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Quem Somos Atrás Da Máscara?

É, de facto, uma espécie de bipolaridade a que ataca uma grande parte dos utilizadores das redes sociais. E ainda se torna mais visível nos grupos (e 'pseudo' grupos) de (dir-se-ia) Educação

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«(BI)POLARIDADES.

Andar por aqui”, neste cada vez maior (e mais ‘real’) mundo de encontros, é um exercício que nos obriga, cada vez mais, a ter (e, anteriormente, ter construído) uma capacidade efectiva de tornar irrelevante o que se pretende fundamental.

É, de facto, uma espécie de bipolaridade a que ataca uma grande parte dos utilizadores das redes sociais.

E ainda se torna mais visível nos grupos (e ‘pseudo’ grupos) de (dir-se-ia) Educação.

De uma forma geral, não conhecemos, pessoal e presencialmente, a maior parte das pessoas com quem interagimos. E, talvez por isso, relevamos e desconsideramos o tipo e o modelo de interação.

Mas, quando se dá o facto de até conhecermos pessoalmente a pessoa, a prática, a crença e a “filosofia” de quem, connosco, se cruza por aqui, e constatamos as diferenças entre o “presencial” e o “virtual”, não podemos ficar indiferentes…

Temos vindo, de há uns anos para cá, a criticar, a condenar, a violentar e a culpar as interações sociais mediadas pela internet. Temos vindo a atribuir às redes sociais o deteriorar das relações humanas. Temos, inclusive, praguejado e esconjurado as relações construídas pela tecnologia…

Façamos o seguinte exercício…

Imaginemos que nos cruzamos, no supermercado, com alguém que alega ser nosso conhecido mas que se apresenta com uma máscara facial que impede que vejamos e reconheçamos as suas feições. Interagiríamos?

Imaginemos que, no parque infantil, com os nossos filhos, um desconhecido se aproxima deles com “desafios irresistíveis”. Continuaríamos imóveis e despreocupados?

Imaginemos que um desconhecido nos interpela, na rua, para que lhe emprestemos as nossas chaves de casa. Cederíamos?

Imaginemos que um doce que nos impressionou pelo “aspeto visual” se transforma numa desilusão gastronómica. Continuaríamos a recomendá-lo?

Estas são apenas algumas das perguntas que deveríamos fazer quando criticamos as “redes sociais”. Porque, de forma geral, no espaço digital, temos “amigos” que apresentam, no perfil, uma “máscara” (que vai da foto do cão à inexistência de uma imagem que seja, de facto, nossa). Permitimos que os nossos filhos tenham uma “vida digital paralela” com estranhos sem nos preocuparmos e até cedemos, de forma voluntária, as nossas palavras-chave e outras informações pessoais. Ficamos “fãs” de produtos e serviços que desconhecemos e, só por isso, estamos a “recomendar”…

Mas, ainda mais importante e pertinente: somos nós quem coloca a foto do cão, do gato, do canário, como imagem de identificação. Somos nós quem, de forma estranha e oculta, nos dirigimos a quem não nos conhece (sem, sequer respeitar as normas de cordialidade mínimas!). E somos nós quem fornece, gratuita e facilmente, a informação mais “simples” mas mais perigosa (onde estamos, o que estamos a fazer, para onde vamos, de onde viemos…) e contribuímos para a importância de quem (e do que), normalmente não a tem, apenas porque servimos de amplificador.

Talvez um dia não critiquemos no “geral” o que fazemos no particular.

Talvez um dia tenhamos a coragem de utilizar as ferramentas e a tecnologia de forma “humana” como fazemos com todas as outras dimensões da nossa vida.
Talvez um dia acreditemos que a coerência começa em nós. Em cada um de nós.

Mas para isso, um dia teremos de perceber que o que somos “on-line” não é o que somos “no real”. Porque não faz sentido ter uma prática diária e idolatrar, nas redes sociais, quem defende o oposto. Porque não faz sentido “gostar”, nas redes sociais, das palavras fantásticas de um teórico para, na prática, fazer o seu contrário.
Porque não faz sentido continuar a mentir-nos a nós próprios.

Porque, como diz o ditado, “a mentira tem perna curta”. E nós já estamos de joelhos… (…)»

 

Texto do colega Henrique Santos

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