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Quem Bateu Será Mesmo Professor?

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Maria de Lurdes Rodrigues disse em tempos que os candidatos a professores não eram professores, eram apenas candidatos. Só que essa senhora colocava tudo no mesmo saco, profissionais com a especialização em educação e indivíduos (termo utilizado na plataforma dos concursos) com habilitação própria. E indivíduos com habilitação própria podem nunca ter entrado numa sala de aula, podem ser engenheiros, ou outra coisa qualquer.

Sendo público que existe uma grande falta de professores informáticos, não foi difícil chegar à conclusão que o indivíduo que hoje agrediu um aluno numa escola de Alvalade, foi colocado via oferta de escola, não tendo por isso profissionalização em ensino.

Isto levanta uma questão muito pertinente e que deve ser analisada em abstrato, até porque não são conhecidos os critérios de colocação da respetiva escola.

Se os verdadeiros professores carecem de uma formação de base ao nível da gestão emocional, disciplinar, chamem-lhe o que quiserem, o que dizer dos indivíduos que são colocados em salas de aula sem qualquer experiência no ensino, estágio realizado com alunos ou mesmo o inútil período probatório.

Todos nos lembramos quando há algumas décadas, qualquer indivíduo no início do seu curso ou a completar o ensino secundário, caia nas salas de aula com o carimbo de professor. Julgo que qualquer cidadão com bom senso, não deve querer voltar a esses tempos, quando miúdos de 18,19 ou 20 anos carregavam livros de ponto debaixo do braço…

Aliás, em algumas áreas técnicas dos cursos profissionais temos “professores” com habilitação própria, mas só porque essas áreas são tão específicas que como devem calcular, não é possível encontrar professores com profissionalização para o ensino, para áreas como jardinagem e afins.

Tudo pode correr lindamente, mas se queremos valorizar a docência, se queremos exigir dos nossos professores, se calhar o Ministério da Educação tem de por a mão na consciência e perguntar, até que ponto aqueles que estão a ser colocados à frente dos alunos têm o perfil indicado para o cargo?

Este é um assunto central que agora é empolado pelos tristes acontecimentos que ocorreram, com a agravante que a tempestade perfeita está cada vez mais perto, isto é, a gigantesca saída de professores na próxima década sem que exista uma renovação proporcional.

Alexandre Henriques

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7 COMENTÁRIOS

  1. Essa não é a questão a colocar, mas antes a de que os acontecimentos da semana passada (agressões a professores e 1 AO) não tiveram relevância na comunicação social e esta já é noticia de abertura de telejornais! Vão espremer isto até ao tutano e virar, outra vez, [email protected] contra a classe docente!
    Esta discriminação é que deve ser A QUESTÃO!
    Tudo o resto é/parece uma tentativa para deslegitimar o que não o deve ser!

  2. Existe muita gente não profissionalizada, como referem, mas com habilitação própria, que tem mestrados e doutoramentos e pós-docs, que formou e deu aulas a professores agora profissionalizados, que orientou os seus estágios. Porque razão estas pessoas não poderão dar aulas no 2º, 3º ciclos e no secundário? Só porque não têm o título de profissionalizados? Mas foram estes profissionais, engenheiros etc, que deram a formação aos professores agora profissionalizados, que transmitiram as ferramentas que eles agora usam, e continuam a ter ações de formação com estes profissionais. Pergunto, será que os ditos engenheiros, ou não profissionalizados serão assim tão incompetentes a dar aulas?! Não se esqueçam que muitos dos ditos professores profissionalizados o são porque tiraram uma formação por exemplo na Universidade Aberta de 1 ano sem contactar com qualquer aluno. Creio que como dizem aqui os colegas, essa não é a questão importante aqui.

    • Não vou generalizar pois estaria a ser injusto. A questão central é qual o tipo de formação que queremos que os nossos professores tenham. Uma formação com contacto com alunos ou sem alunos? Para mim a resposta é óbvia.

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