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Quem se preocupa com os bons alunos?

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Passamos o tempo a falar dos alunos com dificuldades, do seu fracasso, da sua irresponsabilidade, da sua falta de aplicação, etc. Fazemos planos de recuperação, provas de recuperação, damos 2ª, 3ª e 4ª oportunidades, tudo para que o insucesso não tenha sucesso.

E os outros? Não devíamos pensar também nos outros? Os alunos assim assim e os bons alunos, não merecem estes a mesma dedicação e apoio por parte da escola? Não merecem a possibilidade de passarem de medianos a bons e de bons a excelentes? Não merecem os seus pais o compromisso e espírito de dedicação que os professores dão aos alunos mais fracos?

Mas os professores também os ajudam…

Claro que sim… mas não da mesma forma. Já repararam na energia e verbas que são canalizadas para os alunos com mais dificuldades? É evidente que os mais “fracos” precisam de um apoio suplementar, mas o problema não está no apoio prestado aos alunos mais carenciados, o problema está “no deixa andar” que a escola aplica aos alunos medianos e bons alunos. A escola elogia, a escola afixa as carinhas dos melhores, dá umas palminhas nas costas e pronto. Não chega! A escola deve dar as mesmas oportunidades de evolução independentemente do nível em que os alunos se encontram.

A manta não estica, e por muito que os professores tentem tratar todos da mesma maneira é impossível fazê-lo. Com turmas tão grandes, com alunos tão heterogéneos, a prioridade dos professores não é ter o maior número de alunos excelentes, é ter o menor número de alunos insuficientes.

É preciso pensar que os assim assim e os bons alunos também merecem ser melhores, não podem ser uma constante segunda prioridade.

Há momentos que penso que a escola trata uns como filhos e outros como enteados e não julguem que não sofro do mesmo mal… Quantas vezes preteri a minha atenção a um aluno mediano ou bom aluno em detrimento de um aluno com dificuldades. Entre um aluno que não sabe fazer o pino ou um que o faz mais ou menos, é de senso comum que dê prioridade a quem não sabe… Porém, não deixa de ser uma escolha com evidentes benefícios e consequências.

E depois temos a parte que nos corrói por dentro… a indiferença e ingratidão de meninos e meninas que não sabem aproveitar a dedicação e o amor à camisola de muitos professores e seus parceiros educativos. Constatar que muitos meninos e meninas faltam aos apoios, faltam às tutorias, não ouvem nada do que o professor diz, não cumprem com a palavra dada, como se a escola fosse algo para os servir e sem que estes tenham de lutar por eles próprios…

Deem-nos condições para tratarmos todos da mesma maneira, para potenciarmos todos da mesma maneira, é que no final do dia, são todos nossos alunos, são todos nossos filhos e todos merecem a mesma dedicação.

Alexandre Henriques

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