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Que Surja Uma Onda De Protesto Contra As Novas Regras Nas Creches

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Mas que raio é que pensam que estão a fazer? Passaram-se de vez???

Como é que vão obrigar crianças a ficar afastadas 2 metros entre si?

Como é que vão impedir as crianças de partilhar os brinquedos?

Mas por acaso sabem como é que funciona a dinâmica de uma creche?

Mas por acaso sabem o que é uma criança???

Junto-me à indignação da mãe e psicóloga Ana Rita Dias..


Aquilo que temia está formalizado. Embora reconhecendo dificuldades na aplicação, como se isso suavizasse alguma coisa, a DGS pede que nas CRECHES as crianças não partilhem brinquedos e que se tente um distanciamento de dois metros entre cada criança. Estamos a falar de crianças até aos 3 anos que nunca vão perceber porque não se podem aproximar dos outros. Que se forem sistematicamente impedidas de estarem juntas vão apenas assimilar que brincar é errado, que o afecto é errado, que elas mesmas têm algo de errado. E vão crescer com essa sensação, bastando alguns meses para lhes ficar impregnada.
Não se centrem na crítica de que isto não é possível de aplicar, desvalorizando o impacto destas medidas. Se os profissionais de educação se sentirem pressionados a diariamente tentarem impedir as crianças de interagir, há aqui uma forte possibilidade das crianças começarem realmente a alterar padrões inatos de comportamento. Quem já ouviu falar de Pavlov sabe bem do que falo. Ainda há a possibilidade das creches não abrirem. Mas caso abram, não vamos coletivamente permitir que se iniciem práticas que deixarão marcas emocionais profundas na infância. Ou se abre creches e protegemos as crianças de algo que pode muito bem ser bastante mais grave que o vírus, com medidas de higienização mas deixando o brincar INVIOLÁVEL, ou então não se podem abrir creches. E o mesmo para os Jardins de Infância. A minha filha não vai para a escola para ficar colectivamente isolada.
Só vejo uma solução. Isto já não vai lá com petições. É preciso uma RECUSA em MASSA de pais e profissionais de cumprir estas orientações.

Ana Rita Dias


No essencial, as medidas detalhadas pela DGS são as seguintes, para todas as creches:

  • Existência de área de isolamento de casos suspeitos de Covid-19, com circuitos definidos e isoláveis
  • Garantia de substituição de funcionários doentes
  • Não utilização de sistemas de ar condicionado em sistema de recirculação (em pleno verão)
  • Existência de um dispensador de gel desinfetante por sala
  • Encerramento de espaços não utilizados
  • Arejamento dos espaços com abertura de portas e janelas (em pleno verão)
  • Rigor na higiene de todos os espaços, com reforço de ações de limpeza e descontaminação, incluindo limpeza de mesas e cadeiras entre turnos nas “cantinas”
  • Distanciamento entre crianças nas pausas e espaços de refeição
  • Berços, camas ou catres sempre utilizados pela mesma criança e com espaçamento mínimo de 2m entre si (há creches que se queixam de falta de espaço para implementar esta medida)
  • Divisão de turmas, tornando-as mais pequenas (E educadoras para isso?)
  • Turmas fixas, ocupando diariamente o mesmo espaço, com o mesmo educador e com os mesmos circuitos de circulação
  • Mesas de trabalho orientadas no mesmo sentido (as creches trabalham habitualmente com mesas redonda ou dispostas em “U”)
  • Uso de “máscara cirúrgica” pelos profissionais e pelas crianças com idade superior a 6 anos (abaixo desta idade a máscara não é permitida)
  • Espaçamento de 2m entre crianças (medida que a própria DGS reconhece não ser de fácil aplicação)
  • Material didático não deve ser partilhado entre as crianças
  • Os brinquedos pessoais ficam em casa
  • Os pais devem disponibilizar calçado para uso exclusivo no interior das creches
  • Os pais não podem entrar nas creches, devendo a entrega e receção das crianças ser feita de forma individual
  • No caso do transporte das crianças em viaturas disponibilizadas pelas creches, ou empresas prestadoras desse tipo de serviço, serão aplicadas as mesmas regras em vigor para os transportes públicos.

Fonte: RR

7 COMMENTS

  1. Tudo aquilo por que lutamos,uma educação de infãncia com pedagogia em que o brincar se transforma em aprendizagem em que os afetos, a partilha,o convivio se cruzam com a verdadeira cidadania,sucumbiu aos pés de uma necessidade económica de apoio à família no seu regresso ao trabalho…qualquer onda que se levante será interpretada como “não querem trabalhar”,”estão em casa e recebem a 100%”etc,etc.O que não compreendo é como o ME com tanto profissional perito em E.I.ao ler as regras da DGS não viu que são práticamente o oposto do que é uma verdadeira dinâmica das creches e JI.Então dirão muitos:quer dizer que não queres trabalhar,certo? Errado…devemos partir da finalidade do que é e para que serve a Educação de Infãncia e a partir daí estudar a melhor forma de a pôr em prática com segurança para todos…enquanto não pensarmos assim só valorizamos o poder do dinheiro e a destruição da educação…

    • Sinceramente já nem quero saber se as pessoas pensam que os Educadores só querem ficar de férias, a minha/nossa preocupação deve ser para com as crianças.

  2. Nenhum educador deveria aceitar essas condições para a(s) sua(s) criança(s).
    Estamos a interferir demasiado no sentido da infância. Percebe-se que são recomendações cegas, exclusivamente sanitárias. Esta é a via mais prática de converter uma creche numa clínica!
    A manipulação livre dos materiais, a partilha, a interação e proximidade social são basilares nesta fase. São os anos dourados das nossas crianças.
    Cabe aos pais e educadores manifestarem-se, pela saúde física e psíquica das nossas crianças, que só querem conhecer o mundo e ser felizes. Infelizmente, há famílias que não têm grandes opções, por isso, olhemos por elas, também.
    “Absurd times require absurd amounts of love”

  3. Tremendo, assustador… o medo e a prática médica a sobreporem-se a tudo o que é essencial para as crianças… Há que reagir sem dúvida! As creches e JI não são hospitais, nem depósitos de crianças, são espaços lúdicos, de socialização, onde as crianças se devem desenvolver em pleno com os seus pares, com o máximo de afeto possível… não sei quantos pais e educadores concordam com estas medidas, ou se vêm obrigados a colocar aí os seus filhos para irem trabalhar, mas nada de bom poderá vir disto para o desenvolvimento das crianças…

  4. Por Favor! Parem com estas ideias, dois metros de distância entre bebés??A essência de qualquer criança é brincar com outras crianças… Estamos em Portugal! Onde está a socialização? Partilha? Afetividade ? Que sociedade e que adultos queremos no futuro?

  5. Medidas que ficam no papel. Impossível serem aplicáveis em creches. Só quem não conhece as creches é crianças, neste caso bebés, é que faz este tipo de regras. É o problema de a creche ser vista como apoio à família e não um espaço de educação. Éoo que dá a creche ainda estar na alçada da segurança social em vez do ministério de educação, mas tem de ter educadores, não se entende. Como é que um educador ou auxiliar consegue manter a distância entre bebés?! Como é que não vai haver partilha de objectos? Os bebés metem tudo na boca, é a sua forma de entenderem o mundo. Já não falo da parte de socialização tão importante nestas idades. Falo do habitual, do que é ser criança ou bebé. Impossível. Já para não falar que estás regras são dadas uma semana antes de abrirem as creches. Sem preparação nenhuma para os trabalhadores. Que vergonha!

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