

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Se não é obrigatório ter tecnologia para dar uma boa aula, a verdade é que nos dias que correm uma boa internet, um bom projetor e vários computadores ou tablets para os alunos trabalharem, podem tornar uma aula muito mais estimulante para estes. Não se trata de desvalorizar o que é mais antigo, ou dizer que o moderno é que é bom, trata-se apenas de uma análise às ferramentas que os alunos utilizam hoje para a sua socialização e entretenimento. Como tal, a tecnologia tornou-se uma realidade preferencial e a escola não consegue competir com tanto estímulo que vem de fora.

Como diz o outro… “Se não consegues vencê-los, junta-te a eles…”

Os professores Neuza Pedro e João Filipe Matos, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, identificaram ao Educare, seis princípios de ação nesta área com exemplos concretos.


A naturalização dos ambientes digitais nas dinâmicas escolares

Neuza Pedro e João Filipe Matos identificam seis princípios de ação. O primeiro é claro: as escolas têm de estar tecnologicamente equipadas. Nesse sentido, a qualidade dos recursos e ferramentas precisa ser avaliada e assegurada. Há vários problemas, no entanto. Desconhece-se o estado real e atual do parque tecnológico das escolas públicas, o que se ambiciona para a agenda digital que Portugal assumiu não tem expressão prática, o número global de computadores disponíveis no sistema educativo tem vindo a baixar consideravelmente, e os equipamentos, na sua maioria, estão obsoletos.

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Um corpo docente capacitado é o segundo princípio de ação. Os professores têm de ter uma visão informada, dinâmica e reflexiva das oportunidades de aprendizagem que devem proporcionar aos seus alunos. Quem ensina não é uma correia de transmissão das orientações curriculares e a modernidade exige um outro perfil de docente. A integração natural das novas tecnologias em processos de formação docente está ainda por generalizar. “No entanto, são muitos os professores e as escolas que, aproveitando o pretexto da ‘atualização tecnológica’ da escola se envolvem em atividades e projetos que constituem formas de desenvolvimento profissional vivido com os pares e em estreita relação com o contexto envolvente, onde a formação formal se faz acompanhar de processos de suporte mútuo, tutoria e outros mecanismos de follow-up”.

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No terceiro princípio de ação está a quadratura tecnologia-espaço-metodologia-avaliação. A organização do espaço físico de ação, a sala de aula, tem de ser repensada. É necessário, alertam, redesenhar a educação na sua relação dialética com os espaços onde ela tem lugar.
Além disso, é preciso considerar novas abordagens à monitorização do processo de ensino e de avaliação das aprendizagens para se medir os efeitos conseguidos com tais mudanças nas práticas em sala de aula. Os autores chamam a atenção para vários fatores. “Num quadro pedagógico em que os métodos ativos são cada vez mais trazidos como relevantes, é importante considerar tanto professores como alunos na edificação de novos espaços e no elencar das múltiplas oportunidades oferecidas pelo edificar de novos layouts para a sala de aula e mesmo de novas conceções de sala de aula”.

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Lideranças escolares digitalmente proficientes e tecnologicamente orientadas estão no quarto princípio de ação. O papel de um líder escolar não é fácil, tem de liderar com constantes movimentos sociais e mudanças de paradigmas educativos. “Pelas responsabilidades que lhe estão outorgadas, cabe às direções escolares (estabelecer meios para se) criar uma visão sobre o futuro da escola que inclua dimensões como o desenvolvimento de competências nos professores e nos alunos que lhes permita sustentar atividades inovadoras que, de forma convergente, se orientem para a aprendizagem, a iniciativa e a criatividade”.

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Tecnologias como currículo, não somente ao serviço do currículo. Este é o quinto princípio. “As tecnologias digitais – entendidas como recurso físico e conceptual – constituem um elemento de mediação da atividade escolar que não pode ser comparado com outros recursos de outras épocas históricas e outros contextos sociais e tecnológicos”, destacam os autores do texto publicado no relatório do CNE. As tecnologias valem por si, não têm de estar agarradas ou a ir a reboque dos programas.

“Se momentos históricos houve onde as TIC poderiam ser advogadas como devendo estar transversalmente ao serviço do currículo, tais momentos expiraram há muito. Hoje o saber atuar com e sobre as tecnologias, o deter competência digital, é em si um saber a adquirir e que precisa ter espaço específico no currículo, sendo isso preconizado por múltiplos currículos internacionais, pelas competências-chave elencadas pela União Europeia e pelo perfil do aluno nacionalmente em vigor”.

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A tecnologia como linguagem da ciência e da sociedade é o sexto princípio. “Cada vez mais nos habituamos à ideia de que o rápido desenvolvimento das tecnologias digitais está a mudar muitas das nossas práticas diárias, como por exemplo a forma como comunicamos e gerimos o tempo profissional e de lazer. Mas é menos óbvia a forma como as tecnologias digitais têm vindo a fazer parte da cultura e a afetar a forma como pensamos e a nossa própria linguagem falada e escrita”.

Podem ler o artigo todo aqui

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