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Queixas De Uma Aluna De 12º Ano Sobre A Falta De Equidade No Acesso Ao Ensino Superior

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Aqui se pode ler a ilusão que os rankings criam nos alunos e suas famílias. A ideia que as escolas pior classificadas têm piores professores ou até piores condições, muitas vezes não se aplica. Quanto ao resto, subscrevo parte e percebo a crítica à falta de uniformidade na avaliação dos professores. Mas se é verdade que as escolas devem ter mecanismos internos de verificação, também é verdade que a diferenciação pedagógica, obriga a ajustes avaliativos e não estou a falar nos casos extremos onde tudo o que mexe é sucesso.

O que faltou na crítica da aluna Mariana Ferreira, foi não ter abordado a questão da importância dos alunos e encarregados educação para o sucesso educativo. Uma boa omelete só se faz com bons ovos e por vezes os bons ovos são escassos…

Parabéns à Mariana pela coragem de dizer o que sente e muitas felicidades para a sua futura carreira, quem sabe se um dia não será colega. 😉

Alexandre Henriques


Ensino Superior: por que não concorremos todos em pé de igualdade

Tendo terminado ainda há poucas semanas o meu percurso no ensino secundário – e com considerável sucesso – pensei fazer um balanço sobre os (vários) aspetos em que o nosso país devia melhorar ao nível da escolaridade obrigatória. E concluí, assim, que um dos principais problemas existentes está na elevadíssima desigualdade de oportunidades, que se reflete aquando das candidaturas ao ensino superior.

Ora, começando pela desigualdade em maior escala, é de notar a discrepância entre as condições de ensino em diferentes partes de um mesmo país. Do litoral para o interior, vamos verificando que, em geral, as escolas são cada vez piores e obtêm piores resultados nos exames nacionais. Notemos que, no Ranking Escolas 2018, regiões interiores como Idanha-a-Nova, Vila Real de Santo António, Nisa e Moura, obtiveram algumas das piores médias nacionais, situando-se abaixo dos 9 valores, enquanto que as regiões litorais estão, de um modo geral, no topo da lista. Para além disso, a regra – que se vem tornando mais apertada de ano para ano – de que um aluno só pode ficar colocado numa escola pública pertencente ao local onde habita, condiciona os jovens residentes em zonas problemáticas a manterem-se durante pelo menos 12 anos em escolas do mesmo tipo (a menos que os pais tomem a opção de os colocar numa escola privada, o que nem sempre lhes é possível).

Em relação a isto, sublinha-se outro nível de desigualdade: a verificada entre as escolas públicas e os colégios. No Ranking de 2018, os primeiros 28 lugares são ocupados por colégios, e as escolas públicas só começam a aparecer com maior frequência a partir da posição nº 50. Por que é que isto acontece? Tendo estudado nos dois tipos de instituição, é, para mim, muito claro: o colégio tem melhores instalações, melhores professores, um melhor ambiente… enfim, melhores condições para se aprender. Será justo, então, que uma família de menos posses económicas seja automaticamente privada de dar aos seus filhos uma educação de tão boa qualidade que lhes permita, um dia, ter mais chances de entrar no curso que desejam do que os restantes?

Para além disso, dentro de uma mesma escola/colégio, há uma enorme diversidade de professores, extremamente diferentes uns dos outros. Os seus testes, maneira de ensinar e até critérios de avaliação parecem ser diferentes. Um aluno com um determinado professor de Português poderá obter uma média interna consideravelmente pior do que um colega de outra turma com as mesmas capacidades e estudo, apenas porque teve o “azar” de calhar com um docente que só dá dezoitos a quem escrever de forma tão eloquente quanto o Camões.

E parece-me que, ultimamente, o Ministério faz para aumentar a desigualdade já verificada na Educação.

A partir do ano letivo que acaba de chegar ao fim, os alunos a entrar para o ensino secundário passaram a incluir obrigatoriamente na sua média de ingresso à faculdade a nota de Educação Física. Como é que isto pode ser considerado justo se as escolas nem sequer dispõem todas dos mesmos espaços e equipamentos desportivos? Se existem algumas escolas onde os alunos são avaliados nos desportos de voleibol, futebol, ginástica de trampolins e até natação, enquanto noutras ficam limitados à avaliação de apenas uma ou duas modalidades porque só têm os meios necessários para essas? Todas as escolas conseguem dar Os Lusíadas, mas nem todas têm uma piscina…

E ainda, com a mais recente proposta de se permitir que os alunos dos cursos técnico-profissionais entrem na faculdade sem serem sujeitos aos exames nacionais… não é lógico que estamos a agravar a desigualdade? Os exames nacionais, enquanto prova externa, eram o único elemento de avaliação que colocava minimamente as notas de candidatura em “pé de igualdade”, e agora propõe-se que alguns – apesar da sua especificidade, que no entanto, foi escolhida pelos próprios no 9º ano – passem a estar isentos de tal.

É urgente uma renovação do sistema de ensino a vários níveis, é urgente olhar e analisar as desigualdades com que nos deparamos, é urgente melhorar a forma de funcionamento da educação, que é a base de uma sociedade. Queremos poder candidatar-nos ao nosso curso superior favorito, sabendo que estamos a competir com alunos cuja média de ingresso reflita apenas e unicamente o seu trabalho, dedicação e capacidades intelectuais.

Mariana Ferreira

Estudante

Fonte: Observador

6 COMMENTS

  1. Hum…claro que o texto foi escrito por uma aluna do ensino secundário.
    Quando queremos impor uma ideologia, denegrindo a escola pública vale tudo.

  2. Sim, existem desigualdades….
    Sim, existem escolas com condições diferentes….
    Sim, existem professores diferentes…
    … mas nada é novidade, sempre existiu!
    Concordo, os professores deveriam ser melhor avaliados: avaliação em sala, sem aviso prévio!
    Os pais/encarregados de educação deveriam estar mais presentes e em comunicação com os professores… problema:as entidades patronais não têm qq respeito pela educação dos filhos, só pelo lucro/prejuízo do trabalhador!
    Caríssima Mariana, tenho muito respeito e esperança na vossa geração, desejo que não percam a capacidade de argumentação, de fazer notar o que está errado, e também de apresentar soluções…. porque é de soluções que precisamos mais…. e também de respeito pelo outro ao nosso lado. Quando as escolas/colégios/professores não são realmente justos nas avaliações, quando os pais e alunos não respeitam o professor, quando o professor dá aulas apenas para ter vencimento/emprego, não podemos ter uma sociedade de igualdade, de princípios como honestidade, ética, respeito.
    Conto contigo, com a tua geração, mas podem também contar comigo para juntos fazermos a diferença e mudar para melhor.
    Sucesso para o teu futuro!

  3. A Mariana está zangada com a coisa certa mas os motivos estão todos errados…
    Por algum motivo é tão importante ouvir o que dizem os especialistas da educação, que em jornais como o Observador, têm menos espaço do que os alunos do 12 Ano. Porque a meritocracia para alguns é apenas a capacidade que um cidadão tem de dar explicações de direita para qualquer que seja o problema. Neste caso, por exemplo, omite-se completamente as fraudes no ensino privado, que são muitas. Mas há muito mais razões para a desigualdade que não estão aqui e são muito mais evidentes e importantes. Leiam mais sobre o assunto e descobrem.

  4. Só para esclarecer que Vila Real de Santo António fica no litoral do Sotavento algarvio e não no interior como a menina Mariana disse. Vila Real de Trás-os-Montes é que fica no interior. Boa tarde

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