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Quem leva a minha filha para a escola?

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Partilho uma carta destinada à Assembleia da República que contém uma das maiores preocupações dos encarregados de educação.


Excelentíssimos Deputados à Assembleia da República Portuguesa,
 
Escreve-vos Bruno Reis, professor, pai e encarregado de educação de uma menina de onze anos que irá frequentar o 6.º ano de escolaridade, e é principalmente nesta última condição que a vós me dirijo.
 
Gostaria de chamar a vossa atenção para uma grave situação que afectará a minha família e certamente milhares de outras famílias portuguesas, fruto da falta de orientações precisas, coerentes e exequíveis emanadas do Ministério da Educação para as escolas portuguesas no que diz respeito às medidas a adoptar para combater a propagação da COVID19. Muito é delegado à autonomia das Escolas e é exatamente aí que reside o problema, pois expõe os alunos e suas famílias à arbitrariedade de cada uma das direções dos agrupamentos de escolas e a imponderadas consequências. 
 
Com efeito, a Direção do Agrupamento de Escolas de Águeda, como medidas de contenção, determinou que os alunos do 2.º ciclo tivessem as suas aulas somente da parte da manhã ou da parte da tarde, em quatro dias da semana. Determinou ainda que este ano não funcionariam clubes ou atividades de enriquecimento curricular e que os alunos não poderão permanecer no recinto escolar para além do seu horário letivo. Decisões tomadas completamente à revelia das necessidades, contextos ou constrangimentos das famílias e encarregados de educação. Ora, no caso particular da nossa família, tanto eu como a minha esposa trabalhamos a tempo inteiro a cerca de  quarenta quilómetros da nossa residência, o que impossibilita tanto o acto de levar a nossa filha à escola ao início da tarde, como o de a ir buscar ao final da manhã. E, se em anos anteriores contávamos pontualmente com a colaboração dos avós para estas tarefas, este ano, compreensivelmente, os mesmos avós recusam-se a oferecer a sua colaboração por receio de virem a ser contagiados pela COVID19, o que seria para eles particularmente perigoso, pois se inserem em vários grupos de risco. Entende-se assim a situação impossível criada por tais determinações da Direção do Agrupamento de Escolas de Águeda e o impacto que terão no percurso escolar da nossa filha, que possivelmente terá de faltar à escola quatro dias por semana, pelo simples facto de não existir disponibilidade de a levar ou ir buscar à escola nos momentos exigidos.
Mais acrescento que não existe oferta de transporte escolar ou público na nossa área de residência.
 
Mas, ainda que hipoteticamente considerássemos que o transporte casa-escola estivesse de alguma forma salvaguardado, teríamos ainda de considerar a quem ficaria entregue a criança durante os períodos em que a escola se recusa a recebê-la. Uma vez que ambos os pais estarão ausentes da residência no cumprimento das suas responsabilidades profissionais, esperará a Direção do agrupamento que uma criança de onze anos fique entregue a si mesma durante tão longos e frequentes períodos de tempo? Pois a nós, enquanto pais responsáveis e preocupados com a segurança e desenvolvimento equilibrado da nossa filha, tal solução não nos parece minimamente aceitável.
 
Rogamos, pelas razões apresentadas, que os excelentíssimos deputados tomem as devidas diligências no âmbito dos vossos trabalhos parlamentares no sentido de resolver em tempo útil esta situação que há-de afectar milhares crianças e famílias.
 
Anexo o comunicado da Direção de Escolas de Águeda para vossa consulta. O mesmo documento pode também ser consultado em https://www.agrup-escolas-agueda.pt/informacao-sobre-o-ano-letivo-2020-2021/
 
Atenciosamente,
 
Bruno Reis
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