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“Que tal admitir que em público e em privado há bons professores? Que tal admitir que quer de um lado quer do outro há pessoas esforçadas e sacrificadas?”

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Da nova rubrica “Comentários da Semana“. Eis os que escolhi.

Sentidos e sentimentos

Se os sucessivos Ministérios da Educação têm uma cota substancial de responsabilidade na degradação das condições de trabalho da classe docente, esta não está isenta do papel que desempenhou e desempenha neste processo. Durante anos, consciente ou inconscientemente vivemos num estado de apatia, alienação, preocupados apenas com a nossa “quintinha”. Hoje somos uma classe no limite, assoberbada com responsabilidades de outros, “apedrejada” em praça pública e que se agarrou à ilusão que é suficiente lamentar-se e apelar para o reconhecimento do mérito da sua função, para que seja restabelecido o tratamento digno a que tem direito. É pouco provável. Como disse e bem Manuel Dinis P. Cabeça “A solução, a alternativa a este estado de situação só é possível localmente”. Na minha perspectiva podemos começar pelas pequenas coisas: distribuição equitativa do serviço docente; atribuição de turmas “mais problemáticas” a um maior número de professores; solidariedade com colegas com menos experiência; formas de autuação conjunta face aos problemas escolares; simplificação da burocracia escolar…..

Cassilda Coimbra

Tenho 45 anos… vivo num quarto… vejo a família 2 dias por semana… Quem sou eu? Sou professor contratado…

Por estas e por outras, ao fim de 16 anos de docência, desisti. Convenço-me a mim mesma que o fiz pelos meus filhos. Um pretexto mais que justificado. Mas…bem lá no fundo, não sou, nunca fui professora em casa! Sou mãe.
E roubaram-me os meus sonhos. A minha vocação, as vidas e percursos que mudei, as histórias que alterei, os sonhos que fiz conquistar!
Sempre com B e MB, cansei-me de ser um peão nas mão de vários Ministros e PM e ME e MEC…com provas dadas.
O triste?
Quem perdeu (eu, muito, muito)?
Os alunos de todo este país.
Obrigada colegas por terem a força que eu não tive.
Vocês são os meus heróis!

Antonieta Marques

O ponto final nas negociações dos concursos. Professores do privado voltam a concorrer em igualdade com os do público.

É por estas e por outras que o governo e o patronato faz o que quer dos professores. Os professores não se sabem unir e lutar. Os professores só pensam no seu umbigo. Até criam classes dentro da sua própria classe: os contratados, os do quadro, os titulares… Quantas vezes já ouvi perguntas do tipo: é professor ou contratado? Como se os professores fossem apenas os do quadro. Os comentários neste post refletem esta luta pelos ossos à mesa do patrão estado. E depois queixam-se que a sociedade não nos respeita? Pois nós somos os primeiros a criticar e insultar os próprios colegas? Somos os primeiros a insinuar que os do privado entraram por cunha, os do público não fazem a ponta de um corno, os sindicatos estão todos comprados! Que tal admitir que em público e em privado há bons professores? Que tal admitir que quer de um lado quer do outro há pessoas esforçadas e sacrificadas? Que tal admitir que de um lado e de outro houve pessoas que perderam o emprego? É justo que o estado tenha um professor em banho maria durante 20 anos ? NÃO! É justo que só se possa concorrer com 20 anos de escravatura? NÃO.

Jorge Sottomaior Braga

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